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ITU não complicada em mulheres

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 15/06/2011

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Infecção de trato urinário (ITU) não complicada em mulheres

 

Área de Atuação: Medicina Ambulatorial / Medicina de Emergência

 

Especialidades: Ginecologia / Medicina de Família / Emergências

 

Introdução

            As infecções de trato urinário (ITU) são uma das mais comuns indicações de antibióticos em pacientes do sexo feminino. Entretanto, ainda há muita variação em relação à escolha do antibiótico e ao tempo de uso. Neste texto, será apresentado um sumário das principais condutas descritas nas diretrizes publicadas pela Infectious Diseases Society of America (IDSA) em parceria com a European Society for Microbiology and Infectious Disease, a respeito de cistites e pielonefrites não complicadas em mulheres em idade fértil sem anormalidades urológicas ou comorbidades. As evidências das recomendações foram descritas conforme mostra a Tabela 1.

 

Tabela 1. Categoria das evidências

Força de recomendação

Uma boa evidência suporta a recomendação

Uma evidência moderada suporta a recomendação

Uma evidência ruim suporta a recomendação

Qualidade da evidência

I

Evidência de = 1 ensaio clínico randomizado controlado

II

Evidência de = 1 ensaio clínico bem desenhado sem randomização; de estudos analíticos de coorte ou caso-controle (mais de 1 centro); de múltiplas séries temporais ou de resultados dramáticos de estudos não controlados

III

Evidência da opinião de especialistas baseada em experiência clínica, estudos descritivos ou relatos de comissões de especialistas

 

Qual o melhor tratamento para cistite aguda não complicada?

1.      Nitrofurantoína 100 mg VO a cada 12 horas por 5 dias é uma boa escolha em razão da baixa resistência microbiana e da pouca propensão a efeitos colaterais (A-I).

2.      Trimetoprim/Sulfametoxazol 160/800 mg VO a cada 12 horas por 3 dias é uma boa escolha se a resistência da região for menor que 20% ou se a cepa for sabidamente suscetível (A-I).

3.      Fluoroquinolonas (norfloxacina 400 mg VO a cada 12 horas, ciprofloxacina 500 mg VO a cada 12 horas, levofloxacina 500 mg VO 1 vez ao dia) por 3 dias são esquemas extremamente eficientes (A-I), porém têm um perfil de efeitos colaterais pior e deve-se tentar reservá-los para outras infecções que não as cistites agudas (A-III).

4.      Agentes betalactâmicos (amoxicilina 500 mg-clavulanato VO a cada 8 horas, cefuroxima 250 mg VO a cada 12 horas, cefaclor 500 mg VO a cada 8 horas) por 3 a 7 dias são opções apropriadas quando houver contraindicação ao uso dos demais antibióticos sugeridos, pois têm menor eficácia e maior chance de efeitos colaterais (B-I).

5.      Amoxicilina e ampicilina NÃO devem ser usadas como tratamento empírico em virtude de sua baixa eficácia e alta prevalência de resistência bacteriana a estes agentes na comunidade (A-III).

 

Qual o melhor tratamento para pielonefrite aguda?

1.      Em pacientes com pielonefrite, uma urocultura sempre deve ser solicitada para que se tente guiar a antibioticoterapia caso necessário (A-III).

2.      Ciprofloxacina 500 mg VO a cada 12 horas por 7 dias, com ou sem uma dose de 400 mg EV no início do tratamento, é uma escolha apropriada para pacientes que não precisam ser hospitalizadas e nas quais a prevalência de resistência de uropatógenos de comunidade não excede 10% (A-I). No lugar da primeira dose EV de fluoroquinolona, ou em situações em que a prevalência de resistência à fluoroquinolonas possa exceder 10%, é possível fazer uma dose de ceftriaxona 1 g ou uma dose de 24 horas de um aminoglicosídeo (B-III).

3.      Levofloxacina 750 mg VO 1 vez ao dia por 5 dias é uma escolha apropriada para pacientes que não precisam ser hospitalizadas e nas quais a prevalência de resistência de uropatógenos de comunidade não excede 10% (B-II).

4.      Trimetoprim-Sulfametoxazol 160/800 mg VO a cada 12 horas por 14 dias é uma boa opção se houver informação sobre a sensibilidade do patógeno (A-I). Se esta medicação for usada sem se conhecer o perfil de sensibilidade, recomenda-se fazer uma dose de ceftriaxona 1 g EV (B-II) ou uma dose de 24 horas de um aminoglicosídeo EV (B-III).

5.      Agentes betalactâmicos orais são menos eficientes para o tratamento de pielonefrites (B-III).

6.      Mulheres com pielonefrite que precisarem de hospitalização devem receber um tratamento endovenoso com uma fluoroquinolona, ou um aminoglicosídeo associado ou não a ampicilina, ou uma cefalosporina de amplo espectro, ou uma penicilina de amplo espectro associada ou não a um aminoglicosídeo, ou um carbapenêmico. A escolha entre esses agentes deve ser baseada em dados de resistência locais (B-III).

 

Bibliografia

1.     Gupta K, Hooton TM, Naber KG, Wullt B, Colgan R, Miller LG, et al. Executive summary: International clinical practice guidelines for the treatment of acute uncomplicated cystitis and pyelonephritis in women: A 2010 update by the Infectious Diseases Society of America and the European Society for Microbiology and Infectious Diseases. Clin Infect Dis 2011 Mar 1; 52:561. [Link para o Artigo] (Fator de impacto: 8,195).

2.     Huang ES, Stafford RS. National patterns in the treatment of urinary tract infections in women by ambulatory care physicians. Archives of Internal Medicine 2002;162:41-7.

3.     Kahan NR, Chinitz DP, Kahan E. Longer than recommended empiric antibiotic treatment of urinary tract infection in women: an avoidable waste of money. Journal of Clinical Pharmacy and Therapeutics 2004;29:59-63.

4.     Kallen AJ, Welch HG, Sirovich BE. Current antibiotic therapy for isolated urinary tract infections in women. Archives of Internal Medicine 2006;166:635-9.

5.     O'Connor PJ, Solberg LI, Christianson J, Amundson G, Mosser G. Mechanism of action and impact of a cystitis clinical practice guideline on outcomes and costs of care in an HMO. The Joint Commission Journal on Quality Improvement 1996;22:673-82.

 

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