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Antidepressivos e defeitos cardíacos no primeiro trimestre de gestação

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 19/08/2014

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Especialidades: Obstetrícia/Pediatria/Cardiologia/Psiquiatria/Segurança do Paciente

 

Contexto Clínico

        Muitas drogas oferecem riscos para o feto durante a gestação. Entretanto, pouco se sabe a respeito dos riscos oferecidos por inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRSs) e outros antidepressivos, principalmente no que concerne risco de malformações cardíacas congênitas. Em particular, há preocupações sobre uma possível associação entre o uso de paroxetina e obstrução da via de saída do ventrículo direito e entre o uso de sertralina e defeitos do septo ventricular.

 

O Estudo

        Este é um estudo observacional do tipo coorte feito entre os anos de 2000 e 2007. Foram incluídos no estudo 949.504 mulheres grávidas. Foram comparados os riscos de grandes defeitos cardíacos entre os recém-nascidos de mulheres que tomaram antidepressivos durante o primeiro trimestre com o risco entre crianças nascidas de mulheres que não usavam antidepressivos, com uma análise ajustada para fatores de confusão em potencial.

        Um total de 64.389 mulheres (6,8%) usaram antidepressivos durante o primeiro trimestre. No geral, 6.403 bebês que não foram expostos aos antidepressivos nasceram com um defeito cardíaco (72,3 crianças com um defeito cardíaco por 10.000 crianças), em comparação com 580 recém-nascidos com exposição (90,1 por 10.000 crianças). Os riscos relativos de qualquer defeito cardíaco com o uso de ISRSs foram de 1,25 (IC95%: 1,13-1,38) na análise não ajustada, 1,12 (IC95%: 1,00-1,26) na análise restrita a mulheres com depressão e 1,06 (IC95%: 0,93-1,22) na análise totalmente ajustada restrita a mulheres com depressão. Não houve associação significativa entre o uso de paroxetina e obstrução da via de saída do ventrículo direito (risco relativo de 1,07, 95% CI, 0,59-1,93) ou entre o uso de sertralina e defeitos do septo ventricular (risco relativo de 1,04, IC de 95%, 0,76-1,41).

 

Aplicações Práticas

        Estudos sobre riscos de medicamentos durante a gravidez são bastante escassos para que se faça uma análise confiável. Faltam muitos dados nesse sentido, e é importante que surjam grandes estudos populacionais para dar substrato a decisões médicas. Os resultados deste grande estudo de coorte sugerem que não há risco substancial de malformações cardíacas atribuíveis ao uso de antidepressivos durante o primeiro trimestre, especialmente a sertralina e a paroxetina, drogas com grande frequência de preferência de prescrição por parte dos médicos. A despeito de ser um estudo observacional retrospectivo, teve um grande número de pacientes incluídas, e uma vez que foi feita uma análise ajustada para fatores de confusão, os dados podem dar respaldo para a decisão ou não de indicar os antidepressivos em pacientes gestantes com margem de segurança.

 

Bibliografia

Huybrechts KF et al. Antidepressant use in pregnancy and the risk of cardiac defects. N Engl J Med 2014 Jun 19; 370:2397. (link para o artigo).

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