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Paciente com 30 Anos com Cefaleia e HIV Positivo

Autor:

Rodrigo Antonio Brandão Neto

Médico Assistente da Disciplina de Emergências Clínicas do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP

Última revisão: 17/05/2018

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Paciente do sexo masculino, com 30 anos de idade, vírus da imunodeficiência adquirida (HIV) positivo descontinuou terapia antirretroviral há 4 meses, evoluindo com quadro de cefaleia e confusão mental há cerca de 2 semanas, além de perda de peso e piora do estado geral.

Ao exame físico, apresentou: sinal de meningismo; pressão arterial (PA), 94x68mmHg; frequência cardíaca (FC), 98bpm; ausculta respiratória: sem alterações; ausculta cardiovascular: sem alterações; Escala de Coma de Glasgow, 13 (AO 4, RM 4, RV 5).

A tomografia computadorizada (TC) de crânio não mostrou alterações significativas. Foi indicada punção liquórica, que mostrou pressão liquórica de 42mmHg, 135 células, 69% linfócitos, proteínas moderadamente aumentadas, e glicose 9mg/dL. O PBAAR no líquor foi positivo; ADA, 5ng/mL. O hemograma apresentava Hb 11,8g/dL, 165.000 plaquetas e 4.000 leucóticos com 580 linfócitos/mm3.

O diagnóstico de neurotuberculose foi realizado pela pleocitose linfocítica do líquor, apesar do achado surpreendente de baixa concentração de ADA no líquor. A neurotuberculose é a forma mais grave de tuberculose, mas representa apenas pequena percentagem dos casos de TB extrapulmonar.

Os pacientes apresentam quadro clínico de meningite ou meningoencefalite, caracterizado pela ocorrência de irritação meníngea e sintomas de hipertensão intracraniana, com febre, rigidez de nuca, sinais de Kernig e Brudzinski, náuseas, vômitos e cefaleia. A meningite tuberculosa costuma ter evolução mais arrastada que a bacteriana e cursar com envolvimento de pares cranianos, embora a diferenciação entre os casos de meningite bacteriana e tuberculosa, pelos achados clínicos isoladamente, é difícil.

Outra forma de manifestação da neurotuberculose é o tuberculoma intracraniano. O diagnóstico pode ser realizado por punção liquórica com líquor com características semelhantes às da meningite asséptica, com pleocitose e predomínio de linfomononucleares, embora possa haver um número maior de neutrófilos na fase inicial da doença, proteína elevada e glicose baixa (<50% do plasma).

A bacterioscopia geralmente é negativa; portanto, foi surpreendente o resultado positivo. O uso de testes indiretos como a dosagem de ADA no líquor apresenta sensibilidade entre 60 e 100% e especificidade de 84 a 99%, mas ainda há problemas para recomendação para uso rotineiro. Devido a sua sensibilidade maior do que a pesquisa de BAAR, foi surpreendente a ADA negativa com PBAAR positivo.

 

Apesar de não haver queixas respiratórias e radiografia incaracterística, foi solicitada a TC de tórax para investigar acometimento pulmonar, conforme mostra a Figura 1.

 

 

TC: tomografia computadorizada.

Figura 1 - TC de tórax.

 

Pode-se observar a presença de micronódulos compatíveis com diagnóstico de tuberculose miliar. É possível que, com essa linfopenia significativa e com a descontinuação da terapia antirretroviral, a manifestação pulmonar não tenha sido mais evidente devido à diminuição da resposta imune, e a terapia antirretroviral poderia causar síndrome de reconstituição autoimune; assim, foi recomendado esperar alguns dias de tratamento antituberculose antes de se iniciar a terapia antirretroviral.

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