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Patologia

Última revisão: 14/05/2013

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Versão original publicada na obra Slavish, Susan M. Manual de prevenção e controle de infecções para hospitais. Porto Alegre: Artmed, 2012.

 

 

 

         Os riscos de infecção são semelhantes aos dos laboratórios.

         Os patologistas lidam com riscos de infecção no cuidado pós-morte.

 

 

         Usar as precauções-padrão.

         Realizar autópsias em salas especialmente equipadas e projetadas para esse fim.

         Usar equipamentos de proteção especial.

         Exigir a imunização dos PASs.

         Preparar os cadáveres.

         Limpar, desinfetar e esterilizar superfícies e equipamentos.

 

O departamento de patologia nos hospitais está envolvido no estudo e no diagnóstico de doenças por meio do exame de tecidos, órgãos, fluidos corporais e cadáveres. Os patologistas executam uma grande variedade de testes laboratoriais para diagnosticar doenças, evitar enfermidades e controlar condições crônicas. O departamento é dividido em duas categorias: patologia clínica e patologia anatômica, ambas subdivididas em subespecialidades.

Os patologistas diagnosticam doenças ao realizar várias análises laboratoriais de tecidos, órgãos e fluidos corporais, como sangue e urina. Eles trabalham no laboratório, recebem e analisam amostras de tecidos e órgãos (biópsias) e amostras de fluidos corporais coletadas por vários profissionais de assistência à saúde (PASs) em outros departamentos. Em sua busca pelas causas da doença, os patologistas empregam várias ferramentas, incluindo química, microbiologia, hematologia e patologia molecular. Eles também trabalham junto com outros médicos e especialistas no hospital e são parte da equipe de assistência médica ao paciente. Por exemplo, analisam amostras de sangue solicitadas por médicos como parte da rotina e revisam os resultados dos testes executados por especialistas para documentar e diagnosticar anormalidades, como os testes de Papanicolau, no departamento de ginecologia, ou biópsias de pacientes com câncer para classificar o tumor como benigno ou maligno.

Uma das subespecialidades da patologia é a patologia forense, que está envolvida na determinação da causa da morte a partir do exame de um cadáver por meio da autópsia; portanto, todos os cuidados são pós-morte, ou seja, é o processo de preparo do cadáver para o sepultamento.1 Ele se estende desde o momento da morte, passando pela necrópsia, até, por fim, o transporte do corpo para o funeral para ser sepultado ou cremado. Dentro do hospital, o cuidado pós-morte pode incluir várias atividades, entre elas banhar e preparar o morto; preservar a evidência de intervenções hospitalares se for solicitada ou exigida necrópsia; e realizar a necrópsia.1 Cada uma dessas atividades pode ser uma oportunidade para transmissão de infecções e exposição ocupacional para os patologistas.

Este capítulo apresenta diferentes estratégias para evitar a aquisição e transmissão de infecções dentro desse departamento, com o foco principal no cuidado pós-morte.

 

Estratégias para prevenção e controle de infecções

Como os patologistas trabalham em laboratórios, as melhores práticas para evitar e controlar as infecções são praticamente as mesmas nos dois departamentos. Uma lista de estratégias para prevenção e controle de infecções (PCI) que deve ser obedecida no departamento de patologia está descrita a seguir:2,3

 

      Usar as precauções-padrão.

      Fazer a higiene adequada das mãos.

      Usar equipamentos de proteção individual (EPIs) adequados para a exposição de patógenos transmitidos pelo sangue (máscaras, proteção para olhos ou escudos de face, roupas, aventais, jalecos).

      Descartar o EPI ou lavar a roupa não descartável de forma adequada.

      Receber educação e treinamento, incluindo o treinamento sobre a prevenção de tuberculose (TB) e as precauções com sangue e fluidos corporais.

      Tomar vacinas específicas, como a da hepatite B.

      Observar as precauções do nível de biossegurança.

      Tratar todas as amostras como infectadas.

      Descartar os perfurocortantes em recipientes adequados.

      Limpar e desinfetar os equipamentos.

      Comunicar casos suspeitos da doença de Creutzfeldt-Jakob.

 

A obediência a esses padrões de precaução e as estratégias de PCI devem ser monitoradas pelos supervisores.

