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Diretriz da SBC para Gravidez na Mulher Cardiopata parte 717

Autores:

Leonardo Vieira da Rosa

Médico Cardiologista pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Médico Assistente da Unidade de Terapia Intensiva do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Doutorando em Cardiologia do InCor-HC-FMUSP. Médico Cardiologista da Unidade Coronariana do Hospital Sírio Libanês.

Mariana Andrade Deway

Especialista em Cardiologia pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP).
Médica Cardiologista da Unidade Coronariana do Hospital Sírio Libanês

Última revisão: 28/10/2010

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Introdução

No Brasil, a incidência de cardiopatia na gravidez é, em centros de referência, de até 4,2%, ou seja, oito vezes maior quando comparada a estatísticas internacionais. Universalmente, a cardiopatia é considerada a maior causa de morte materna indireta no ciclo gravídico-puerperal.

 

Infarto Agudo do Miocárdio

A ocorrência de infarto agudo do miocárdio (IAM) é rara durante a gravidez, sendo estimado que possa ser diagnosticado entre 3-10 casos para cada 10.000 gestações. A aterosclerose coronariana é a principal causa de IAM na gestação (43% dos casos), mas também pode estar relacionada com trombose coronária (21%), aneurismas (4%), dissecção coronariana (16%) e até coronárias normais (29%). Aquelas pacientes que enfartam e na cinecoronariografia apresentam coronárias normais poderiam ter o evento decorrente de um espasmo coronariano isolado ou associado à trombose, não detectados no momento do exame. A maioria dos casos de IAM com coronárias normais ocorre no período periparto.

 

Tratamento

O tratamento não difere muito do da paciente não grávida e segue as diretrizes atuais, apenas levando em consideração as possíveis ações dos medicamentos ou procedimentos sobre o concepto. A causa do IAM deveria, sempre que possível, ser esclarecida por meio da realização imediata de angiografia coronária. O tratamento envolve analgesia, sedativos, nitratos, bloqueadores beta-adrenérgicos, fibrinolíticos, inibidores da enzima conversora da angiotensina (contraindicados na gestação, mas liberados para uso no puerpério), antiagregante plaquetário, anticoagulantes, angioplastia transluminal coronária e revascularização miocárdica. As estatinas, apesar de terem indicação bem definida na prevenção secundária em não grávidas quando o IAM é de origem aterosclerótica, não são recomendadas para uso na gestação e amamentação.

 

 

Reperfusão

O objetivo da reperfusão é reduzir o tempo total de isquemia, sendo a ICP primária o procedimento de eleição. Na gestante, adquire maior importância em relação ao trombolítico pela possibilidade de diagnosticar e tratar a dissecção espontânea de coronárias, além de apresentar menor risco de sangramento. A ICP primária deve ser realizada num intervalo de tempo não superior a 90 minutos após a chegada no hospital (IA), com os cuidados de proteção fetal já descritos. É preferível o uso de stents metálicos, por necessitarem do uso de antitrombóticos por menor tempo que os farmacológicos. Se o hospital não dispuser de laboratório de hemodinâmica e a paciente não puder ser transferida para outro local que possibilite o procedimento dentro do tempo ideal, é recomendado o uso de fibrinolítico num intervalo de tempo não superior à 30 minutos após sua chegada, ou dentro das primeiras 6 horas de evolução, desde que não haja contraindicações(IB). A trombólise sistêmica, apesar de ser descrita com contraindicação relativa na gestação, tem sido realizada nas indicações clássicas quando os benefícios superam os riscos. Mas o risco real de hemorragia é ainda desconhecido.

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