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Antidepressivos na Doença de Parkinson

Autor:

Rodrigo Díaz Olmos

Doutor em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de são Paulo (FMUSP). Diretor da Divisão de Clínica Médica do Hospital Universitário da USP. Docente da FMUSP.

Última revisão: 01/02/2009

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Um estudo controlado de antidepressivos em pacientes com doença de Parkinson e depressão

A controlled trial of antidepressants in patients with Parkinson disease and depression. Neurology 2008 Dec 17; [e-pub ahead of print] [Link para Abstract].

 

Fator de Impacto da Revista (Neurology): 6,014.

 

Contexto Clínico

A doença de Parkinson (DP) é uma doença neurodegenerativa comum que afeta cerca de 1 milhão de pessoas nos EUA. Sua prevalência mundial é estimada em cerca de 1% da população com mais de 65 anos. Depressão afeta cerca de metade dos indivíduos com Parkinson (e idosos com Parkinson têm uma chance duas vezes maior de desenvolver depressão do que idosos normais) e está associada com um sem número de desfechos ruins tanto para o paciente como para os familiares. A despeito de todo o impacto negativo da depressão em idosos com Parkinson, há poucos dados de boa qualidade para orientar os cuidados clínicos. Com base nestas considerações, os autores realizaram um ensaio clínico para avaliar dois antidepressivos em idosos com doença de Parkinson e depressão.

 

O Estudo

Ensaio clínico controlado, randomizado comparando paroxetina CR, nortriptilina ou placebo em 52 pacientes (idade média de 62 anos) com doença de Parkinson e depressão. O estudo foi financiado pelo National Institutes of Health (NIH). Os desfechos primários foram mudança na escala de depressão de Hamilton (HAM-D) e porcentagem de respondedores na 8ª semana. Os pacientes iniciaram paroxetina 12,5 mg/dia titulada até 37,5 mg/dia se necessário; nortriptilina 25 mg/dia, titulada até 75 mg/dia se necessário ou placebo. As alterações na escala de HAM-D foram avaliadas na 2ª, 4ª e 8ª semanas.

 

Resultados

nortriptilina apresentou uma melhora significativamente maior que o placebo na mudança na escala HAM-D (p<0,002), entretanto a paroxetina CR não diferiu do placebo. Houve uma tendência de superioridade da nortriptilina em relação à paroxetina (p=0,079). As taxas de resposta favoreceram a nortriptilina (p=0,024): nortriptilina 53%, paroxetina 11% e placebo 24%. A nortriptilina também foi superior ao placebo em muitos dos desfechos secundários como sono, ansiedade e funcionamento social, enquanto a paroxetina foi semelhante ao placebo. Ambos os tratamentos ativos foram bem tolerados.

 

Aplicações para a Prática Clínica

É um estudo pequeno, mas importante, pois são escassos os estudos que avaliaram o tratamento da depressão associada à doença de Parkinson. De acordo com os autores é o maior ensaio clínico já realizado em pacientes com DP e depressão. Há grande discussão sobre a fisiopatologia da depressão na doença de Parkinson, mas pouco se sabe ou se discute sobre a utilidade e a eficácia de antidepressivos na depressão associada à DP. Este estudo mostrou que a nortriptilina apresenta efeitos positivos até a 8ª semana, mas que a paroxetina não diferiu do placebo. Como observações metodológicas podemos citar o fato de ser um estudo pequeno, realizado em apenas um centro, com uma população de idosos jovens (média de idade de 62 anos), não demenciados e não tão comprometidos funcionalmente. Assim, os resultados deste estudo deveriam idealmente ser reproduzidos em populações diversas, com perfil demográfico e funcional diferente, além da avaliação de outros antidepressivos. Por ora, entretanto, acreditamos que a nortriptilina possa ser utilizada em idosos com DP e depressão.

 

Bibliografia

1.    Menza M, Dobkin RD, Marin H, Mark MH, Gara M, Buyske S, Bienfait K, Dicke A. A controlled trial of antidepressants in patients with Parkinson disease and depression. Neurology 2008 Dec 17; [e-pub ahead of print].

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