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Importância do rastreamento antenatal do hipotireoidismo materno na função cognitiva da criança

Autor:

Tatiana Pfiffer Favero

Médica Assistente e Pós-graduanda do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Charité-Universitätsmedizin Berlin, Alemanha.

Última revisão: 02/07/2012

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Especialidades: Obstetrícia / Ginecologia / Pediatria / Endocrinologia

 

Resumo

Estudo prospectivo, randomizado e multicêntrico que objetivou avaliar os efeitos do rastreamento e tratamento pré-natal do hipotireoidismo na prevenção de distúrbios da função cognitiva na infância.

 

Contexto clínico

A produção dos hormônios tireoidianos só acontece na vida fetal a partir da 18ª a 20ª semana de gestação. Até esta fase, o feto é totalmente dependente dos níveis circulantes maternos de tiroxina livre (f-T4) para seu o crescimento, desenvolvimento e, especialmente, para a maturação do sistema nervoso central. O iodo é essencial para a síntese do f-T4 e, em populações com deficiência na sua ingesta, diversos autores observaram uma maior prevalência de distúrbios cognitivos. Paralelamente, outros estudos demonstraram que a suplementação pré-concepcional de iodo pode melhorar significativamente o desempenho intelectual das crianças. Sabe-se também que níveis elevados de tireotropina (TSH) durante a gestação estão associados a problemas no desenvolvimento neurológico na infância. O presente trabalho objetivou avaliar os efeitos do rastreamento e tratamento pré-natal do hipotireoidismo materno na prevenção de distúrbios da função cognitiva em crianças até os 3 anos de idade.

 

O estudo

Trata-se de um estudo prospectivo, randomizado e multicêntrico, realizado em 11 centros de cuidados pré-natais distribuídos no Reino Unido e na Itália. A investigação incluiu 21.846 gestantes com menos de 16 semanas nas quais os níveis de f-T4 e TSH foram dosados. As mulheres foram alocadas aleatoriamente para o grupo de estudo (no qual o resultado dos exames era lido imediatamente e o tratamento instituído conforme necessidade) ou grupo controle (resultados eram arquivados e analisados apenas no pós-parto). Pacientes do grupo de estudo com níveis elevados de TSH, níveis baixos de f-T4 ou ambos eram submetidas a tratamento com 150 mcg de levotiroxina por dia. O objetivo primário do estudo foi comparar os valores de Q.I. obtidos aos 3 anos de idade das crianças de gestantes de ambos os grupos com hipotireoidismo. O número de mulheres com o diagnóstico foi similar no grupo rastreado e no controle (390 versus 404, respectivamente). O escore médio de Q.I. obtido nas crianças de ambos os grupos não foi estatisticamente diferente (99,2 versus 100), assim como a proporção de crianças com Q.I. abaixo de 85 (12,1% versus 14,1%).

 

Aplicações para a prática clínica

O estudo mostrou que o rastreamento antenatal e o consequente tratamento do hipotireoidismo materno não resultaram em melhora significativa da função cognitiva nas crianças com 3 anos de idade. O trabalho fornece suporte para a retirada do rastreamento materno de distúrbios tireoidianos dos exames de rotina pré-natal. Em países em desenvolvimento, é preciso investir esses recursos em problemas obstétricos mais relevantes, tais como pré-eclâmpsia, parto prematuro, entre outros.

 

Bibliografia

1.   Lazarus JH, Bestwick JP, Channon S, Paradice R, Maina A, Rees R et al. Antenatal thyroid screening and childhood cognitive function. N Engl J Med 2012; 366:493-501 [link para o artigo] (Fator de Impacto: 53,484).

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