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Paciente 69 Anos de Idade com Dor Torácica

Autor:

Rodrigo Antonio Brandão Neto

Médico Assistente da Disciplina de Emergências Clínicas do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP

Última revisão: 11/02/2019

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Paciente com 69 anos de idade, com antecedente de acidente vascular cerebral (AVC) e infarto agudo do miocárdio (IAM) prévios, com sequela leve com fraqueza em hemicorpo D com força grau 3?4. Evoluiu com dor torácica típica.

A Figura 1 mostra o eletrocardiograma (ECG) e a Figura 2, a cinenagiocoronariografia.

 

ECG: eletrocardiograma.

Figura 1 - ECG.

 

 

 

 

 

Figura 2 - Cinenagiocoronariografia.

 

Pode-se observar lesão crítica com estenose de 95% em artéria descendente anterior proximal, realizado angioplastia com stent e dupla agregação antiplaquetária com ácido acetilsalicílico (AAS) e clopidogrel. O paciente evoluiu com melhora da dor; porém, 24 horas depois, apresentou quadro de cefaleia com rebaixamento súbito do nível de consciência. Realizou tomografia computadorizada (TC) de crânio, conforme a Figura 3.

 

 

 

TC: tomografia computadorizada.

Figura 3 - TC de crânio.

 

Pode-se verificar extensa lesão hemorrágica cerebelar com >5cm. O papel do tratamento cirúrgico para a maioria dos pacientes com HIP permanece controverso. Estudos clínicos randomizados que comparam a cirurgia com manejo conservador não demonstraram benefícios claros da intervenção cirúrgica.

Alguns estudos sugerem que hemorragias lobares de 10 a 100mm3 a 1cm da superfície cortical podem beneficiar-se de uma cirurgia e que pacientes com hemorragia cerebelar com deterioração neurológica importante ou hemorragias cerebelares >3cm de diâmetro também podem se beneficiar da intervenção, ou quando a hemorragia cerebelar está associada com compressão do tronco cerebral ou hidrocefalia.

Dessa forma, os pacientes com hemorragia cerebelar que apresentam deterioração neurológica ou que têm compressão do tronco cerebral e/ou hidrocefalia por obstrução ventricular devem ser submetidos à remoção cirúrgica da hemorragia assim que possível. O momento da cirurgia permanece controverso podendo variar de 4 a 96 horas após o aparecimento dos sintomas. Nesse caso, com hemorragia extensa e rebaixamento do nível de consciência, foi indicada cirurgia de emergência.

O uso de agentes antiplaquetários não foi associado com a expansão do hematoma ou com resultado clínico desfavorável na maioria dos estudos, embora possam causar expansão do hematoma. A monitorização da função plaquetária pode ser útil para avaliar a exposição antiplaquetária e ajudar a tomar decisões em relação a intervenções hemostáticas nesses pacientes.

De qualquer forma, os antiagregantes plaquetários devem ser descontinuados na fase aguda da HIP. Em relação à transfusão plaquetária, não existe ainda evidência clara de benefício, de forma que não pode ser recomendada de rotina. No caso, a colocação de stent 24 horas antes tornou a decisão drástica; de qualquer forma, o stent era de maior tamanho, o que minimizou o risco de trombose de stent; foram descontinuados os antiagregantes, os quais foram reintroduzidos 48 horas após a intervenção. Embora seja uma conduta controversa, foi realizada transfusão plaquetária devido à apresentação drástica.

 

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