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donovanose

Última revisão: 30/01/2011

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Reproduzido de:

DOENÇAS INFECCIOSAS E PARASITÁRIAS – GUIA DE BOLSO – 8ª edição revista [Link Livre para o Documento Original]

MINISTÉRIO DA SAÚDE

Secretaria de Vigilância em Saúde

Departamento de Vigilância Epidemiológica

8ª edição revista

BRASÍLIA / DF – 2010

 

Donovanose

 

CID 10: A58

 

ASPECTOS CLÍNICOS E EPIDEMIOLÓGICOS

Descrição

Doença bacteriana de evolução progressiva e crônica, que acomete, preferencialmente, pele e mucosas das regiões genitais, perianais e inguinais, podendo ocasionar lesões granulomatosas e destrutivas. Inicia-se por lesão nodular, única ou múltipla, de localização subcutânea, que eclode produzindo ulceração bem definida e cresce lentamente. É indolor e sangra com facilidade. A partir daí, as manifestações estão diretamente ligadas as respostas tissulares do hospedeiro, originando formas localizadas ou externas e, ate mesmo, lesões viscerais, por disseminação hematogênica. A observação do polimorfismo das manifestações levou a proposição de classificação clínica sugerida por Jardim (1987).

     Genitais e perigenitais - São divididas em ulcerosas e subdivididas em: com bordas hipertróficas e com bordas planas; ulcerovegetantes; vegetantes e elefantiásicas.

     Extragenitais.

     Sistêmicas - Geralmente as formas ulcerosas tem maior dimensão; apresentam bordas planas ou hipertróficas, com abundante secreção, e crescem, por expansão, por meio de autoinoculação. Nas formas ulcerovegetantes (a mais frequente), há abundante tecido de granulação no fundo da lesão, ultrapassando o contorno lesional. As lesões vegetantes são pouco frequentes e, habitualmente, de pequenas dimensões, bem delimitadas e desprovidas de secreções. As manifestações elefantiásicas ocorrem, quase sempre, apos formas ulcerativas, secundarias as alterações linfáticas, que as acompanham. As localizações extragenitais são raras e podem resultar de práticas sexuais não usuais ou da extensão do foco inicial, por autoinoculação, sendo essa ultima mais frequente. Há predileção pelas regiões de dobras e região perianal. Não há adenite na Donovanose, embora raramente possam se formar pseudobubões (granulações subcutâneas) na região inguinal, quase sempre unilaterais. Há relatos de localização nas gengivas, axilas, parede abdominal, couro cabeludo e outros locais. Na forma sistêmica da doença, podem ocorrer manifestações ósseas, articulares, hepáticas, esplênicas, pulmonares e outras. Em portadores de aids, a Donovanose assume uma evolução clínica atípica, com aparecimento de novas lesões, expansão das preexistentes e persistência da positividade bacteriológica em resposta ao tratamento.

 

Sinonímia

Granuloma venéreo, granuloma tropical, úlcera serpiginosa, úlcera venérea crônica e granuloma inguinal.

 

Agente Etiológico

Calymmatobacterium granulomatis (Klebsiella granulomatis, Donovania granulomatis), descrito em 1913, por dois brasileiros, Aragão e Vianna.

 

Reservatório

O homem.

 

Modo de Transmissão

Provavelmente por contato direto com lesões, durante a atividade sexual. Entretanto, esse ainda é assunto controvertido. A ocorrência em crianças e pessoas sexualmente inativas e a variedade da doença em parceiros sexuais de pacientes com lesões abertas são dados que se contrapõem ao estabelecimento definitivo da transmissão sexual exclusiva da doença.

 

Período de Incubação

Entre 3 dias a 6 meses.

 

Período de Transmissibilidade

Desconhecido, provavelmente enquanto há lesões abertas na pele e/ou membranas mucosas.

 

Complicações

As formas vegetantes, elefantiásicas e sistêmicas podem ser consideradas como complicações da Donovanose.

 

Diagnóstico

Laboratorial: demonstração dos corpúsculos de Donovan em esfregaço de material proveniente de lesões suspeitas ou cortes tissulares corados com Giemsa ou Wright.

