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Cirurgia tradicional de correção da cistocele X uso de telas sintéticas por via vaginal

Autor:

Giovanni Mastrantonio Di Favero

Médico Assistente da Disciplina de Ginecologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP) e do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP). Doutor em Medicina pelo Charité-Universitätsmedizin Berlin, Alemanha.

Última revisão: 22/09/2011

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Estudo que compara a cirurgia tradicional de correção da cistocele com métodos baseados no uso de telas sintéticas inseridas por via vaginal

 

Especialidades: Ginecologia e Obstetrícia

 

Resumo: Estudo multicêntrico, randomizado que comparou a eficácia do uso de telas inseridas por via vaginal com o método cirúrgico clássico de reparo das cistoceles (colporrafia anterior).

 

Contexto clínico

O prolapso da parede vaginal anterior (cistocele) afeta uma quantidade crescente de mulheres mundialmente e acarreta um prejuízo considerável na qualidade de vida. Seu tratamento é essencialmente cirúrgico, porém as técnicas tradicionais de reparo estão associadas a índices de recorrência bastante elevados (até 40%). A insatisfação gerada por tais resultados resultou numa busca por modelos cirúrgicos inovadores, sendo que rapidamente implantes de telas sintéticas inseridos por via vaginal ganharam espaço e se tornaram, em muitos serviços, método de eleição no tratamento desta condição. Devemos lembrar que este método se diferencia essencialmente da forma clássica de reparo (colporrafia anterior), pois envolve a utilização de trocáteres metálicos para a colocação do biomaterial (tela). Inicialmente, diversos estudos observacionais demonstraram uma redução significativa nas taxas de recorrência, porém existem poucos dados provenientes de estudos radomizados que suportem uma recomendação formal da técnica.

 

O estudo

Trata-se de um estudo multicêntrico, randomizado, controlado realizado em 53 hospitais distribuídos pelos países nórdicos, que incluiu 389 mulheres com prolapso de parede vaginal anterior submetidas à tratamento cirúrgico entre dezembro de 2007 e dezembro de 2008. As participantes foram divididas em 2 grupos:

 

         200 pacientes operadas com o auxílio de tela de polipropileno;

         189 mulheres submetidas à técnica tradicional de reparo da cistocele.

 

Os grupos eram absolutamente comparáveis em relação a diversos critérios, tais como: idade, paridade, tabagismo, IMC, terapia hormonal, grau de prolapso, cirurgias prévias, entre outros. As pacientes eram operadas e reavaliadas por meio de exame clínico ginecológico e questionário de satisfação após 2 e 12 meses do procedimento. Os resultados foram significativamente melhores no grupo de estudo (tela), atingindo 60,8% dos critérios objetivos de satisfação contra 34,5% no grupo controle. Entretanto, as taxas de complicação relacionadas a inserção do biomaterial, tanto intra como pós-operatórias, também foram consideravelmente maior, por exemplo: sangramento (média 85 mL versus 35 mL), perfuração vesical (3,5% versus 0,5%), aparecimento de incontinência urinária de esforço (12,3% versus 6,3%) e extrusão da tela (3,2%).

 

Aplicações para a prática clínica

O presente trabalho fornece dados um tanto surpreendentes, pois, apesar do método novo proporcionar resultados técnicos expressivamente melhores, também encerra riscos consideravelmente maiores, fato que, até o momento, era subestimado. Consequentemente, ao discutirmos com pacientes sobre a técnica cirúrgica a ser empregada, devemos obrigatoriamente balancear os benefícios dos implantes em termos de eficiência versus os potenciais riscos de eventos adversos intra e pós-operatórios.

 

Bibliografia

1.     Altman D, Väyrynen T, Engh ME, Axelsen S, Falconer C; Nordic Transvaginal Mesh Group. Anterior colporrhaphy versus transvaginal mesh for pelvic-organ prolapse. N Engl J Med. 2011 May 12;364(19):1826-36.

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