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Doença Meningocócica DM

Última revisão: 30/01/2011

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Reproduzido de:

DOENÇAS INFECCIOSAS E PARASITÁRIAS – GUIA DE BOLSO – 8ª edição revista [Link Livre para o Documento Original]

MINISTÉRIO DA SAÚDE

Secretaria de Vigilância em Saúde

Departamento de Vigilância Epidemiológica

8ª edição revista

BRASÍLIA / DF – 2010

 

Doença Meningocócica

 

CID 10: A39.0 e A39.2

 

ASPECTOS CLÍNICOS E EPIDEMIOLÓGICOS

Descrição

A Doença Meningocócica (DM) é uma entidade clínica que apresenta diversas formas e prognósticos. há relatos de que a DM pode se apresentar sob a forma de doença benigna, caracterizada por febre e bacteriemia, simulando uma infecção respiratória, quase sempre diagnosticada por hemocultura. Porem, em geral, o quadro é grave, a exemplo de septicemia (meningococcemia), caracterizada por mal-estar súbito, febre alta, calafrios, prostração, acompanhada de manifestações hemorrágicas na pele (petéquias e equimoses), e, ainda, sob a forma de meningite, com ou sem meningococcemia, de início súbito, com febre, cefaleia intensa, náuseas, vômitos e rigidez de nuca, além de outros sinais de irritação meníngea (Kernig[1] e Brudzinski[2]).

O paciente pode apresentar-se consciente, sonolento, torporoso ou em coma. Os reflexos superficiais e osteotendinosos estão presentes e normais. Outra apresentação é a meningoencefalite, na qual ocorre depressão sensorial profunda, sinais de irritação meníngea e comprometimento dos reflexos superficiais e osteotendinosos. Delírio e coma podem surgir no início da doença, ocorrendo, às vezes, casos fulminantes, com sinais de choque.

Lactentes raramente apresentam sinais de irritação meníngea, o que leva a necessidade de se observar febre, irritabilidade ou agitação, grito meníngeo e recusa alimentar, acompanhados ou não de vômitos, convulsões e abaulamento da fontanela.

 

Agente Etiológico

Neisseria meningitidis (meningococo), bactéria em forma de diplococos gram-negativos. É classificada em sorogrupos de acordo com o antígeno polissacarídeo da cápsula, sorotipos e subtipos. Os sorogrupos mais importantes são: A, B, C, W135 e Y.

 

Reservatório

O homem doente ou portador assintomático.

 

Modo de Transmissão

Contato íntimo de pessoa a pessoa (pessoas que residem no mesmo domicilio ou que compartilham o mesmo dormitório em internatos, quarteis, creches, etc.), por meio de gotículas das secreções da nasofaringe. O principal transmissor é o portador assintomático.

 

Período de Incubação

De 2 a 10 dias; em media, de 3 a 4 dias.

 

Período de Transmissibilidade

Enquanto houver o agente na nasofaringe. Em geral, apos 24 horas de antibioticoterapia, o meningococo já desapareceu da orofaringe.

 

Complicações

Necroses profundas com perda de tecido nas áreas externas, onde se iniciam as equimoses, surdez, artrite, miocardite, pericardite, paralisias, paresias, abcesso cerebral, hidrocefalia, dentre outras.

 

Diagnóstico

Por meio do isolamento da N. meningitidis do sangue ou líquor. O LCR pode se apresentar turvo, com cor leitosa ou xantocrômica. A bioquímica evidencia glicose e cloretos diminuídos (concentração de glicose inferior a 50% da glicemia, coletada simultaneamente ao líquor), proteínas elevadas (acima de 100 mg/dl) e aumento do numero de leucócitos, predominando polimorfonucleares neutrófilos. A contraimunoeletroforese (CIE) é reagente, a bacterioscopia evidencia a presença de diplococos gram-negativos e a cultura evidencia o crescimento de N. meningitidis. Nas meningococcemias, o leucograma apresenta-se com milhares de leucócitos, havendo predominância de neutrófilos (“desvio a esquerda”). A hemocultura é positiva. O raspado das lesões de pele pode ser cultivado para identificação do agente. Outros exames que podem ser utilizados para identificação do meningococo são a pesquisa de antígenos no líquor, fixação do látex, Elisa ou radioimunoensaio. A reação em cadeia da polimerase (PCR) para o diagnóstico tem sido utilizada, apresentando elevada sensibilidade e especificidade. Ressalte-se que essa técnica não é utilizada na rotina diagnostica.

 

Diagnóstico Diferencial

Meningites e meningoencefalites em geral, principalmente as purulentas, encefalites, febre purpúrica brasileira, septicemias.