 

Diagnóstico Diferencial

Cancro Mole, principalmente na sua forma fagedênica, sífilis secundaria, condiloma acuminado, carcinoma espinocelular, leishmaniose e paracoccidioidomicose.

 

Tratamento

Doxiciclina, 100 mg, VO, de 12/12 horas, ate a cura clínica (no mínimo por 3 semanas), ou Sulfametoxazol + Trimetoprim, 160 mg e 800 mg, respectivamente, VO, de 12/12 horas, ate a cura clínica (no mínimo por 3 semanas); ou Ciprofloxacino, 750 mg, VO, de 12/12 horas, ate a cura clínica; ou Tianfenicol granulado, 2,5 g, VO, dose única, no primeiro dia de tratamento; a partir do segundo dia, 500 mg, VO, de 12/12 horas, ate a cura clínica, ou Eritromicina (estearato), 500mg, VO, de 6/6 horas, ate a cura clínica (no mínimo por 3 semanas), ou Tetraciclina, 500 mg, VO, de 6/6 horas, durante 30 a 40 dias, ate a cura clínica.

 

Observação: Não havendo resposta na aparência da lesão nos primeiros dias de tratamento com a Ciprofloxacino ou a Eritromicina, recomenda-se adicionar um aminoglicosídeo, como a Gentamicina, 1 mg/kg/dia, EV, de 8/8 horas.

 

Recomendações

O critério de cura é o desaparecimento da lesão. As sequelas podem exigir correção cirúrgica. Na gravidez, a doença é de baixa incidência. Não foi relatada infecção congênita, intrauterina ou durante o parto. A gestante deve ser tratada com Estereato de Eritromicina, 500 mg, VO, de 6/6 horas, ate a cura clínica (no mínimo por 3 semanas), ou Tianfenicol, 0,5 g, VO, de 8/8 horas, por 14 dias.

 

Características Epidemiológicas

A doença apresenta maior prevalência nas regiões subtropicais, sendo mais frequente em negros. Afeta igualmente homens e mulheres, embora existam publicações conflitantes sobre esse aspecto. Habitualmente, é mais frequente entre os 20 e 40 anos.

 

VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA

Objetivos

Interromper a cadeia de transmissão mediante detecção e tratamento precoce dos casos (fontes de infecção).

 

Notificação

Não é doença de notificação compulsória nacional. Os profissionais de saúde devem observar as normas e procedimentos de notificação e investigação de estados e municípios.

 

MEDIDAS DE CONTROLE

Interrupção da cadeia de transmissão pela triagem e referencia dos pacientes com DST e seus parceiros, para diagnóstico e terapia adequados.

 

     Aconselhamento – Orientações ao paciente, fazendo com que observe as possíveis situações de risco presentes em suas praticas sexuais, desenvolva a percepção quanto à importância do seu tratamento e de seus parceiros sexuais e promova comportamentos preventivos. Devido à baixa infectividade, não é necessário fazer o tratamento dos parceiros.

     Promoção do uso de preservativos – Método mais eficaz para a redução do risco de transmissão do HIV e outras DST. Convite aos parceiros para aconselhamento e promoção do uso de preservativos (deve-se obedecer aos princípios de confiabilidade, ausência de coerção e proteção contra a discriminação). Educação em saúde, de modo geral.

 

Observação: As associações entre diferentes DST são frequentes, destacando-se, atualmente, a relação entre a presença de DST e o aumento do risco de infecção pelo HIV, principalmente na vigência de úlceras genitais. Desse modo, se o profissional estiver capacitado a realizar aconselhamento, pré e pós-teste para detecção de anticorpos anti-HIV, quando do diagnóstico de uma ou mais DST, deve ser oferecida essa opção ao paciente. Portanto, toda doença sexualmente transmissível constitui evento sentinela para a busca de outra DST e possibilidade de associação com o HIV. É necessário, ainda, registrar que o Ministério da Saúde vem implementando a “abordagem sindrômica” aos pacientes de DST, visando aumentar a sensibilidade no diagnóstico e tratamento dessas doenças, para alcançar maior impacto no seu controle.

 

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