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Valproato de Sódio

Última revisão: 02/05/2010

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Reproduzido de:

Formulário Terapêutico Nacional 2008: Rename 2006 [Link Livre para o Documento Original]

Série B. Textos Básicos de Saúde

MINISTÉRIO DA SAÚDE

Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos

Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos

Brasília / DF – 2008

 

Valproato de Sódio

 

Rogério Aparecido Minini dos Santos

José Gilberto Pereira

 

Na Rename 2006: itens 12.1 e 12.2

 

APRESENTAÇÕES

      Cápsula 288 mg (equivalente a 250 mg ácido valpróico).

      Comprimido 576 mg (equivalente a 500 mg ácido valpróico).

      Solução oral ou xarope 57,624 mg/mL (equivalente a 50 mg de ácido valpróico/mL).

 

INDICAÇÕES1,2,4-6,39-41

      Crises generalizadas tônico-clônicas (tipo grande mal).

      Crises generalizadas mioclônicas.

      Crises generalizadas tônicas e clônicas.

      Crises parciais secundariamente generalizadas.

      Crises múltiplas.

      Crises de ausência.

      Estado de mal epiléptico.

      Transtorno afetivo bipolar (episódio maníaco, durante latência de lítio).

      Espasmos infantis (Síndrome de West).

 

CONTRA-INDICAÇÕES1,2,4-6

      Hipersensibilidade ao Valproato de Sódio ou ao ácido valpróico.

      Doença hepática ativa, disfunção hepática significante ou história familiar de hepatopatias.

      Encefalopatia hepática ou desordens no ciclo da uréia não diagnosticadas.

      Porfiria.

 

PRECAUÇÕES1,2,4-6

      Hemograma a cada 6 meses e provas funcionais hepáticas mensais nos primeiros 6 meses e depois a cada 6 meses.

      O risco de hepatotoxicidade (ver apêndice C) está aumentado nas seguintes condições: doença hepática; crianças menores de 2 anos; uso concomitante de vários anticonvulsivantes; desordens metabólicas congênitas; doenças orgânicas de origem cerebral; epilepsia grave acompanhada de retardo mental.

      Pode induzir pancreatite fulminante.

      Categoria de risco na gravidez (FDA): D (ver apêndice A).

      Lactação.

      Suspensão abrupta de tratamento em pacientes epilépticos pode desencadear estado de mal epiléptico.

      Não é recomendado em traumatismo craniano.

      Doses acima de 50 mg/kg/dia não são recomendadas.

      Reações de hipersensibilidade podem ocorrer em até 40 dias do início do tratamento.

      Cautela em pacientes com potencial para hemorragias ou em uso de anticoagulantes, insuficiência renal e lúpus eritematoso sistêmico.

      Efeitos adversos associados a neurotoxicidade são geralmente dose-dependentes, melhorando com redução ou fracionamento da dose diária.

      Ocorrência de efeitos idiossincrásicos como reações cutâneas, hepatite medicamentosa e efeitos hematológicos graves indicam imediata suspensão do tratamento.

      Leucopenia e trombocitopenia leves e alterações transitórias de transaminases não exigem retirada do medicamento.

 

ESQUEMAS DE ADMINISTRAÇÃO2,4-6,40

      A dose de Valproato de Sódio deve ser dada em função do peso e não da idade; ver sugestões de dose na tabela abaixo:

 

Dose diária de Valproato de Sódio em relação ao peso corporal

Peso (kg)

Dose diária (mg)*

10 a 24

250

25 a 39

500

40 a 59

750

60 a 74

2.000

75 a 89

1250

*A dose diária deve ser dividida em duas tomadas. Dose máxima diária: 2.500 mg

 

Adultos

Crises Generalizadas e Parciais

      De 600 a 2.500 mg, por via oral, em doses divididas; pode haver incrementos semanais até alcançar o efeito farmacológico esperado.

 

Crises de Ausência Epiléptica

      De 10 a 15 mg/kg/dia, por via oral, divididos em 3 doses; dose usual: 2.000 a 2.500 mg/dia; dose máxima: 60 mg/kg/dia.

