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Hipotermia Pós-parada Cardíaca Intrahospitalar em Crianças

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 14/09/2017

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Contexto Clínico

 

Em adultos e crianças pós-parada cardíaca em ambiente extra-hospitalar, recomenda-se a administração de medidas voltadas para o controle de temperatura e hipotermia; contudo, os dados sobre a gestão da temperatura após a paragem cardíaca intra-hospitalar são limitados.

 

O Estudo

 

Em um estudo conduzido em 37 hospitais infantis, foram comparadas duas intervenções de temperatura em crianças que tiveram parada cardíaca intra-hospitalar. Dentro de 6 horas após o retorno da circulação, crianças comatosas com idade superior a 48 horas e inferior a 18 anos foram randomizadas para hipotermia terapêutica (temperatura-alvo, 33,0°C) ou normotermia terapêutica (temperatura-alvo, 36,8°C).

O resultado primário de eficácia - a sobrevivência aos 12 meses após a parada cardíaca com pontuação de 70 ou mais na Escala de Comportamento Adaptativo de Vineland, segunda edição (Ecav-II), com pontuação entre 20 e 160, com maior pontuação indicando melhor função - foi avaliado em pacientes que tiveram uma pontuação Ecav-II de, pelo menos, 70 antes da parada cardíaca.

O ensaio foi concluído precocemente por futilidade após 329 doentes terem sido submetidos à randomização. Dentre os 257 com pontuação Ecav-II de, pelo menos, 70 antes da parada cardíaca e que poderiam ser avaliados, a taxa do desfecho de eficácia primário não diferiu de forma significativa entre o grupo de hipotermia e o de normotermia (36% [48 de 133] e 39% [48 de 124], respectivamente; RR, 0,92; IC 95%, 0,67-1,27, P = 0,63).

Entre os 327 pacientes que poderiam ser avaliados pela sobrevida de 1 ano, a taxa de sobrevivência em 1 ano não diferiu significativamente entre o grupo de hipotermia e o de normotermia (49% [81 de 166] e 46% [74 de 161], respectivamente; RR, 1,07; IC 95%, 0,85-1,34, P = 0,56). As incidências de uso de produtos sanguíneos, infecção e eventos adversos graves, bem como de mortalidade em 28 dias, não diferiram muito entre os grupos.

 

Aplicação Prática

 

Neste estudo, entre as crianças comatosas que sobreviveram à parada cardíaca no hospital, a hipotermia terapêutica, em comparação com a normotermia terapêutica, não conferiu um benefício significativo na sobrevida com um resultado funcional favorável. Logo, não se pode recomendar essa prática.

 

Bibliografia

 

Moler FW et al. Therapeutic Hypothermia after In-Hospital Cardiac Arrest in Children. N Engl J Med 2017; 376:318-32.

 

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