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A importância do rastreamento do câncer de colo uterino

Autor:

Giovanni Mastrantonio Di Favero

Médico Assistente da Disciplina de Ginecologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP) e do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP). Doutor em Medicina pelo Charité-Universitätsmedizin Berlin, Alemanha.

Última revisão: 14/05/2012

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Especialidades: Ginecologia / Oncologia / Medicina de Família e Comunidade

 

Resumo

Estudo observacional, de coorte e de base populacional da Suécia que objetivou determinar se a detecção precoce do câncer de colo uterino por meio do rastreamento populacional resulta, de fato, em melhor prognóstico oncológico.

 

Contexto clínico

O racional do rastreamento cervical é reduzir a incidência do câncer invasivo por meio da detecção e do tratamento das lesões precursoras. O segundo objetivo deste programa é a detecção precoce da doença invasiva, o que pode melhorar sobremaneira o prognóstico e, consequentemente, diminuir a mortalidade. Especificamente em relação a esta neoplasia, ela pode ser diagnosticada tanto por um rastreamento anormal em mulheres assintomáticas, quanto pela presença de sintomas clínicos. O prognóstico do câncer depende, entre outros fatores, da idade da paciente, do tipo histológico, do grau de diferenciação celular e, sobretudo, do estadiamento.

Particularmente na Suécia, o rastreamento é baseado na realização de citologia cervical a cada 3 anos de mulheres entre 23 e 50 anos de idade e a cada 5 anos nas mulheres entre 51 e 60 anos de idade. Revisões de resultados obtidos por esse programa nacional de prevenção do câncer cervical revelaram que, além das formas precursoras, a doença invasora também é diagnosticada numa fase mais precoce. No entanto, a detecção da neoplasia em estádios iniciais, apesar de ser intuitivamente positiva, pode não ser necessariamente benéfica.

 

O estudo

Trata-se de um estudo de coorte de base populacional conduzido na Suécia no qual todos os 1.230 casos de câncer de colo uterino diagnosticados no país entre 1999 e 2001 foram prospectivamente seguidos por um período médio de 8,5 anos. O trabalho objetivou avaliar as taxas de cura da doença estratificadas pela história prévia de rastreamento, forma de diagnóstico, idade, tipo histológico e o estadiamento de acordo com a FIGO. As mulheres que tiveram a neoplasia detectada pelo programa de rastreamento tiveram um índice de cura significativamente superior (92%) em relação às mulheres sintomáticas que não participaram do programa (66%). Mesmo no grupo de pacientes consideradas sintomáticas, notou-se uma diferença positiva considerável no prognóstico (14%) daquelas que já participaram alguma vez do rastreamento (câncer de intervalo) em relação às que nunca foram rastreadas.

 

Aplicações para a prática clínica

O rastreamento do câncer de colo uterino é fundamental, pois, além de possibilitar a prevenção da doença invasiva, leva a um aumento significativo das taxas de cura da neoplasia, embora este não seja o objetivo principal do programa. As informações obtidas com este trabalho podem ser utilizadas como base de uma nova estratégia de rastreamento para o câncer de colo uterino, à medida que a vacina contra o HPV for incorporada aos diversos programas de saúde pública.

 

Bibliografia

1.   Andrae B, Andersson TM-L, Lambert PC, Kemetli L, Silfverdal L, Strander B et al. Screening and cervical cancer cure: population based cohort study. BMJ 2012;344:e900. [link para o artigo] (Fator de Impacto: 13,471)

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