 

Estado de Mal Epiléptico

      Inicialmente, 15 a 25 mg/kg, por via intravenosa, em injeção lenta, seguida de infusão em solução de cloreto de sódio a 0,9%, na dose de 20 a 30 mg/kg/dia, em velocidade de 1 a 4 mg/kg/hora.

 

Transtorno Afetivo Bipolar (Episódio Maníaco)

      Inicialmente 20 mg/kg, por via oral, como dose de ataque.

      Ajustar dose até alcançar o efeito terapêutico desejado (750 a 1.500 mg/dia, em 3 doses).

      Dose máxima: 60 mg/kg/dia.

      Administrar durante o período de latência do lítio.

 

Crianças

Crises Generalizadas e Parciais

      De 10 a 20 kg de peso: inicialmente, 20 mg/kg/dia, por via oral, em doses divididas, podendo ser aumentadas de acordo com o monitoramento das concentrações plasmáticas.

      Acima de 20 kg de peso: inicialmente, 20 a 30 mg/kg/dia, por via oral, em doses divididas, até o máximo de 35 mg/kg/dia.

 

Crises de Ausência Epiléptica

      Inicialmente, 15 mg/kg/dia, por via oral.

      Aumentar semanalmente 5 a 10 mg/kg/dia, até que os efeitos terapêuticos sejam alcançados ou ocorram efeitos adversos.

 

Síndrome de West

      Inicialmente, 15 mg/kg/dia, por via oral.

      Aumentar em 10 mg/kg/dia, a cada 2 dias até que as convulsões cessem ou dose máxima diária de 100 mg/kg seja alcançada.

      Se as convulsões não estiverem reduzidas ou controladas após 4 a 6 semanas, adicionar ao regime dexametasona 0,4 a 0,5 mg/kg/dia, por via oral.

 

ASPECTOS FARMACOCINÉTICOS CLINICAMENTE RELEVANTES5,6

      Boa absorção oral. Alimentos retardam a absorção.

      Pico sérico: 1,2 horas.

      Pico de resposta na epilepsia: em 2 semanas.

      Concentração plasmática desejada: 50 a 150 microgramas/mL.

      Cerca de 10% da concentração plasmática alcança o líquido cérebro-espinhal.

      Atravessa a barreira placentária e é excretado no leite materno.

      O metabolismo hepático pode ser alterado pelo uso concomitante de outros anticonvulsivantes.

      Excreção renal, predominantemente de metabólitos inativos. Pode ser extraído por hemodiálise e diálise peritonial.

      Meia-vida de eliminação: 6 a 17 horas.

 

EFEITOS ADVERSOS5

      Alopecia (5 a 6%), rash cutâneo (3%).

      Aumento do apetite (2%), diminuição do apetite (12%), ganho de peso (6%), perda de peso (6%), dor abdominal (5 a 17%), constipação (4%), diarréia (5 a 7%), indigestão (4%), náuseas (7 a 34%), vômitos (9 a 20%).

      Pancreatite fulminante.

      Dores nas costas (2%); bronquites (4%).

      Febre (2%).

      Doenças infecciosas (6%); influenza (3%).

      Amnésia (4%), astenia (3 a 20%), ataxia (7%), vertigem (6 a 12%), cefaléia (10%), sonolência (7 a 16%), tremor (9 a 19%); distúrbios do pensamento (6%), alterações do humor (2%); declínio cognitivo leve.

      Ambliopia (3%), visão embaçada (3%), diplopia (7%).

      Trombocitopenia e leucopenia dose-dependentes (27%).

      Hepatite, hepatotoxicidade, insuficiência hepática (incidência geral 1/10.000); risco aumentado em crianças com menos de dois anos de idade.

 

INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS5

      Com lamotrigina há aumento da meia-vida desta, determinando toxicidade desta e aumentando o risco de eritemas fatais. Se o uso concomitante for necessário, a dose de lamotrigina deve ser titulada a cada 2 semanas até que o efeito terapêutico seja alcançado, sem que os efeitos adversos graves tenham surgido.

