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Continuar ou Parar Aspirina antes de Cirurgia Coronária

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 26/04/2016

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Contexto Clínico

Pacientes sabidamente coronarianos, principalmente após uma síndrome coronariana aguda, recebem recomendação de utilizar aspirina na prevenção primária e secundária de infarto agudo do miocárdio (com efeito, também sobre acidente vascular cerebral e morte). Muitas vezes tais pacientes acabam se tornando candidatos a cirurgias de revascularização coronária, e então surge um impasse, pois a aspirina aumenta o risco de sangramentos. A prática mostra que há muita variabilidade quanto à suspensão ou não da aspirina no pré-operatório, mas ao mesmo tempo não está claro na literatura qual conduta deve ser tomada.

 

O Estudo

Esse é um ensaio clínico randomizado, que teve um delineamento 2x2 em termos de aleatorização dos pacientes que entraram em programação de cirurgia da artéria coronária e em risco de complicações perioperatórias. Os pacientes foram randomizados a receber aspirina ou placebo e ácido tranexâmico ou placebo.

Foi utilizado um delineamento experimental fatorial 2X2 para atribuir aleatoriamente pacientes que foram programados a se submeter à cirurgia da artéria coronária e estavam em risco de complicações perioperatórias para receber aspirina ou placebo e ácido tranexâmico ou placebo. Os resultados do estudo com aspirina são relatados aqui. Os pacientes foram distribuídos aleatoriamente para receber 100 mg de aspirina ou placebo no pré-operatório. O desfecho primário foi um composto de morte e complicações trombóticas (infarto do miocárdio não fatal, acidente vascular cerebral, embolia pulmonar, insuficiência renal, ou infarto do intestino) dentro de 30 dias após a cirurgia.

Entre 5.784 pacientes elegíveis, 2.100 foram inscritos; 1.047 foram randomizados para receber aspirina e 1.053 para receber placebo. Um evento de efeito primário ocorreu em 202 pacientes no grupo tratado com aspirina (19,3%) e em 215 doentes no grupo placebo (20,4%) (risco relativo, 0,94; intervalo de confiança de 95%, 0,80-1,12; P = 0,55). Hemorragia maior levando à reoperação ocorreu em 1,8% dos pacientes no grupo tratado com aspirina e em 2,1% dos pacientes no grupo de placebo (P = 0,75) e tamponamento ocorreu com uma frequência de 1,1% e 0,4%, respectivamente (P = 0,08).

 

Aplicações Práticas

Esse é um excelente estudo randomizado que traz luz a uma grande questão prática que é a suspensão ou não de aspirina no pré-operatório de pacientes coronarianos que farão cirurgia coronária. Os resultados mostraram que a administração de aspirina pré-operatória não resultou em maiores riscos de hemorragia do que o placebo, nem em maiores riscos de morte ou complicações trombóticas (apesar de uma tendência protetora nesse sentido). Pelo menos com base nesse estudo, não seria necessário recomendar a suspensão da aspirina nesses casos. Por outro lado, como os resultados foram comparáveis no grupo placebo, ainda fica a dúvida do que é mais custo-benefício. Pelo menos fica claro que “esperar” o efeito da aspirina passar para operar não faz sentido.

 

Referências

Myles PS et al. Stopping vs. Continuing Aspirin before Coronary Artery Surgery. N Engl J Med 2016; 374:728-737.

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