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Os resultados da reprodução assistida podem superar a fecundidade natural das mulheres?

Autor:

Tatiana Pfiffer Favero

Médica Assistente e Pós-graduanda do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Charité-Universitätsmedizin Berlin, Alemanha.

Última revisão: 22/10/2012

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Especialidades: Obstetrícia

 

Resumo

         Estudo retrospectivo baseado no banco de dados da Sociedade Americana de Reprodução Humana (Society for Assisted Reproductive Technology), referente às taxas de sucesso relacionadas a nascimentos de bebês provenientes da reprodução assistida.

 

Contexto clínico

         As taxas de nascidos vivos após o tratamento de casais inférteis por meio de diversos métodos avançados de reprodução humana, como fertilização in vitro (FIV) ou injeção de esperma intracitoplasmática (ICSI), são tradicionalmente calculadas com base nas chances obtidas em cada ciclo. No entanto, essas mulheres frequentemente recebem um tratamento contínuo, de modo que as taxas cumulativas de êxito da terapia sejam provavelmente a medida mais adequada. Estudos prévios que avaliaram as taxas cumulativas de sucesso desses métodos de reprodução assistida se limitaram a determinadas populações. O presente estudo pretende expandir a avaliação desta questão ao analisar o banco de dados nacional dos Estados Unidos, particularmente discriminando as taxas cumulativas de êxito de acordo com o método de tratamento empregado e o uso de óvulos autólogos ou doados.

 

O estudo

         Trata-se de um estudo retrospectivo baseado no banco de dados da Sociedade Americana de Reprodução Humana (Society for Assisted Reproductive Technology), referente às estimativas cumulativas de sucesso em termos de nascidos vivos provenientes de técnicas avançadas de reprodução assistida (FIV ou ICSI), no período de 2004 até 2009. Foram identificadas 246.740 mulheres submetidas a este tipo de tratamento, gerando cerca de 140.000 nascidos vivos. Observamos que as taxas de sucesso diminuem consideravelmente com o aumento da idade materna, sendo que essas mulheres necessitam de um número progressivamente maior de ciclos com óvulos autólogos, fato que não ocorre quando se utilizam oócitos doados. Objetivamente, até o terceiro ciclo (tentativa), a estimativa cumulativa de sucesso cai de cerca de 70% (63 a 74%) em mulheres com menos de 31 anos para cerca de 25% (18 a 28%) em pacientes entre 32 e 42 anos e, até mesmo, para 8% (6 a 11%) quando a idade supera os 43 anos. No entanto, quando se faz uso de ovo-doação, as taxas de sucesso sobem substancialmente para 60 a 80%, independentemente da idade das pacientes. Outro aspecto importante avaliado foi o dia da transferência do embrião: quando ela ocorre na fase de blastocisto (após o 5º ou 6º dia), as chances de êxito são significativamente maiores que na fase de clivagem (após o 2º ou 3º dia); respectivamente, 52 a 80% versus 42 a 65%.

 

Aplicações para a prática clínica

         Os resultados apresentados indicam que os índices de nascidos vivos por meio de técnicas avançadas de RH podem ser comparáveis com a fecundidade natural feminina quando existem características das pacientes e dos óvulos favoráveis. A utilização de oócitos doados é uma alternativa bastante atrativa para mulheres em idade avançada e deve ser cuidadosamente discutida até mesmo antes de se iniciar qualquer tratamento nesta população.

 

Bibliografia

1.    Luke B, Brown MB, Wantman E, Lederman A, Gibbons W, Schattman GL et al. Cumulative birth rates with linked assisted reproductive technology cycles. N Engl J Med 2012; 366:2483-2491. [link para o artigo] (Fator de Impacto: 53,484).

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