 

Tratamento

Penicilina Cristalina, 300.000 a 500.000 UI/kg/dia, com dose máxima de 24.000.000 UI/dia, IV, fracionada em 3/3 ou 4/4 horas, durante 7 a 10 dias; Ampicilina, 200 a 400 mg/kg/dia, ate no máximo de 15 g/dia, IV, fracionada em 4/4 ou 6/6 horas, durante 7 a 10 dias. Em casos de alergia, usar Cloranfenicol, na dose de 50 a 100 mg/kg/dia, IV, fracionada em 6/6 horas.

 

Características Epidemiológicas

É a meningite de maior importância para a saúde publica, por se apresentar sob a forma de ondas epidêmicas que podem durar de 2 a 5 anos. Tem distribuição universal e os casos ocorrem durante todo o ano (forma endêmica). O Brasil viveu uma grande epidemia de Doença Meningocócica na primeira metade da década de 70, devido aos sorogrupos A e C. Ate a primeira metade da década de 90, a incidência media desta doença variou de 1 a 6/100.000 hab. entre as cinco macrorregiões do país e, desde então, apresenta tendência de queda. No período de 2000 a 2007, foram detectados 22 surtos de Doença Meningocócica no Brasil, um pelo sorotipo B e os demais pelo sorotipo C, que atualmente são os sorotipos circulantes. O diagnóstico precoce e a qualidade da assistência contribuem para a redução da letalidade. A quimioprofilaxia corretamente indicada é realizada em tempo hábil reduz significativamente o risco de aparecimento de casos secundários.

 

VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA

Objetivos

Monitorar a situação epidemiológica da doença no país; orientar a utilização de medidas de prevenção e controle e avaliar sua efetividade. Avaliar o desempenho operacional do sistema de vigilância de meningite, produzir e disseminar informações epidemiológicas.

 

Notificação

É de notificação compulsória e investigação imediata.

 

Definição de Caso

Suspeito

Maiores de um ano e adultos com febre, cefaleia intensa, vomito em jato, rigidez de nuca, sinais de irritação meníngea (Kernig e Brudzinski), convulsões e/ou manchas vermelhas no corpo. Em crianças menores de 1 ano, considerar irritabilidade, choro persistente e abaulamento de fontanela.

 

Confirmado

A confirmação é feita por exame laboratorial (cultura, CIE e látex) ou todo caso suspeito de meningite com historia de vinculo epidemiológico com caso confirmado laboratorialmente ou todo caso suspeito com bacterioscopia positiva (diplococo Gram negativo) ou clinica sugestiva, com petéquias (meningococcemia).

 

MEDIDAS DE CONTROLE

     Quimioprofilaxia - É feita em contatos íntimos do doente. A droga de escolha é a Rifampicina, na dose de 600 mg, VO, de 12/12 horas, durante 2 dias (dose máxima total de 2.400 mg), para adultos. Crianças de 1 mês até 10 anos, administrar 10 mg/kg/dose em 4 tomadas, com intervalos de 12/12 horas, sendo a dose máxima de 600 mg. Recém-nascidos, 5 mg/kg/dose, de 12/12 horas, em 4 tomadas (dose máxima de 600 g). A quimioprofilaxia não garante proteção absoluta, mas ajuda a prevenir a ocorrência de casos secundários.

     Vacinas (sorogrupo específicas) As vacinas polissacarídicas conferem imunidade de curta duração e, por isso, sua indicação restringe-se ao controle de surtos. Nesse caso, a decisão sobre a indicação deverá ser baseada na analise epidemiológica (incluindo a informação sobre o sorogrupo) e na disponibilidade de vacina sorogrupo especifica. A indicação de vacinação para controle de surto depende da decisão de três instancias: municipal, estadual e federal.

     O isolamento do paciente só ocorre durante as primeiras 24 horas de tratamento, com o antibiótico indicado.

     Desinfecção concorrente e terminal deverá ser feita em relação às secreções respiratórias e aos objetos por elas contaminados. O paciente deve receber quimioprofilaxia antes da alta, pois a antibioticoterapia venosa nem sempre elimina as N. meningitidis da orofaringe. Exceção se faz aos casos tratados com o antibiótico Ceftriaxona.

 

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[1] Sinal de Kernig – Paciente em decúbito dorsal: eleva-se o tronco, fletindo-o sobre a bacia; há flexão da perna sobre a coxa e desta sobre a bacia; ou eleva-se o membro inferior em extensão, fletindo-o sobre a bacia após pequena angulação, há flexão da perna oposta sobre a coxa. Essa variante chama-se também manobra de Lasègue.

[2] Sinal de Brudzinski – flexão involuntária da perna sobre a coxa e desta sobre a bacia, ao se tentar antefletir a cabeça.

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