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Osteoporose

Autor:

Rodrigo Antonio Brandão Neto

Médico Assistente da Disciplina de Emergências Clínicas do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP

Última revisão: 18/05/2009

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Quadro Clínico

            Mulher de 70 anos de idade, procurou o médico pois está particularmente preocupada que possa ter “fraqueza nos ossos” da mesma forma que seus familiares diretos (mãe e 2 irmãs). A paciente é magra com IMC de 18,5, branca e apresenta como antecedente um episódio de trombose venosa profunda que ocorreu há cerca de 10 anos atrás apos uma cirurgia realizada por apendicite. Desde então faz uso de varfarina 5 mg ao dia, não fazendo exames de controle. Realizou por conta própria uma densitometria óssea que revelou um índice T de -2,7 em coluna lombar e -2,9 em colo de fêmur. Qual deve ser sua conduta?

 

Comentários

            A osteoporose é o distúrbio osteometabólico mais comum, acometendo mais de 200 milhões de mulheres em todo o mundo e aproximadamente 10 milhões de mulheres no Brasil. Cerca de 15 a 20% de todas as mulheres após a menopausa apresentam osteoporose, aumentando sua prevalência com a idade. O custo associado com as fraturas osteoporóticas é elevado, entretanto, menos de 25% das mulheres que já sofreram uma fratura por osteoporose estão recebendo tratamento apropriado.

         A osteoporose, ao contrario da crença popular, não costuma apresentar sintomas até que ocorra a fratura óssea. Considerando-se que a mortalidade de uma fratura de colo de fémur é de cerca de 25-30% ao ano em algumas estatística em pacientes idosos, torna-se particularmente importante sua prevenção.

         Alguns fatores de risco podem ser identificados, sendo o principal deles a história familiar de fraturas não associadas a trauma. Sabemos ainda que mulheres após os 50 anos de idade apresentam risco de fratura vertebral ou de quadril três vezes maior e de fratura de punho seis vezes maior do que os homens da mesma faixa etária. As caucasianas e asiáticas apresentam risco maior do que negras e hispânicas, pois estas desenvolvem maior pico de massa óssea e têm menor perda no pós-menopausa. A tabela 1 sumariza os principais fatores de risco associados ao desenvolvimento de osteoporose.

 

Tabela 1: fatores de risco associados ao desenvolvimento de osteoporose

         Sexo feminino

         Idade avançada (>65 anos)

         Caucasianos e asiáticos

         História familiar

         História prévia de fratura

         Deficiência estrogênica

         Menopausa precoce

         IMC <19kg/m2

         Tabagismo

         Etilismo

         Aumento da homocisteína

         Tratamento quimioterápico de neoplasias

         Hipogonadismo

         Deficiência de vitamina B12

         Anorexia nervosa

         Terapia prolongada com glicocorticóides

         Medicações que alteram metabolismo ósseo (em particular os anticonvulsivantes)

         Imobilização prolongada

         Hiperparatireoidismo

         Hipertireoidismo

         Má-absorção intestinal

 

         Além dos fatores de risco para desenvolvimento de osteoporose, também devemos atentar para os fatores de risco para o desenvolvimento de fraturas em pacientes com osteoporose. A tabela 2 cita os fatores de risco considerados pela National Osteoporosis Foundation como de risco para desenvolvimento de fraturas.

 

 Tabela 2: Fatores de risco para desenvolvimento de fraturas

Fatores de risco maiores

         História pessoal de fraturas na vida adulta

         História de fratura de fragilidade em parente de primeiro grau

         Índice de massa corporal diminuído (<19 Kg/m2)

         Tabagismo

         Uso de corticoterapia oral por mais de 3 meses

Fatores de risco adicionais

         Alteração de visão

         Menopausa precoce (<45 anos)

         Demência

         Estado de saúde debilitado/fragilidade física

         História recente de quedas

         Baixa ingesta de cálcio durante a vida

         Sedentarismo

         Uso regular de bebida alcoólica (> 2 doses/dia)

 

    O exame utilizado para definir a presença de osteoporose ou não é a densitometria óssea, que é validada como instrumento no manejo destes pacientes em vários estudos. O exame fornece o valor absoluto da densidade mineral óssea da área estudada, em g/cm2. Embora densidade seja uma medida volumétrica e a densidade mineral óssea (BMD) seja o resultado do conteúdo mineral ósseo dividido pela “área” e não por “volume” de osso, existe grande correlação entre a densidade por “área” e a densidade volumétrica, medida por tomografia computadorizada.

