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Diretriz – Tromboembolismo durante a gestação

Autor:

Lucas Santos Zambon

Médico pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Residência em Clínica Médica no Hospital das Clínicas da FMUSP (HC-FMUSP). Doutorando do HC-FMUSP. Médico da Disciplina de Emergências Clínicas do HC-FMUSP. Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 01/03/2012

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Especialidades: Obstetrícia / Hematologia / Anestesia

 

Resumo

Esta diretriz é a mais recente atualização sobre tromboembolismo venoso durante a gestação, incluindo as recomendações sobre anticoagulação.

 

Contexto clínico

As mulheres grávidas têm um risco 4 a 5 vezes maior de tromboembolismo em comparação com mulheres não grávidas. Aproximadamente 80% dos eventos tromboembólicos na gravidez são venosos, com uma prevalência de 0,5 a 2 por 1.000 mulheres grávidas. Tromboembolismo venoso, incluindo embolia pulmonar, é responsável por 1,1 morte por 100.000 partos, ou 9% de todas as mortes maternas nos Estados Unidos. No mundo em desenvolvimento, a principal causa de morte materna é a hemorragia, no entanto, nos países desenvolvidos, onde a hemorragia é mais frequentemente tratada e prevenida com sucesso, a doença tromboembólica é uma das principais causas de morte.

A prevalência e a gravidade dessa condição durante a gravidez e o período periparto tornam necessário traçar recomendações sobre a terapia nestes casos. Essa terapia inclui o tratamento de eventos trombóticos agudos e profilaxia para aqueles com risco aumentado de eventos trombóticos. O objetivo desta diretriz é fornecer informações sobre os fatores de risco, diagnóstico, tratamento e prevenção de tromboembolismo venoso na gravidez.

 

Recomendações

Avaliação de suspeita de TEV durante a gestação

       Se houver suspeita de TVP, a ultrassonografia é o exame recomendado. Já se houver suspeita de TEP, cintilografia de ventilação-perfusão e mesmo tomografia computadorizada do tórax envolvem níveis aceitáveis de exposição do feto à radiação ionizante.

       Mulheres com história de TEV devem ser testadas para anticorpos antifosfolípides e trombofilias hereditárias para determinar o risco para TEV recorrente.

 

Anticoagulação durante a gestação e o puerpério

       Heparinas de baixo peso molecular (HBPM) e heparina não fracionada (HNF) são geralmente consideradas seguras durante a gravidez; HBPM pode ser interrompida durante o último mês para permitir a anestesia regional no momento do parto.

       Por ser teratogênica, a varfarina deve ser evitada durante a gravidez, exceto em raras situações clínicas que justificam o seu uso após o 1º trimestre.

       Mulheres com alto risco para TEV (p. ex., aquelas trombofilias de alto risco) devem receber terapia anticoagulante durante a gravidez e o pós-parto.

       Mulheres com menor risco para TEV (p. ex., aquelas com trombofilias de baixo risco e não mais do que um episódio anterior de TEV) podem ser observadas sem anticoagulação durante a gravidez, mas, como alternativa, a profilaxia pode ser considerada.

       A profilaxia de TEV deve ser igual ou mais intensa durante o puerpério do que durante o período pré-parto.

       TEV aguda deve ser tratada com doses terapêuticas de HNF guiada pelos níveis de tromboplastina parcial ativada (TTPA) ou HBPM guiada pelos níveis de antifator Xa.

       Mulheres que se submetem a parto cesariano têm um risco adicional para TEV; dispositivos de compressão pneumática devem ser usados no intraoperatório em pacientes que não estão recebendo anticoagulação.

       Reiniciar a anticoagulação 6 a 12 horas após um parto sem complicações é razoável; reiniciar 12 horas após a remoção do cateter epidural é aceitável.

 

Bibliografia

1.   ACOG Committee on Practice Bulletins–Obstetrics. Practice Bulletin No. 123: Thromboembolism in pregnancy. Obstet Gynecol 2011 Sep; 118:718. [link para o artigo] (Fator de Impacto: Não Disponível)

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