 

Estratégias de prevenção e controle de infecções no cuidado pós-morte

Além das precauções para os laboratórios, os patologistas que realizam necrópsias lidam com os riscos adicionais dos cadáveres e dos procedimentos. Todos os cadáveres que chegam ao departamento de patologia podem ser fontes de infecção. Os patologistas que fazem necrópsias estão sob risco de exposição a hepatite viral, vírus da imunodeficiência humana (HIV), TB e doença de Creutzfeldt-Jakob, entre outras doenças.4 Para evitar a transmissão de infecções, os líderes do departamento de patologia devem exigir que os PASs desse setor adotem as seguintes estratégias:

 

      Ao cuidar de um cadáver na necrópsia, todos os PASs na área devem usar as precauções-padrão. Tais precauções incluem o uso de EPI e a higiene das mãos. Os EPIs adequados para necrópsia incluem avental cirúrgico, touca cirúrgica, roupa impermeável ou avental com mangas compridas, propés, óculos ou proteção para rosto, olhos, pele e membranas mucosas. Os PASs devem usar dois pares de luvas cirúrgicas ou luva de malha de aço, de rede ou de Kevlar sobre as luvas cirúrgicas para proteger contra cortes com facas.5,6 Também existem luvas não metálicas à prova de perfuração.7 Quando existe risco de patógenos em aerossóis, como TB, os PASs presentes durante a necrópsia devem usar respiradores N95.6

      Fazer a necrópsia em uma área de risco biológico indicada. As salas de necrópsia devem ser fisicamente separadas das áreas administrativas e de todas as outras do hospital. Essa separação ajuda a evitar potenciais infecções a partir da disseminação a funcionários ou pessoas que não realizam as necrópsias. Essas salas devem ter pressão negativa, com o ar da sala retirado diretamente para a parte externa. O American Institute of Architects recomenda pelo menos 12 trocas de ar por hora nessas áreas.8 Equipamentos adicionais podem ajudar a reduzir o risco da exposição a patógenos em aerossóis, como mesas de necrópsia com esvaziamento descendente, filtração de ar particulado de alta eficiência (HEPA), radiação ultravioleta (para esterilizar o ar) e cabines de segurança biológica para manusear os tecidos infectados.6

      Usar o equipamento de segurança durante as necrópsias, como equipamento com proteção, anexos com vácuo e drenos ou unidades para descarte.1

      Restringir a entrada ou saída da área de necrópsia durante a execução do procedimento.7

      Implantar os controles de prática de trabalho, como tratar todas as amostras como infectantes, separar todo o material necessário antes de iniciar um procedimento, manter todos os tecidos na mesa de necrópsia até serem fixados – exceto se transportados em uma bandeja ou recipiente –, cortar seções apenas em tecidos fixados e indicar uma pessoa para monitorar as práticas de PCI durante o procedimento.1

      Rotular claramente todas as partes congeladas ou não fixadas com a expressão “risco de infecção”. As partes do corpo fixadas devem ser seladas em recipientes seguros, à prova de vazamento, para evitar a contaminação para o ambiente externo.7

      Tornar a imunização, especialmente para hepatite B, obrigatória para todas as pessoas que trabalhem no departamento de patologia.7 Um teste cutâneo inicial com tuberculina durante o exame admissional também é importante.6 Os hospitais podem solicitar que os patologistas façam exames médicos anuais para verificar a saúde desses profissionais e identificar qualquer possível exposição.

      Preparar o cadáver após o término da necrópsia. Isso envolve suturar qualquer incisão com agulhas e pinças, lavar o corpo com detergente seguido por uma solução de água sanitária e acondicionar o corpo em uma embalagem específica à prova de vazamento.9

      Limpar adequadamente as superfícies. A limpeza envolve retirar produtos do corpo, fluidos corporais e outros materiais orgânicos grosseiros com água, esfregar e desinfetar todas as superfícies e enxaguar a área desinfetada.6 Para alguns tipos de procedimentos de alto risco, pode ser necessária uma limpeza mais profunda. Por exemplo, as superfícies contaminadas com Mycobacterium tuberculosis devem ser descontaminadas com soluções tuberculocidas líquidas, como compostos fenólico.6 (Ver o Destaque 13.1 para informações de limpeza específicas para doença de Creutzfeldt-Jakob.)

      Limpar e reprocessar os equipamentos médicos adequados. Limpadores enzimáticos, desinfetantes de nível intermediário e lavadoras esterilizantes de instrumentos podem ser incluídos nos processos de limpeza dos equipamentos de patologia.