         O laudo também fornece o número de desvios padrão (DP) do resultado obtido em relação à média de adultos jovens, população que representa o pico de massa óssea. Esse desvio padrão, ou escore T, é usado para definir o diagnóstico de osteoporose segundo os critérios da Organização Mundial da Saúde (tabela 3). Para cada DP abaixo da média, eleva-se de 1,5 a 3 vezes o risco de fraturas osteoporóticas, dependendo do sítio ósseo analisado. Mais de 90% dos indivíduos com fraturas a mínimos traumas ou atraumáticas têm valores de densidade mineral óssea abaixo de -2,5 DP da média de adultos jovens.

         Já o escore Z é o número de DP em relação à média esperada para a idade do paciente e representa outro parâmetro de interesse, particularmente nas osteoporoses secundárias a doenças crônicas ou ao uso crônico de medicamentos que afetam a massa óssea.

         Os locais mais investigados pela densitometria óssea são a coluna lombar (PA e perfil) e o colo do fêmur. O antebraço distal, calcâneo e, eventualmente, o corpo inteiro (verificando a composição corporal) podem ser investigados.

         O exame da coluna lombar em posição póstero-anterior avalia o segmento de L1 a L4 e é o que apresenta melhor sensibilidade para a monitoração terapêutica. O exame da coluna lombar na projeção lateral permite que se excluam as estruturas posteriores dos corpos vertebrais, minimizando os efeitos somatórios da doença osteo-degenerativa sobre a densidade mineral óssea. Porém, a dificuldade de se posicionar o paciente, além das deformidades torácicas comuns aos idosos, faz com que a reprodutibilidade do exame seja questionável. Dados esses motivos, o exame lateral não é realizado na maioria dos centros para o diagnóstico de osteoporose.

         A análise do fêmur proximal envolve a medida de BMD em três regiões: colo do fêmur, trocanter maior e a região do triângulo de Wards. Contudo, a área de Wards não pode ser usada para o diagnóstico de osteoporose, pois superestima o percentual esperado de indivíduos osteoporóticos.

         A avaliação da BMD do antebraço é realizada principalmente nos pacientes com hiperparatireoisdismo primário, pois a perda óssea afeta predominantemente o osso cortical.

Em relação a densitometria óssea poderemos classificar o paciente como apresentando densitometria normal, osteopenia ou osteoporose, a classificação da osteopenia e osteoporose conforme densidade óssea segue abaixo na tabela 3.

 

Tabela 3:Classificação da osteopenia e osteoporose conforme a densidade óssea

Normal

índice T até -1DP

Osteopenia

índice T entre -1 e -2,5 DP

osteoporose densitométrica

índice T < -2,5 DP

osteoporose estabelecida

índice T = -2,5 DP com presença de fratura

 

Recomendações de rastreamento

         O rastreamento da osteoporose por densitometria é indicado em algumas situações, diferentes sociedades apresentam diferentes critérios de rastreamento, citamos os critérios das principais sociedades:

 

National Osteoporosis Foundation

 

         Aconselhamento quanto a fatores de risco e cessação de tabagismo para todas as mulheres.

         A densidade óssea deve ser mensurada em todas as mulheres de 65 ou mais anos de idade e em mulheres com menos de 65 anos em menopausa com um ou mais fatores de risco.

 

Tabela 4: Recomendação da National Osteoporosis Foundation para realização de densitometria óssea no rastreamento de osteoporose

         Todas as mulheres com idade > ou igual a 65 anos

         Mulheres com menos de 65 anos com 1 ou mais fatores de risco além da menopausa

         Mulheres pós-menopausa com fraturas ou deformidades vertebrais

         Mulheres candidatas a tratamento da osteoporose

         Mulheres em terapia de reposição hormonal por tempo prolongado

 

US Prevention Task Force

 

         Rastreamento de mulheres acima de 65 anos de idade;

         Mulheres acima de 60 anos com risco de fraturas osteoporóticas.

         Não apresenta, entretanto, recomendações contrárias ou favoráveis ao rastreamento em outros grupos.

 

American Academy of Family Physicians

 

         Rastreamento em mulheres de 40 a 64 anos de idade com fatores de risco para desenvolver osteoporose.

