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Editorial MedicinaNET - Outubro - 2018

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 15/10/2018

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Dificuldades da Gestão de Pessoas em Serviços de Saúde

 

No que se refere às dificuldades na gestão de pessoas em serviços de saúde, é preciso dizer que, primeiramente, há a questão da motivação. Apesar de, na área da saúde, ser frequente a escolha dos profissionais por profissões ligadas à assistência, vive-se uma conjuntura, muito debatida na atualidade, que é a incidência alarmante de burnout - que vem gerando altos índices de desistência de carreira e até mesmo da própria profissão. A perda de propósito desses profissionais vem aumentando, de modo que recuperar isso é um grande desafio ao sistema de saúde.

Este texto se propõe a apontar alguns desafios relacionados aos processos de comunicação. Dificuldades de comunicação, ou “ruídos” na comunicação entre profissionais na área da saúde, são um problema, pois levam a falhas nos processos e são a causa de incidentes de segurança do paciente, fatos que repercutem no paciente que sofre o evento, mas também na imagem da instituição, bem como nos custos da área da saúde. Além disso, a forte hierarquia intra e interprofissional vai na contramão das necessidade atuais pautadas no trabalho em equipe.

Sabe-se que o trabalho interdisciplinar e as equipes de alto desempenho correspondem aos objetivos de qualquer organização da área da saúde nos dias de hoje, porém esses aspectos são desafios veementes. A falta de confiança, uma baixa cultura de segurança, um clima organizacional ruim, todos colaboram para a falta de perspectiva em termos de um trabalho de equipe eficiente. Eventualmente, há um bom desempenho em ilhas de excelência (por exemplo, em algumas unidades fechadas como UTIs), mas não é algo sistêmico dentro das instituições.

Outros dois pilares da gestão de pessoas, muito ligados e que também se constituem em desafios e dificuldades, são os treinamentos e o grau de conhecimento e as competências almejados - aqui, mais uma questão que tem início com os gaps dos currículos das graduações de faculdades da área da saúde diante das necessidades mais modernas do mercado (incluindo segurança do paciente, processo e políticas de qualidade, economia na área da saúde, etc.), fazendo com que esses profissionais cheguem despreparados para o mercado de trabalho.

Em seguida, tem-se a dificuldade de planejamento, com uma abordagem aos gaps identificados nos profissionais que passam a trabalhar em hospitais e outras organizações da saúde, pois há desafios na disponibilidade de horário deles (sobretudo o médico, que, em geral, é profissional liberal e não contratado da instituição), superposição com a própria carga horária de trabalho, gerando banco de horas ou ausência no posto de trabalho. Por fim, há o desafio de se superar a velocidade de incorporação de novas tecnologias e conhecimentos na área da saúde, na qual se estima uma meia-vida de conhecimento de cerca de 5 anos apenas.

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