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Como determinar quem é a mãe com maior risco para complicações da pré-eclâmpsia

Autor:

Tatiana Pfiffer Favero

Médica Assistente e Pós-graduanda do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Charité-Universitätsmedizin Berlin, Alemanha.

Última revisão: 02/02/2012

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Especialidades / Áreas de Atuação: Obstetrícia / Ginecologia

 

Resumo

Este estudo validou um método para determinar, de modo mais preciso e objetivo, o risco de complicações maternas na pré-eclâmpsia.

 

Contexto clínico

A pré-eclâmpsia, definida como aparecimento de hipertensão (PA > 140 x 90 mmHg) associada a proteinúria após a segunda metade da gravidez, é a maior causa direta de morbidade e mortalidade materna mundialmente. A única cura possível conhecida para a pré-eclâmpsia é a interrupção da gestação. No entanto, são frequentes situações em que é preciso postergar o parto para diminuir a prematuridade e, consequentemente, melhorar os resultados perinatais. A denominada conduta expectante para a pré-eclâmpsia pode levar a riscos maternos de magnitude incerta. Atualmente, não existe um método objetivo para avaliar o real risco que cada paciente corre quando se opta por adiar o parto em benefício fetal. A maioria das instituições seleciona as pacientes que podem ou não ser submetidas a tal conduta com base em critérios subjetivos, como experiência pessoal e opinião de especialistas. Modelos testados anteriormente não foram precisos o bastante em prever e evitar eventos adversos nestas pacientes e, assim, diminuir morbidade e mortalidade maternas. O modelo fullPIERS foi desenvolvido com o intuito de informar ao médico com precisão, baseado em critérios clínicos e laboratoriais, qual paciente está sendo submetida a um risco excessivo, podendo desenvolver, dentro de um determinado intervalo de tempo (2 a 7 dias), complicações graves relacionadas à hipertensão.

 

O estudo

Trata-se de um estudo prospectivo, multicêntrico, realizado em hospitais terciários no Canadá, Nova Zelândia, Austrália e Reino Unido, que incluiu 2.023 gestantes com diagnóstico de pré-eclâmpsia que foram internadas e submetidas à conduta expectante nos centros mencionados, entre setembro de 2003 e janeiro de 2010. Observaram-se 261 complicações (13%) em algum ponto da admissão hospitalar, sendo que 106 deles (5%) ocorreram nas primeiras 48 horas da internação. As complicações consideradas foram morte ou desenvolvimento de grave comprometimento renal, hepático, hematológico, SNC ou do sistema cardiorrespiratório. Os principais fatores preditivos e de risco associados a complicações foram:

 

      presença ou desenvolvimento de dor torácica ou dispneia;

      queda na saturação de oxigênio;

      diminuição da contagem plaquetária;

      elevação dos níveis de creatinina;

      elevação das transaminases.

 

O modelo conseguiu predizer e identificar corretamente as pacientes de risco em 88% dos casos com 48 horas de antecedência e mais de 70% dos casos com 7 dias de antecedência.

 

Aplicações para a prática clínica

Tais informações são valiosas no sentido de poder modificar o tipo de tratamento planejado, por exemplo, determinar o tempo máximo para interrupção da gestação, ou mesmo o local onde a paciente deve ser tratada.

Um efeito importante deste modelo de quantificação de risco também é a identificação de grávidas com baixo risco de desenvolver complicações graves, às quais se pode oferecer, com maior tranquilidade, uma conduta conservadora para maior benefício fetal. Adicionalmente, agrupando estas pacientes em categorias de risco, é possível entender um pouco melhor a fisiopatologia da doença, pois se diferenciam populações heterogêneas dentro do diagnóstico de pré-eclâmpsia.

 

Bibliografia

1.   von Dadelszen P, Payne B, Li J, Ansermino JM, Broughton Pipkin F, Côté AM et al. Prediction of adverse maternal outcomes in pre-eclampsia: development and validation of the fullPIERS model. Lancet. 2011 Jan 15;377(9761):219-27. [link para o artigo] (Fator de Impacto: 33,630)

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