 

            Nossa paciente apresenta idade acima de 65 anos de idade, história familiar de osteoporose, é caucasiana e tem baixo índice de massa corpórea. Tem ainda antecedente de uso crônico de Varfarina, que é associado com risco aumentado de osteoporose. Nesta paciente deve-se considerar alem do rastreamento para osteoporose a retirada da anticoagulação, pois esta paciente apresentava fator de risco identificável para desenvolver TVP, situação na qual a anticoagulação é usualmente indicada por apenas 3 a 6 meses. No caso da nossa paciente, verificou-se osteoporose densitométrica estabelecida com índice T em colo de fêmur de – 2,7DP e em coluna lombar de – 2,6DP.

 

Tratamento de osteoporose

            O tratamento dos pacientes com osteoporose inclui modificações nos hábitos de vida, dieta e terapia medicamentosa.

 

Terapia não- Medicamentosa

            A abordagem não farmacológica da osteoporose consiste de três medidas, que são: dieta, exercício físico e cessação do tabagismo.

 

         Dieta e suplementação vitamínica: Recomenda-se dieta com ingestão calórica apropriada, evitando-se sobrepeso ou  desnutrição, e com valores adequados de cálcio e vitamina D. Em mulheres após a menopausa, deve-se suplementar cálcio, de 500 a 1000 mg/dia, sendo o total recomendado de 1500 mg/dia (considerando o cálcio presente na dieta). A dose recomendada diária de vitamina D, por sua vez, é de 800 U/dia. Caso apresente má-absorção ou outra condição que prejudique o metabolismo de vitamina D, como o uso de anticonvulsivantes, doses maiores podem ser necessárias.

         Exercício físico: Exercício por 30 minutos ou mais, ininterruptos, por 3 ou mais vezes na semana, associa-se com o aumento de densidade óssea (principalmente em pacientes mais jovens) e da força muscular, com efeito teórico em  diminuir o risco de fraturas.

         Parar de fumar: Ocorre diminuição de 5 a 10% da massa óssea em pacientes que fumam 1 maço de cigarros/dia durante a vida adulta. Por esse e outros motivos, é fortemente recomendado que se pare de fumar.

 

Terapia Medicamentosa

         Como opções terapêuticas, temos as medicações anti-reabsortivas, como os bifosfonados, e o estrógeno (em mulheres pós-menopausadas). Existe controvérsia em quando introduzir os agentes anti-reabsortivos, com o consenso da  National Osteoporosis Foundation recomendando a introdução desses agentes quando o índice T for menor que -2 DP em pacientes sem fatores de risco para fraturas, e com índice T menor que -1,5 DP em pacientes com fatores de risco para fratura. Já a American Association of Clinical Endocrinology recomenda o tratamento quando o índice T for menor que -2,5 DP ou menor que -1,5 DP em pacientes com fraturas.

         Na maioria dos casos, a primeira linha de tratamento para o tratamento da osteoporose será o uso dos agentes bifosfonados.

         Estes agentes reduzem o risco de fraturas de colo de fêmur e coluna em pacientes com lesões prévias ou com fatores de risco, são análogos dos pirofosfatos, suprimindo a reabsorção mediada por osteoclastos por estimularem a apoptose destes e diminuindo indiretamente a atividade dos osteoblastos.

         Devem ser tomados em jejum com um ou dois copo de água. Não ingerir alimentos ou outros medicamentos e não deitar por no mínimo trinta minutos, a fim de reduzir risco de esofagite e melhorar sua absorção. O alendronato é tomado em dose diária de 5 a 10mg ou semanal de 70mg, enquanto o risedronato em dose diária de 5mg ou semanal de 35mg. Recentemente foram descritos resultados significativos, inclusive com diminuição de mortalidade com o uso do ácido zolendrônico, que pode ser usado uma vez a cada ano no tratamento da osteoporose

     Os efeitos adversos são principalmente relacionados com o trato gastrointestinal como: náuseas, vômito e queimação retroesternal resultantes da inflamação e, raramente, ulceração esofágica.

         Outro fator importante é a deficiência estrogênica, que é a principal causa de osteoporose em mulheres. A terapia de reposição hormonal reduz a incidência de fraturas de coluna e fêmur em 34%. A ação dos estrógenos parece estar relacionada com a diminuição de fatores inflamatórios envolvidos na maior remodelação óssea. Os estrogênios conjugados na dose de 0,625mg/dia, em associação com medroxiprogesterona, foram usados por vários anos como primeira escolha para prevenção e tratamento da osteoporose em mulheres na pós-menopausa.