 

Destaque 13.1

Prevenção e controle de riscos de infecção com a doença de Creutzfeldt-Jakob

 

Dentro do departamento de patologia, existem alguns procedimentos que são considerados de maior risco para transmissão de infecção do que outros. Isso ocorre principalmente por causa das consequências da transmissão de infecções. Por exemplo, fazer necrópsias de cadáveres ou manusear tecidos de pacientes com doença de Creutzfeldt-Jakob são considerados procedimentos de alto risco, e os patologistas que cuidam de pacientes com suspeita ou confirmação de doença de Creutzfeldt-Jakob devem tomar precauções adequadas, como:

 

      Ter uma sala de procedimento dentro do necrotério para fazer necrópsias em pacientes de alto risco. Isso é recomendável, mas não essencial.7

      Usar um conjunto separado de instrumentos para casos de doença de Creutzfeldt-Jakob. Se não for possível, usar instrumentos descartáveis.

      Após manusear cadáveres com suspeita de doença de Creutzfeldt-Jakob, descontaminar os instrumentos do necrotério e as superfícies de trabalho usando um dos seguintes métodos:7

-      18 minutos de autoclavagem a vapor a 134°C ou 6 ciclos de 134°C por 3 minutos

-      1 hora de autoclavagem a vapor com deslocamento de gravidade a 134°C

-      Aplicar hidróxido de sódio 1 N por 1 hora (incluindo molhar as superfícies com frequência)

-      Usar solução de hipoclorito de sódio com 20.000 ppm de cloro (Nota: a solução de hipoclorito é muito corrosiva para metais, portanto, deve-se ter cuidado ao aplicá-la sobre superfícies.)

-      1 hora de ácido fórmico a 96% (Nota: a solução de ácido fórmico é muito corrosiva para metais, portanto, deve-se ter cuidado ao aplicá-la sobre superfícies.)

-      Incineração

 

Como ocorre com outros aspectos da PCI, a educação e o treinamento dos profissionais do setor de patologia são fundamentais. A educação deve incluir informações sobre os riscos de infecção associados a necrópsias e outras práticas de patologia, EPI adequado, como limpar derramamento ou respingos e procedimentos a serem seguidos em caso de exposição. Além disso, os protocolos escritos para todos os procedimentos de patologia devem ser estabelecidos, revisados e atualizados em intervalos regulares.

 

Referências

1.        Pfeiffer J: Postmortem care. In Carrico R. (ed.): APIC Text of Infection Control and Epidemiology, 3rd ed. Washington, DC: Association for Professionals in Infection Control and Epidemiology, 2009, 108-1–108-5.

2.        Johns Hopkins Hospital: Department of Pathology Laboratory Infection Control Policy. http://pathology.jhu.edu/department/GeneralPolicy/Infection_Control.pdf (acessado em 15 de maio de 2010).

3.        National Cancer Institute Center for Cancer Research: Laboratory of Pathology Online Policy Manual. http://home.ncifcrf.gov/ccr/lop/intranet/PolicyManual/InfectionControl/default.asp (acessado em 15 de maio de 2010).

4.        Hutchins G.M., et al.: Practice guidelines for autopsy pathology: Autopsy reporting. Autopsy Committee of the College of American Pathologists. Arch Pathol Lab Med 118:19–25, Jan. 1994.

5.        Schulster L.: Guidelines for environmental infection control in health-care facilities: Recommendations of CDC and the Healthcare Infection Control Practices Advisory Committee (HICPAC). MMWR Recomm Rep 52(RR-10):1–42, Jun. 2003.

6.        Nolte K.B., Taylor D.G., Richmond J.Y.: Biosafety considerations for autopsy. Am J Forensic Med Pathol 23(2):107–122, 2002.

7.        Ironside J.W., Bell J.E.: The “high risk” neuropathological autopsy in AIDS and Creutzfeldt-Jakob disease: Principles and practice. Neuropathol Appl Neurobiol 22:388–393, Oct. 1996.

8.        American Institute of Architects (AIA): Guidelines for Design and Construction of Hospital and Healthcare Facilities. Washington, DC: AIA Press, 2006.

9.        Clinical and Laboratory Standards Institute: Clinical Laboratory Safety Approved Guideline 2nd ed. Wayne, PA: Clinical and Laboratory Standards Institute, 2004.

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