      Com primidona pode ocorrer depressão grave do SNC. Monitorar neurotoxicidade. Se necessário, a dose de primidona deve ser diminuída.

      Associado à carbamazepina, aumenta a toxicidade da carbamazepina e reduz a efetividade do valproato. Monitorar concentrações plasmáticas de ambos os fármacos. Se necessário, a dose de valproato deve ser aumentada.

      Com fenitoína, há alteração das concentrações plasmáticas de ambos os fármacos. Monitorar concentrações plasmáticas de ambos, visando a concentração de equilíbrio estável para cada um.

      Com etossuximida, há aumento do risco de toxicidade desta. Monitorar para alterações nas concentrações plasmáticas de ambos os fármacos.

      Felbamato em associação, pode resultar no aumento das concentrações plasmáticas de valproato. Pode ser necessária a redução da dose do valproato.

      Com lorazepam pode ter aumento das concentrações séricas. A dose de lorazepam deve ser reduzida em 50%.

      Com zidovudina: pode resultar no aumento das concentrações plasmáticas e conseqüente toxicidade da zidovudina. Monitorar o paciente para sinais de toxicidade. Se necessário, reduzir a dose.

      Associado a colestiramina pode resultar na redução das concentrações plasmáticas de valproato. Administrar a colestiramina no mínimo 3 horas após o valproato. Monitorar o paciente para a efetividade do valproato.

      Associado a mefloquina: pode resultar na perda de controle das convulsões. Monitorar as concentrações plasmáticas de valproato. Ajustar a dose, se necessário. Monitorar o paciente para o controle das convulsões.

      Com aciclovir reduz concentrações plasmáticas de valproato. Monitorar as concentrações plasmáticas de valproato. Considerar a substituição do aciclovir por outro antiviral.

      Com risperidona: pode resultar no aumento das concentrações plasmáticas de valproato. Monitorar as concentrações plasmáticas de valproato e amônia. Considerar a redução da dose de risperidona.

      Salicilatos em doses repetidas podem aumentar a concentração de valproato livre. Monitorar ou considerar a possibilidade de usar paracetamol.

      Com oxcarbazepina: pode resultar na redução da efetividade da oxcarbazepina. Monitorar o paciente em relação aos efeitos terapêuticos.

 

ORIENTAÇÕES AOS PACIENTES4,5

      Orientar às mulheres em idade fértil para utilizar métodos seguros de contracepção.

      Alertar para evitar uso de outros medicamentos, incluindo fitoterápicos e chás.

      Orientar para tomar o medicamento com alimentos, para diminuir a irritação gástrica.

      Orientar para não mastigar, quebrar ou triturar os comprimidos de valproato.

      Orientar para a necessidade de ter cautela com atividades que exijam atenção, como dirigir veículos ou operar máquinas.

      Alertar para não usar bebidas alcoólicas durante o tratamento com valproato.

      Alertar para não suspender abruptamente, devido ao risco de desencadear o estado epiléptico.

      Alertar para notificar sintomas digestivos como náusea e vômitos acompanhados de forte dor abdominal, bem como sinais de fraqueza, letargia, disfunção cognitiva, perda de consciência e do controle sobre as convulsões.

 

ASPECTOS FARMACÊUTICOS5

      As formas orais de Valproato de Sódio devem ser armazenadas em temperaturas controladas entre 15 e 25°C, protegidas da luz, umidade e calor excessivo. Não expor a temperaturas acima de 30°C.

 

ATENÇÃO: Valproato de Sódio é a primeira escolha para crises generalizadas primárias, de ausência e mioclônicas (estudos de nível I). Atentar para risco de hepatotoxicidade e pancreatite aguda que é maior em crianças com menos de 2 anos de idade, em uso concomitante de vários anticonvulsivantes, em portador de retardo mental ou com doença orgânica de origem cerebral. Testes de função hepática devem ser realizados em todos os pacientes que irão receber valproato, e periodicamente nos primeiros seis meses de tratamento.

 

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