         Todavia, os trabalhos mais recentes com tais medicações, entre eles o Women’s Health Initiative Study (WHI), mostram aumento da incidência de doença cardiovascular, tromboembolismo pulmonar e de câncer de mama com o uso de estrogênios conjugados via oral nessas doses. O WHI, porém, foi o primeiro estudo controlado que demonstrou que a TRH protege contra fraturas osteoporóticas de coluna e contra câncer colorretal. Deve-se acrescentar que o maior benefício com o uso da terapia de reposição hormonal encontra-se nos primeiros anos após a menopausa, perdendo boa parte de seus efeitos 5 a 10 anos após esse período, como é provavelmente o caso de nossa paciente.

         Atualmente, a TRH é indicada para pacientes na menopausa com sintomas vasomotores importantes.

        O uso dos moduladores seletivos do receptor estrogênico ou SREMs (p. ex., raloxifeno) também são uma opção para o tratamento, eles agem seletivamente como agonistas parciais ou antagonistas em diversos tecidos-alvos, dependendo da predominância de um dos tipos de receptores estrogênicos: a (ativador) ou b (inibitório), tendo ação diminuidora da reabsorção óssea. A medicação foi avaliada no estudo MORE (Multiple Outcomes of Raloxifene Evaluation), com aumento de densidade óssea de 2,1% na coluna lombar e 2,6% no colo do fêmur (ganho menor do que é obtido com bifosfonados e  estrogênios). Também o efeito nos marcadores de reabsorção óssea são menores do que os obtidos com bifosfonados e estrogênios.

       O PTH recombinante é uma outra opção, apresenta efeito análogo ao PTH representado pelos primeiros 34 aminoácidos da sua porção aminoterminal. Enquanto doses altas de PTH aumentam a reabsorção óssea, doses baixas e intermitentes promovem a formação óssea e o aumento da densidade mineral na coluna e quadril (semelhante ao quadro de hiperparatiroidismo). É contra-indicado em pacientes com risco aumentado para osteossarcoma, doença de Paget, elevação inexplicada da fosfatase alcalina, epífises abertas e radioterapia prévia. A medicação age aumentando o tempo de vida dos osteoblastos, reduzindo a apoptose, não afetando a nova geração dessas células. Sua indicação é em pacientes com alto risco de fratura que não estão apresentando resposta aos bifosfonados.

       Outra opção estudada recentemente é o ranelato de estrôncio, que em animais, parece aumentar a formação e inibir a reabsorção óssea. Houve efeitos promissores, com diminuição de fraturas vertebrais, em dois estudos e uma meta-análise, mas com efeito menor nas outras fraturas.

       Os fluoretos também foram avaliados no tratamento da osteoporose, pois aumentam a formação óssea e poderiam ter efeito sinérgico com medicação que diminua a reabsorção óssea. O agente foi associado em um estudo com aumento de densidade óssea principalmente no esqueleto axial, mas seu uso foi associado em um estudo ao aumento de fraturas em outros sítios.

         Outras medicações estudadas são as tibolonas e isoflavonas, mas que até o momento não apresentam efeitos que justifiquem seu uso nestes pacientes.

            O seguimento destes pacientes deve ser realizado com densitometria óssea cada 1 a 2 anos, os marcadores bioquímicos podem ainda ser utilizados para o seguimento em tempo menor (3-6 meses) para avaliar resposta ao tratamento, mas seu papel ainda é discutido na literatura.

 

Prescrição

            A prescrição ambulatorial para esta paciente poderia ser:

 

Tabela 5: prescrição ambulatorial de osteoporose

1.     Dieta rica em cálcio com carbonato de cálcio 500 mg antes do almoço e jantar

A reposição de cálcio é recomendada com cerca de 1000-1500 mg ao dia, entre cálcio da dieta e reposição com comprimidos de cálcio, a quantidade de cálcio em diversas formulações está no comentário das medicações.

2.     Vitamina D 400 a 800 unidades ao dia ou Calcitriol 0,25 mcg 2 x ao dia

A dose recomendada de reposição de vitamina D é de 400 a 800 unidades ao dia ou 0,25-0,50 mcg de calcitrol ao dia. Em pacientes idosos frequentemente ocorre diminuição da conversão da vitamina D em 1,25 hidroxicolecalciferol que é a sua forma ativa, assim alguns autores preferem realizar a reposição com calcitriol.

