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Estrongiloidíase

Última revisão: 30/01/2011

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Reproduzido de:

DOENÇAS INFECCIOSAS E PARASITÁRIAS – GUIA DE BOLSO – 8ª edição revista [Link Livre para o Documento Original]

MINISTÉRIO DA SAÚDE

Secretaria de Vigilância em Saúde

Departamento de Vigilância Epidemiológica

8ª edição revista

BRASÍLIA / DF – 2010

 

Estrongiloidíase

 

CID 10: B78

 

ASPECTOS CLÍNICOS E EPIDEMIOLÓGICOS

Descrição

Doença parasitária intestinal, frequentemente assintomática. As formas sintomáticas apresentam inicialmente alterações cutâneas, secundárias a penetração das larvas na pele e caracterizadas por lesões urticariformes ou maculopapulares ou por lesão serpiginosa ou linear pruriginosa migratória (larva currens). A migração da larva pode causar manifestações pulmonares, como tosse seca, dispneia ou broncoespasmo e edema pulmonar (síndrome de Loefler). As manifestações intestinais podem ser de media ou grande intensidade, com diarreia, dor abdominal e flatulência, acompanhadas ou não de anorexia, náusea, vômitos e dor epigástrica, que pode simular quadro de úlcera péptica. Os quadros de Estrongiloidíase grave (hiperinfecção) se caracterizam por febre, dor abdominal, anorexia, náuseas, vômitos, diarreias profusas, manifestações pulmonares (tosse, dispneia e broncoespasmos e, raramente, hemoptise e angústia respiratória). Na radiografia de tórax, pode-se observar até cavitação. Podem, ainda, ocorrer infecções secundárias, como meningite, endocardite, sepse e peritonite, mais frequentemente por enterobactérias e fungos. Esses quadros, quando não tratados conveniente e precocemente, podem atingir letalidade de 85%.

 

Agente Etiológico

O helminto Strongyloides stercolaris.

 

Reservatório

O homem. Gatos, cães e primatas tem sido encontrados infectados.

 

Modo de Transmissão

As larvas infectantes (filarioides), presentes no meio externo, penetram através da pele, no homem, chegando aos pulmões, traqueia e epiglote, atingindo o trato digestivo, via descendente, onde se desenvolve o verme adulto. A fêmea parasita e ovovivípara e libera ovos larvados que eclodem ainda no intestino, liberando larvas rabditoides (não infectantes), que saem pelas fezes e podem evoluir, no meio externo, para a forma infectante ou para adultos de vida livre, que, ao se acasalarem, geram novas formas infectantes. Pode ocorrer, também, autoendoinfecção, quando as larvas passam a ser filarioides, no interior do próprio hospedeiro, sem passar por fase evolutiva no meio externo. Autoexoinfecção ocorre quando as larvas filarioides se localizam na região anal ou perianal, onde novamente penetram no organismo do hospedeiro.

 

Período de Incubação

Ocorre no prazo de 2 a 4 semanas entre a penetração através da pele e o aparecimento de larvas rabditoides nas fezes. O período para a manifestação dos primeiros sintomas e variado.

 

Período de Transmissibilidade

Enquanto o homem portar larvas.

 

Complicações

Síndrome de hiperinfecção; síndrome de Loefler; edema pulmonar, no paciente imunocomprometido, em uso de corticoides ou desnutridos, podendo há ver superinfestação ou infecção oportunística; síndrome de má absorção. Nas formas sistêmicas, pode ocorrer sepse, com evolução letal.

 

Diagnóstico

Parasitológico de fezes, escarro ou lavado gástrico, por meio do Baermann-Moraes. Em casos graves, podem ser utilizados testes imunológicos, como Elisa, hemaglutinação indireta, imunofluorescência indireta. O estudo radiológico do intestino delgado auxilia o diagnostico.

 

Diagnóstico Diferencial

Ascaridíase, giardíase, ancilostomíase, pneumonia, urticaria, colecistite, pancreatite, eosinofilia pulmonar tropical. A larva currens deve ser diferenciada da larva migrans, causada pela larva do Ancylostoma brasiliensis e caninum.

 

Tratamento

Cambendazol, 5 mg/kg, em dose única, via oral; Tiabendazol, via oral, em vários esquemas terapêuticos:

 

a)   25 mg/kg/dia, durante 5 a 7 dias, esquema muito utilizado;

b)   50 mg/kg/dia, em dose única, à noite. A dose máxima recomendada e de 0,3 g;

c)   10 mg/dia, durante 30 dias.

 

Esse esquema e recomendado para situações de autoendoinfecção e deficiência da imunidade celular; Albendazol, 40 mg/dia, durante 3 dias, não recomendado em gestantes; Ivermectina, dose única, VO, obedecendo à escala de peso corporal

 

     15 a 24 kg: 1/2 comprimido;

     25 a 35 kg: 1 comprimido;

     36 a 50 kg: 1 comprimido;

     51 a 65kg: 2 comprimidos;

     65 a 79 kg: 21/2 comprimidos;

     80 kg: 3 comprimidos ou 200 mg/kg.

 

Controle de Cura

Três exames parasitológicos de fezes, após 7, 14 e 21 dias do tratamento.

 

Características Epidemiológicas

A doença ocorre mais em regiões tropicais e subtropicais. No Brasil, há variação regional em função da idade, diferenças geográficas e socioeconômicas. Os estados que mais frequentemente diagnosticam são: Minas Gerais, Amapá, Goiás e Rondônia.

 

VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA

Objetivos

Diagnosticar e tratar precocemente todos os casos, para evitar as formas graves.

 

Observações: Cuidado especial deve ser dado aos indivíduos que tem algum tipo de imunodeficiência, para evitar a síndrome de hiperinfecção, na qual as larvas ultrapassam a serosa intestinal, infectando diversos órgãos. A observação de Estrongiloidíase grave e de repetição requer avaliação de imunodeficiência associada. Os indivíduos que, por qualquer motivo, requeiram tratamento com imunossupressores devem ser avaliados criteriosamente e, se necessário, tratados antes de instituída a quimioterapia imunossupressora.

 

Notificação

Não é doença de notificação compulsória.

 

MEDIDAS DE CONTROLE

Redução da fonte de infecção com tratamento sanitário adequado das fezes e uso de calcados. Quimioterapia em massa em comunidades com alta endemicidade – apesar de preconizada por alguns autores – ainda não e uma medida adotada por todos. Tratar os animais domésticos infectados.

 

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