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Impacto de Cirurgia Bariátrica em Gestação

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 30/09/2015

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Contexto Clínico

A obesidade materna está associada ao aumento do risco de diabetes gestacional, com a ocorrência de bebês grandes para a idade gestacional,  de parto prematuro, com malformações congênitas e parto de natimorto. Porém, não se sabe se os riscos destes desfechos mudam entre as mulheres que se submeteram à cirurgia bariátrica.

 

O Estudo

Foi realizado um estudo observacional. Foram identificadas 627.693 gestações únicas no Registro Médico de Nascimentos Sueco de 2006 a 2011, dos quais 670 ocorreram em mulheres que já haviam sido submetidas à cirurgia bariátrica e para quem o peso pré-cirurgia foi documentado. Para cada gravidez após a cirurgia bariátrica, até cinco gestações de controle foram pareados conforme índice de massa corporal pré-cirúrgico da mãe, idade, paridade, tabagismo, nível de escolaridade e ano do parto. Foram avaliados os riscos de diabetes gestacional, malformações congênitas, de ocorrência de bebê grande para a idade gestacional e pequenos para idade gestacional, nascimento prematuro, natimorto, morte neonatal.

Gestações após a cirurgia bariátrica, em comparação com gestações de controle pareadas, foram associadas com menor risco de diabetes gestacional (1,9% vs. 6,8%; odds ratio, 0,25; IC95%: 0,13-0,47; P <0,001) e ocorrência de bebê grande para a idade gestacional (8,6% vs. 22,4%; OR: 0,33; IC95%: 0,24-0,44; P <0,001). Em contrapartida, eles foram associados com um risco maior de bebês pequenos para a idade gestacional (15,6% vs. 7,6%; OR:  2,20; IC95%: 1,64-2,95; P <0,001) e menor tempo de gestação (273,0 vs . 277,5 dias; diferença média -4,5 dias, IC95%: -2,9 para -6,0; P <0,001), embora o risco de parto pré-termo não tenha sido significativamente diferente (10,0% vs. 7,5%; OR: 1,28; IC95%: 0,92-1,78; P = 0,15). O risco de morte fetal ou neonatal foi de 1,7% versus 0,7% (OR: 2,39; IC95%: 0,98-5,85; P = 0,06). Não houve diferença significativa entre os grupos na frequência de malformações congênitas.

 

Aplicações Práticas

Este estudo, apesar de observacional e de ter ocorrido na Suécia, fornece interessantes interpretações. Podemos concluir que a cirurgia bariátrica foi associada com riscos reduzidos de diabetes gestacional e de crescimento fetal excessivo, mas também com gestação mais curta em duração, e com um risco aumentado de ocorrência de bebês pequenos para a idade gestacional, e possivelmente o aumento da mortalidade, sendo este último item o de mais difícil explicação. Muito mais do que decidir se uma mulher em idade fértil deva ou não optar pela bariátrica se pensarmos em função de uma possível gravidez, devemos lembrar que os dados aqui apresentados servem para saber o que deve ser gerenciado neste perfil de mulher que venha a engravidar. De forma alguma devemos encarar este dado como alguma contraindicação à cirurgia bariátrica, que em última análise está salvando a vida da pessoa que a fez.

 

Bibliografia

Johansson K et al. Outcomes of Pregnancy after Bariatric Surgery. N Engl J Med 2015; 372:814-824.

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