3.     Alendronato 70 mg 1 x por semana, tomar em jejum com um copo grande de aua 30 minutos antes da primeira refeição e tomar a medicação em posição ereta.

Os bifosfonados são as medicações de escolha para o tratamento destes pacientes, outras medicações podem ser introduzidas conforme resposta na densitometria óssea. A medicação pode causar esofagite de refluxo, assim se prefere tomar a medicação em pé.

 

Medicações

 

Bifosfonatos Orais

            Reduz o risco de fraturas de colo de fêmur e coluna em pacientes com fraturas prévias e pacientes com fatores de risco. Vários estudos tem sido realizados com os bifosfonatos parenterais

 

Modo de ação

            São análogos dos pirofosfatos. Suprimem a reabsorção mediada por osteoclastos por estimularem a apoptose nestes e diminuem indiretamente a atividade dos osteoblastos.

 

Indicação

 

         Tratamento da osteoporose nas mulheres na pós-menopausa, em homens e na osteoporose induzida por glicocorticóides

         Prevenção da osteoporose em mulheres na pré-menopausa e em pacientes em uso crônico de corticóides em altas doses (equivalentes a 7,5 mg de prednisona por 3 meses).

         Doença de Paget

 

Posologia

 

         Devem ser tomados em jejum com um ou dois copo de água. Não ingerir alimentos ou outros medicamentos e não deitar por no mínimo 30 min após a administração do bifosfonato a fim de reduzir risco de esofagite e melhorar sua absorção.

         Alendronato - dose diária de 5 a 10mg ou semanal de 70mg.

         Risendronato – dose diária de 5mg ou semanal de 35mg

 

Efeitos adversos

 

         Gastrointestinais – são os efeitos colaterais mais freqüentes. Os principais sintomas são náuseas, vômito e queimação retroesternal resultantes da inflamação e raramente ulceração esofágica.

         Metabolismo do cálcio – 20% dos pacientes apresentam hipocalcemia laboratorial, com o nadir no primeiro mês e retorno aos níveis normais com o uso continuado. Hipocalcemia sintomática ocorre em pacientes com osteomalácia ou com deficiência de vitamina D.

 

Apresentação comercial

 

         Alendronato sódico - Alendil , Cleveron, Endronax, Endrox, Osteonan, Osteoform, Fosamax: comprimidos  de 5, 10 e 70mg. Medicamento genérico: comprimido de 10mg.

         Risendronato sódico – actonel: comprimidos de 5 e 35mg

 

Monitorização

            Marcadores de reabsorção óssea em 3 a 6 meses. Cálcio e fósforo séricos. Repetir a densitometria óssea em 1 ano.

 

Classificação na gravidez

            Classe C

 

Interações medicamentosas

 

         Antiácidos e sais de cálcio – podem diminuir a absorção dos bifosfonatos, administrar estes 2h antes

         AAS, cafeína, depressores do sistema nervoso central - podem aumentar o risco de eventos gastrointestinais

 

Sais de Cálcio

            Em geral, há necessidade de complemento do cálcio na dieta, principalmente em idosos acima dos 70 anos nos quais a absorção esta diminuída. O risco de calculose renal deve ser considerado nos pacientes com história de calculose anterior e quando apresentam hipercalciúria (excreção cálcio urinário nas 24 horas maior que 4 mg /Kg de peso). Deve-se avaliar a ingestão diária de cálcio antes de prescrever os suplementos. A ingestão diária recomendada de cálcio elementar na dieta varia de 1000 a 1500mg/dia.

 

Tabela 6: percentagem de cálcio elementar nos vários tipos de sais

Sal de Cálcio

Cálcio elementar (%)

Carbonato de cálcio

40.0

Fosfato de cálcio

39.0

Acetato de cálcio

25.0

Citrato de cálcio

21.0

Lactato de cálcio

13.0

Gluconato de cálcio

9.0

Glucobionato de cálcio

6.5

 

Indicações

 

         Prevenção da osteoporose

         Hipocalcemia

         Raquitismo

 

Posologia

Dose diária de cálcio elementar – de 1.000 a 1.500g. A suplementação de cálcio varia de 500 a 1.000g conforme a quantidade de cálcio na dieta. Deve ser dado após as refeições devido a sua melhor absorção no meio ácido. Caso seja necessária apenas uma dose diária, deve ser dada à noite. Os principais tipos de sais são:

 

         Carbonato de cálcio – é o mais barato e comumente usado. Deve ser dado após as refeições devido a sua melhor absorção no meio ácido. Caso seja necessária apenas uma dose diária, deve ser dada à noite. Efeitos colaterais – constipação intestinal, náuseas, dispepsia, hipercalcemia e hipercalciúria.

