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Campanha “Cirurgia Segura Salva Vidas” da OMS – Perguntas e Respostas Gerais

Autor:

Lucas Santos Zambon

Médico pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Residência em Clínica Médica no Hospital das Clínicas da FMUSP (HC-FMUSP). Doutorando do HC-FMUSP. Médico da Disciplina de Emergências Clínicas do HC-FMUSP. Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 08/06/2009

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1.             Porque é que a verificação é importante?

 

            Um total de 234 milhões de grandes cirurgias são realizadas anualmente em todo o mundo. Isto equivale a realizar uma operação por cada 25 pessoas, e indica que a segurança dos cuidados de saúde pública é de significativa importância. Para saber mais sobre essa estatística e sua implicações, consulte artigo da revista The Lancet em:
www.who.int/patientsafety/safesurgery/knowledge_base/publications/en/index.html. Além disso, dados anteriormente estimados das taxas de complicações graves e morte após cirurgia, mesmo usando estimativas conservadoras, são de que 7 milhões de pacientes sofrem complicações após a cirurgia, sendo que metade dessas complicações seria evitável.

 

2.             Como foi desenvolvido o checklist de verificação?

 

            O Checklist da Campanha da OMS “Cirurgia Segura Salva Vidas” foi criado por um grupo internacional de peritos reunidos pela OMS, com o objetivo de melhorar a segurança dos pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos em todo o mundo. Sugestões de anestesiologistas, enfermeiros, médicos, pacientes e outros profissionais foram utilizadas no desenvolvimento desta ferramenta.

            Ensaios clínicos de diferentes proporções foram feitos, culminando em um estudo piloto multicêntrico, cujos resultados foram publicados no New England Journal
of Medicine, em Janeiro de 2009 (comentário no MedicinaNet: Checklist baseado nas recomendações da OMS reduz a morbidade e mortalidade pós-operatória). Em diferentes locais, que variaram de pequenos hospitais distritais a grandes centros médicos em diversas localizações geográficas, a utilização do checklist com 19 itens de verificação se demonstrou capaz de reduzir o número de complicações e a mortalidade associadas com uma variedade de procedimentos cirúrgicos em mais de 30%.

            O checklist foi concebido para ser fácil de usar e aplicável em diferentes realidades. Ele já vem sendo usado atualmente em salas de cirurgia de todo o mundo.

 

3.             O que o checklist envolve? Como irá impactar na prática cirúrgica?

 

            O Checklist envolve a coordenação da equipe, de cirurgiões a anestesistas e enfermeiros, de forma a estabelecer a verificação de pontos-chave de segurança antes de fases específicas da assistência perioperatória. A primeira checagem é antes da indução da anestesia, a segunda antes da incisão na pele, e a terceira antes da equipe deixar a sala cirúrgica. Muitas das verificações já são rotina em algumas instituições, mas surpreendentemente, poucas equipes que operam realizam essas verificações em todas as cirurgias, principalmente em cirurgias mais avançadas. Espera-se poder mostrar melhorias, tanto no processo como nos resultados dos cuidados cirúrgicos, através de hospitais piloto ligados à OMS para avaliar a Checklist.

 

4.             Hospitais já não usam checklists?

 

            Muitos hospitais que já possuem controles locais, mas a sua utilização consistente é
muitíssimo variável. Muitos desenvolveram a realização de uma checagem onde a equipe confirma a identidade do paciente, o procedimento, e o local de operação. A expansão dessas checagens de forma mais elaborada e sistematizada, entretanto, foi o que a campanha “Cirurgia Segura Salva Vidas” fez.

 

5.             Como saber se o checklist funciona?

 

            Entre outubro de 2007 e Setembro de 2008, foram estudados os efeitos do checklist em oito hospitais em oito cidades (Toronto – Canadá; Nova Deli - Índia; Amã - Jordânia; Auckland - Nova Zelândia; Manila - Filipinas; Ifakara - Tanzânia, Londres - Inglaterra; e
Seattle - EUA), representando uma variedade de circunstâncias econômicas e diversas populações de pacientes. Foram coletados prospectivamente os dados clínicos sobre processos e resultados de 3.733 pacientes antes e de 3.955 pacientes depois do checklist ser implementado. Os resultados do estudo foram publicados no New England Journal of Medicine, em 29 de janeiro de 2009 e demonstraram melhorias dramáticas em ambos os processos e resultados (comentário no MedicinaNet: Checklist baseado nas recomendações da OMS reduz a morbidade e mortalidade pós-operatória). Com significância estatística, a utilização do checklist reduziu a taxa de mortes e de complicações em mais de um terço em todos os 8 hospitais-piloto. A taxa de complicações maiores caiu de 11% para 7%, e da mortalidade hospitalar após grandes operações caiu de 1,5% para 0,8%, após aplicação do checklist. Além disso, o efeito foi de magnitude foi semelhante tanto em locais de situação econômica melhor quanto nos de situação econômica pior. Mesmo o site na área rural da Tanzânia foi capaz de implementar a lista e ver melhorias substanciais nos resultados, essencialmente sem nenhum custo para o sistema.

 

6.             Qual tem sido a aderência ao Checklist?

 

            Até o momento, 246 organizações profissionais, organizações de saúde, ministérios, e ONG´s já aprovaram o conceito da Campanha “Cirurgia Segura Salva Vidas”. A tarefa do programa agora é, a partir desta dinâmica e das informações recolhidas durante o estudo-piloto, promover a utilização generalizada, a implementação e a divulgação do Checklist como uma prática de segurança para todas as cirurgias. Hospitais participantes são encorajados a registrarem-se na OMS

(http://www.who.int/patientsafety/safesurgery/hospital_form/en/index.html),
e a divulgação dos progressos pode ser monitorada através do mapa interativo on-line da OMS:

(http://cga-4.hmdc.harvard.edu:8080/Hospital/gmap1.htm)

7.             O checklist é aplicável em qualquer reaidade? Como é o impacto em regiões com diferentes níveis de desenvolvimento?

 

            A maioria dos países desenvolvidos tende a ter rotinas bem estabelecidas e padronizadas para o processo de atendimento durante o período perioperatório, embora a aplicação dessas rotinas seja inconsistente. Outros países tendem a não ter orientações claras e políticas bem estabelecidas para direcionar o processo de segurança no perioperatório. Além disso, mesmo no mundo desenvolvido, existe variabilidade na aderência às práticas básicas de segurança em cirurgia. As orientações do Checklist podem ajudar diferentes países e hospitais a avaliar os seus próprios processos de prestação de cuidados cirúrgicos, e a implementar melhorias de segurança.

 

OBS.: Seguimos no MedicinaNet as recomendações da própria OMS quanto à divulgação de qualquer material oriundo de seu website (http://www.who.int/about/copyright/en/), que permite a veiculação livre de seus materiais para fins educacionais. Assim como este tópico, todos os outros conteúdos relacionados à segurança do paciente são livres para acesso por não assinantes.

 

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