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Pericardite

Autor:

Leonardo Vieira da Rosa

Médico Cardiologista pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Médico Assistente da Unidade de Terapia Intensiva do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Doutorando em Cardiologia do InCor-HC-FMUSP. Médico Cardiologista da Unidade Coronariana do Hospital Sírio Libanês.

Última revisão: 19/03/2012

Comentários de assinantes: 3

            Paciente de 20 anos de idade, após resfriado que durou três dias, começou apresentar dor em região interescapular e cervical, tosse seca e febrícula. No pronto-socorro, o plantonista auscultou um frêmito de fricção semelhante ao “ranger do couro do sapato”. Solicitou exames laboratoriais, radiografia de tórax e eletrocardiograma.

 

1.     Antes do resultado dos exames, qual a sua principal hipótese?

( ) Dissecção aórtica.

( ) Tamponamento cardíaco.

( ) Pericardite.

 

2.     Após alguns minutos, o eletrocardiograma foi realizado. Quais achados eletrocardiográficos confirmam o diagnóstico presuntivo?

 

( ) Infradesnível do ST.

( ) Supradesnível do ST.

( ) Supra de PR.

( ) Infra de PR.

 

Eletrocardiograma

 

Discussão

O atrito pericárdico apresenta altíssima especificidade (quase 100%) podendo ser encontrado em 85% dos casos de Pericardite. Caracteriza-se por som de alta frequência, mais bem auscultado em região esternal esquerda, com o paciente sentado e inclinado para frente. Em 50% das vezes, é trifásico, em 30% é bifásico e em 20%, monofásico. Geralmente é intermitente, sendo necessária ausculta cardíaca repetida, com o objetivo de identificá-lo.

Em alguns casos, pode-se verificar discreta elevação dos marcadores de necrose miocárdica, sugerindo comprometimento do epicárdio subjacente. Outros exames sanguíneos podem estar alterados, o que depende basicamente da etiologia da Pericardite.

Os achados eletrocardiográficos na Pericardite aguda consistem em elevação difusa do segmento ST e, às vezes, depressão do intervalo PR. As mudanças do segmento ST podem ser confundidas com aquelas vistas no infarto agudo do miocárdio. No entanto, a elevação do segmento ST na Pericardite difere pelos seguintes motivos:

 

         difusamente presente na maioria das derivações. No infarto agudo do miocárdio, a elevação do segmento ST está localizada em uma área coronariana específica;

         a concavidade é para cima. No infarto agudo do miocárdio com elevação do segmento ST, é geralmente oposto;

         a formação de ondas Q patológicas está ausente na Pericardite;

         depressão do PR pelo acometimento dos átrios;

         ondas T são concordantes com o segmento ST;

         depressão do segmento ST em aVR e V1;

         ausência de depressão recíproca do segmento ST – “imagem em espelho”.

 

Analisando-se o ECG do paciente, verifica-se:

 

1.     Ritmo sinusal.

2.     FC = 100 bpm.

3.     PR = 140 ms.

4.     Eixo entre 60° e 90°.

5.     QRS estreito < 120 ms.

6.     Alterações difusas da repolarização:

         supradifuso em todas as derivações – exceção AVR e V1;

         depressão do PR mais visível em D2;

         ondas T em mesma direção ao ST.

 

Vale lembrar que existem estágios eletrocardiográficos na Pericardite:

 

         Estágio 1: acompanha o início da dor e 90% dos pacientes apresentam supradesnivelamento de ST com concavidade para cima, exceto em AVR e V1.

         Estágio 2: ocorre alguns dias depois. Retorno do ST à linha de base, acompanhado pelo achatamento da onda T.

         Estágio 3: inversão da onda T de modo que o vetor se torne oposto ao do ST; não há ondas Q ou diminuição das ondas R.

         Estágio 4: ocorre semanas ou meses depois, com reversão das ondas T ao normal.

 

Tratamento

         Anti-inflamatório não hormonal (AINH): ibuprofeno;

         colchicina: isolada ou associada ao AINH, pode ser utilizada como tratamento inicial ou nas crises de recorrência;

         corticosteroide: doenças do tecido conectivo, Pericardite urêmica e nos casos recorrentes não responsivos a colchicina ou AINH;

         etiologia bacteriana: antibióticos, drenagem pericárdica e exploração cirúrgica;

         Insuficiência renal: intensificação da diálise.

 

Comentários

Por: Atendimento MedicinaNET em 19/03/2012 às 15:25:13

"Prezada Roseny, De fato, havia um problema na exibição da imagem, que foi recadastrada e, agora, está visível. Assim, solicitamos que acesse novamente este conteúdo e verifique. Caso o problema persista, entre em contato conosco. Obrigada pelo comentário. Atenciosamente, Atendimento MedicinaNET"

Por: Roseny Marinho Mesquita Pereira em 18/03/2012 às 17:34:00

"Não consegui visualizar ECG"

Por: Roseny Marinho Mesquita Pereira em 18/03/2012 às 17:33:12

"Não consegui visualizar e-mail"

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