         Citrato de cálcio - A absorção de cálcio a partir do citrato de cálcio é superior que a do carbonato de cálcio, é pouco afetada pela presença de alimentos e não sofre variação significante nos pacientes com hipo ou acloridria.

 

Efeitos adversos

            Constipação intestinal, anorexia, náuseas, vômitos, dor abdominal, cefaléia, confusão mental, hipofosfatemia, hipercalcemia, hipercalciúria e síndrome milk-alcali.

 

Apresentação

Serão descritas as apresentações dos sais de cálcio associados ou não à vitamina D:

 

         Calcijex - ampolas de 1 ml com 1 mcg de calcitriol. Utilizado para o tratamento da hipocalcemia em pacientes submetidos à diálise renal cronicamente.

         Calcium Sandoz + Vitamina C –  Comprimidos efervescentes com 1000mg Carbonato e lactobionato de cálcio associado ao ácido ascórbico.

         Calcium Sandoz F- Comprimidos efervescentes com 500mg de cálcio na forma de lactobionato e carbonato de cálcio.

         Calcium Sandoz F FComprimidos efervescentes com 1000mg de cálcio na forma de lactobionato e carbonato de cálcio.

         Calcium Sandoz F Xarope Frasco com 200 ml de glucobionato e lactobionato de cálcio.

         Os-cal 500 – Comprimidos com 500mg de cálcio na forma de carbonato de cálcio.

         Os-Cal 500 + DComprimidos com 500mg de cálcio na forma de carbonato de cálcio + Vitamina D 125 UI..

         Miocalven - Saches com 500mg de cálcio na forma de citrato de cálcio.

         Miocalven D – Saches com 500mg de cálcio na forma de citrato de cálcio + vitamina D.

         Aderogil D3 – Solução oral em gotas com vitaminas A e D3.

         Rocaltrol – Comprimidos com. 0,25 mcg de calcitriol.

 

Monitorização

            Cálcio, fósforo e creatinina séricos e cálcio urinário a cada 3 meses. Se houver hipercalciúria (>4mg/Kg/peso ao dia) pode-se associar diurético tiazídico com a finalidade de reduzir o risco de nefrolitíase, tendo-se cuidado para não produzir hipercalcemia.

 

Classificação na gravidez

            Classe C

 

Interações medicamentosas

 

         Diuréticos tiazídicos – aumento do risco de hipercalcemia, principalmente se associados à inibidor do receptor da angiotensina II, inibidor da enzima de conversão da angiontensina e betabloqueadores .

         Bifosfonatos orais – os sais de cálcio diminuem a absorção dos bifosfonatos e devem ser dados após 2h da ingestão dos bifosfonatos

         Digoxina – aumento do risco de arritmias

         Hormônios tiroidianos, fenitoína, tetraciclina, sais de ferro, fosfato, quinolonas orais – diminuem a absorção destes compostos e devem ser administrados de 1 a 2h após ou 4h antes destes.

 

Vitamina D

            A suplementação com vitamina D nas doses de 400 a 800UI ou 0,25 a 0,50 mcg/dia de calcitriol ao dia são usadas como tratamento adjunto às outras terapias para osteoporose, tanto anti-reabsortivas quanto estimuladoras da formação óssea. Combinado com cálcio reduz perda óssea e incidência de fraturas não-vertebrais em pacientes.

 

Modo de ação

            Estimula a absorção de cálcio no intestino

 

Indicação

 

         Prevenção da osteoporose

         Hipocalcemia

 

Posologia

            Doses de 400 a 800 UI de vitamina D2 ou 0,25 a 0,50 mcg/dia de calcitriol (vit D3) ao dia

 

Efeitos adversos

            Sintomas gastrointestinais, hipercalcemia, hipercalciúria, calcificação metastática

 

Apresentação

            Descrita em conjunto com os sais de cálcio.

 

Monitorização

            Os mesmos que os sais de cálcio

 

Classificação na gravidez

            Classe D

 

Interações medicamentosas

            Resinas quelantes de sais biliares e orlistat (Xenical) – diminuem a absorção de vitaminas lipossolúveis. A vitamina D deve ser administrada 2 horas antes ou após orlistat e 2h antes ou 4h após resinas.

 

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