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Desfechos de Próteses Mitrais Mecânicas e Biológicas em Adultos de 50 a 70 anos

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 26/08/2015

Comentários de assinantes: 1

Contexto Clínico

Várias situações clínicas promovem valvopatia mitral, e com essas situações muitas vezes vem a necessidade de troca valvar, que ocorre em casos onde é necessário reduzir sintomas e melhorar a sobrevida. Acima de 70 anos a melhor opção é a o uso de prótese valvar biológica. Entretanto, há poucos dados que comparem de forma adequada os desfechos causados pelo uso de próteses mecânicas e biológicas em pacientes abaixo de 70 anos. Conhecer melhor estes dados pode promover uma melhor escolha para o tratamento dos pacientes valvopatas mitrais.

 

O Estudo

Este é um estudo observacional do tipo coorte retrospectivo. A amostra foi de 3.433 pacientes (com 50-69 anos) submetidos à substituição da valva mitral primária, em hospitais do Estado de Nova Iorque entre 1997-2007. O seguimento terminou em 30 de novembro de 2013; tendo duração média de 8,2 anos (variação de 0 a 16,8 anos). Foi comparada a substituição por válvula bioprostética vs substituição da  válvula protética mecânica.

Não houve diferença na sobrevida entre o uso de próteses biológicas ou mecânicas em pacientes com idades entre 50 e 69 anos, pareados por escore de propensão (209 e 221 mortes, respectivamente), ou em uma análise de subgrupo de idade por década. A sobrevida em 15 anos foi de 57,5% (IC95%: 50,5% -64,4%), após a substituição mecânica vs 59,9% (IC95%: 54,8% -65,0%), após a substituição por bioprótese (hazard ratio [HR]: 0,95 [IC95%: 0,79-1,15], P = 0,62). A incidência cumulativa de 15 anos de acidente vascular cerebral foi maior após prótese mecânica (65 eventos; 14,0% de incidência [IC 95%: 9,5% -18,6%]) vs troca valvar por bioprótese (41 eventos; 6,8% de incidência [IC 95%: 4,5%-8,8% ]) (HR: 1,62; IC95%: 1,10-2,39). A incidência cumulativa de 15 anos de reoperação foi menor para mecânica (28 reoperações; 5,0% de incidência [IC95%: 3,1% -6,9%]), em comparação com prótese biológica (47 reoperações; 11,1% de incidência [IC95%: 7,6% -14,6%]) (HR: 0,59; IC95%: 0,37-0,94). A incidência cumulativa de 15 anos de um episódio hemorrágico foi maior para mecânica (72 eventos; 14,9% de incidência [IC95%: 11,0% -18,7%) vs prótese biológica (49 eventos; 9,0% de incidência [IC95%: 6,4% -11,5%] ) (HR: 1,50; IC95%: 1,05-2,16).

 

Aplicações Práticas

Entre os pacientes com idade entre 50 a 69 anos submetidos à substituição da valva mitral, não houve diferença significativa em termos de sobrevida após 15 anos em pacientes pareados por escore de propensão que se submeteram à substituição por prótese mecânica vs substituição por prótese biológica. Próteses mecânicas foram associadas a um menor risco de reoperação, mas aumentaram o risco de hemorragia e de acidente vascular cerebral. Esses dados devem ser colocados de forma clara para o paciente, quando houver necessidade de discussão da terapia a ser feita. Como não há diferença em termos de sobrevida entre os dois tipos de prótese, a escolha fica pautada em maior chance de nova cirurgia ou maior chance de AVC e sangramento.

A tendência dos pacientes, em diversos locais, tem sido de optar pela prótese biológica. Mesmo com necessidade de nova troca valvar quando usada a prótese biológica, devemos lembrar que as tendências apontam para a possibilidade de troca de válvula mitral por prótese biológica por cateter (procedimento minimamente invasivo), o que diminui bastante a morbidade do procedimento. Talvez esse seja mesmo o futura na escolha da valvoplastia mitral.

 

Referências

Chikwe J et al. Survival and outcomes following bioprosthetic vs mechanical mitral valve replacement in patients aged 50 to 69 years. JAMA 2015 Apr 14; 313:1435. (Link para o artigo: http://dx.doi.org/10.1001/jama.2015.3164)

Comentários

Por: Ildemar Cavalcante Guedes em 19/08/2015 às 16:03:41

"O comentário deste artigo é muito útil. Mesmo não sendo cirurgião cardíaco ou cardiologista, eu como clínico geral já fui muitas vezes instado a dar a minha opinião a respeito para pacientes e familiares interessados neste tipo de informação."

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