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Ultrassom na Torção Testicular

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 10/03/2020

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Caso Clínico

 

Pacientedo sexo masculino,13 anos, sem doenças prévias, é trazido pelos pais aodepartamento de emergência por ter apresentado dor súbita e intensa no testículodireito, sem febre, com muita náusea associada. Ao exame físico, o testículodireito encontra-se em plano mais elevado que o esquerdo, com sinais de edemalocal. Ao exame físico, há dor à palpação, ausência de reflexo cremastérico eedema escrotal. Foi levantada a hipótese de torção testicular e foisolicitada ultrassonografia (USG) de testículo, conforme as Figuras 1, 2 e 3.



 

              USG: ultrassonografia.

           Figura1 - USG com sinal de redemoinho édefinida como uma mudança abrupta no curso do cordão espermático com uma torçãoespiral no anel inguinal externo ou no saco escrotal.

            

                


                

               USG: ultrassonografia.

              Figura2 - USG com presença de cordãoespermático excessivo e tortuoso no saco escrotal; é um sinal muito útil defixação anômala da túnica vaginal.

 

             

                



               USG:ultrassonografia.

              Figura3 - USG com testículo emuma orientação horizontal à direita.

 

Discussão

 

Serãodiscutidos aqui os principais aspectos a respeito do uso de USG no diagnósticode torção testicular, doença que faz parte da síndrome do escroto agudo. Éimportante ressaltar que, em um estudo retrospectivo realizado no departamentode emergência a respeito de ultrassonografia (USG) em meninos de 1 mês a 17anos de idade, apresentando-se com dor escrotal, o exame demonstrousensibilidade de 100%, especificidade de 97,9% e acurácia de 98,1% (1).

Emoutro estudo sobre o papel da USG com doppler na avalição doescroto agudo em pronto-socorro,em análise de 620 pacientes, dos quais 20tinham torção testicular, o exame demonstrou sensibilidade de 94%,especificidade de 96%, acurácia de 95,5%,valor preditivo positivo de 89,4% evalor preditivo negativo de 98%. No estudo,55% dos exames foram realizados pormédicos residentes, o que sugere a execução simples do exame (2).

De acordo com o American College of RadiologyAppropriateness Criteria (Expert Panel on Urologic Imaging: Hartman MS et al.Acute Onset of ScrotalPain Without Trauma, Without Antecedent Mass. Lastreview date: 2014),um exame de USG negativo é altamente preditivo de ausênciade torção no momento do exame. Porém, o documento ressalta que umaárea de preocupação da aplicação do exame é em crianças pré-púberes pequenas(3). O achado ultrassonográfico mais importante pra diagnóstico da torçãotesticular em USG é a torção do cordão espermático na região inguino escrotal,que já foi descrito como tendo sensibilidade e especificidade próxima a 100%(4).

Importantedestacar que a torção pode ser parcial, completa ou intermitente, o que podelevar a uma USG normal.Sinais ultrassonográficos precoces podem ser: a presençade edema com aumento testicular ou, ainda, um padrão hipoecoico completo ouparcial do testículo.Oclusão arterial e isquemia podem ser inferidas portestículo heterogêneo e hiperecoico, sinais que podem aparecer com 2h de oclusãoarterial completa,sendo considerada isquemia irreversível a partir de 6h.Ao doppler, o fluxo venoso e arterial pode estar ausente ou podehaver fluxo arterial reverso ou reduzido. Esses achados ocorrem em torçãoparcial ou precoce.

Paraepididimite, o achado esperado é de aumento de fluxo sanguíneo, podendo tambémhaver achado dehidrocele (no caso de orquiepididimite, o testículo tambémestará aumentado).Porém, esse achado de aumento de fluxo sanguíneo pode ocorrerem casos detorção-distorção, mas de forma transitória, por até 15 minutos. Nocaso de suspeita de torção mantida, o exame deve ser repetido após 20 a 30minutos para verificar se a hiperemia é transitória ou persistente. Nessescasos, a dor chega a passar conforme relato do paciente.

 

Bibliografia

 

1.            LiangT et al.Retrospective review of diagnosis and treatment in children presentingto thepediatric department with acute scrotum. AJR Am J Roentgenol.2013May;200(5):W444-9

2.            YagilY, Naroditsky I,Milhem J, Leiba R, Leiderman M, Badaan S, et al. Role ofDopplerultrasonography in the triage of acute scrotum in the emergencydepartment. J UltrasoundMed. 2010 Jan. 29(1):11-21

3.            StehrM, Boehm R. Criticalvalidation of colour Doppler ultrasound in diagnostics ofacute scrotum inchildren. Eur J Pediatr Surg. 2003;13(6):386-392

4.            Baldisserotto,M. (2009).Scrotal emergencies. Pediatric Radiology, 39(5), 516?521

5.            Wright,S., & Hoffmann,B. (2015). Emergency ultrasound of acute scrotal pain.European Journal ofEmergency Medicine, 22(1), 2?9.).

6.            BandarkarAN, Blask AR.Testicular torsion with preserved flow: key sonographic featuresandvalue-added approach to diagnosis. Pediatric Radiology (2018) 48:735?744

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