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paracoccidioidomicose

Última revisão: 04/02/2011

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Reproduzido de:

DOENÇAS INFECCIOSAS E PARASITÁRIAS – GUIA DE BOLSO – 8ª edição revista [Link Livre para o Documento Original]

MINISTÉRIO DA SAÚDE

Secretaria de Vigilância em Saúde

Departamento de Vigilância Epidemiológica

8ª edição revista

BRASÍLIA / DF – 2010

 

Paracoccidioidomicose

 

CID 10: B41

 

ASPECTOS CLÍNICOS E EPIDEMIOLÓGICOS

Descrição

Micose sistêmica, geralmente com sintomatologia cutânea importante, grave, que, na forma crônica, é conhecida como “tipo adulto” e, na forma aguda ou subaguda, como “tipo juvenil”. A primeira caracteriza-se por comprometimento pulmonar, lesões ulceradas de pele, mucosas (oral, nasal, gastrintestinal), linfadenopatias. Na forma disseminada, pode acometer todas as vísceras, frequentemente afetando a suprarrenal. A forma disseminada é rara e, quando ocorre, compromete o sistema fagocítico-mononuclear, que leva a disfunção da medula óssea. Na cavidade oral, evidencia-se uma estomatite, com pontilhado hemorrágico fino, conhecida como “estomatite moriforme de Aguiar-Pupo”. A classificação, a seguir, apresenta a interação entre o Paracoccidiodes brasiliensis e o homem, que resulta em simples infecção ou em doença, bem como as formas clínicas da Paracoccidioidomicose.

Infecção paracoccidioidica - Infecção do indivíduo pelo fungo sem presença de doença clinicamente manifesta.

Paracoccidioidomicose (doença) - Manifestações clínicas relacionadas a um ou mais órgãos, dependentes das lesões fúngicas em atividade ou de suas sequelas.

Forma regressiva - Doença benigna, com manifestações clínicas discretas, em geral pulmonares. Apresenta regressão espontânea, independente de tratamento.

Forma progressiva - Ocorre comprometimento de um ou mais órgãos, podendo evoluir para óbito, caso não seja tratada de maneira adequada. É dividida nas formas aguda e crônica, de acordo com a idade, duração e manifestações clínicas.

Forma aguda/subaguda, tipo infanto-juvenil ou juvenil – Representa a minoria dos casos (em geral, menos de 10%), podendo chegar a 50% em algumas regiões do Brasil, principalmente em áreas de colonização mais recentes submetidas a desmatamento. Acomete igualmente ambos os sexos até a puberdade, com ligeiro predomínio do sexo masculino após essa fase até os 30 anos. Os sítios orgânicos mais frequentemente atingidos são linfonodos superficiais (mais de 90% dos casos, podendo supurar e fistulizar), fígado, baço, pele, ossos, articulações. Geralmente, surgem massas abdominais decorrentes da fusão de linfonodos mesentéricos, podendo levar a quadros diversos, como de oclusão ou semioclusão intestinal, síndrome disabsortiva, dentre outras.

Forma crônica, tipo adulto - Representa cerca de 90% dos casos em várias regiões do Brasil. Predomina em indivíduos do sexo masculino acima dos 30 anos, trabalhador ou ex-trabalhador rural. As manifestações mais comuns são sinais e sintomas respiratórios, tosse produtiva com expectoração mucopurulenta. Nesses casos, muitas vezes estão associados sinais e sintomas extrapulmonares marcantes, como lesões mucocutâneas, disfagia, rouquidão, emagrecimento importante, síndrome de Addison. O paciente pode apresentar manifestações resultantes da fibrose cicatricial posterior ao tratamento – sequelas, tais como estenose de traqueia, síndrome disabsortiva, insuficiência de suprarrenal.

Outras formas - São esporádicas e podem ter apresentação clínica extremamente pleomórfica, com lesões variadas, isoladas ou múltiplas. Merece atenção as taxas crescentes de comprometimento do sistema nervoso central, que, às vezes, leva ao acometimento das funções vitais.

 

Sinonímia

Antigamente conhecida como blastomicose sul-americana ou moléstia de Lutz-Splendore e Almeida.

 

Etiologia

Fungo dimórfico denominado P. brasiliensis.

 

Reservatório

Solo contaminado com o agente.

 

Modo de Transmissão

Por inalação do fungo. Contaminação por meio de ferimentos cutâneos e mucosas é extremamente rara.

 

Período de Incubação

De 1 mês a anos.

 

Período de Transmissibilidade

Não há caso descrito de transmissão pessoa a pessoa.

 

Complicações

Podem ser decorrentes de comorbidades, como no caso de coinfecção com HIV e tuberculose. Os quadros, quando associados a essas infecções, tendem a ser mais graves. Outras complicações, como insuficiência suprarrenal e insuficiência respiratória, muitas vezes, são decorrentes de sequelas, como descrito anteriormente.

 

Diagnóstico

Clínico e laboratorial. Esse último é feito com o achado do parasita, que se apresenta como células arredondadas, de dupla parede, birrefringente, com ou sem gemulação. Quando há gemulação múltipla, o parasita toma aspecto de “roda de leme”. Provas sorológicas, como a imunodifusão em gel e histopatologia, são também empregadas.

 

Diagnóstico Diferencial

Com as outras micoses sistêmicas que compõem a síndrome verrucosa (tuberculose, esporotricose, histoplasmose em imunodeprimidos, leishmaniose tegumentar americana, cromomicose) e sífilis. Nas formas linfáticas, deve-se diferenciar do linfoma de Hodgkin, Tuberculose ganglionar e outras neoplasias.

 

Tratamento

Uma das opções a seguir:

 

     Itraconazol - 200mg/dia, logo após uma das principais refeições, em única tomada, por 6 a 9 meses, nas formas leves, e 12 a 18 meses, nas formas moderadas. É considerada a droga de escolha.

     Sulfametoxazol + Trimetoprim (adultos) - 800/160 mg/dia, VO, 12/12 horas, na ausência de imunodifusão, 12 meses, nas formas leves, e 18 a 24 meses, nas formas moderadas.

-      Crianças: Trimetoprim, 8 a 10mg/kg e Sulfametoxazol, 40 a 50mg/kg, VO, de 12/12 horas. Nas formas graves, Anfotericina B - 1mg/kg/dia, IV, diluído em 50 ml de soro glicosado a 5%, não ultrapassando a dose máxima diária de 50mg, ou solução endovenosa de Sulfametoxazol/Trimetoprim, na dose de 2 ampolas de 8/8 horas até a melhora clínica do paciente, quando então passa a receber medicação VO.

 

O Voriconazol tem apresentado bons resultados, sobretudo nas formas com comprometimento de SNC.

 

Características Epidemiológicas

Doença endêmica nas regiões tropicais da América do Sul, comum no Brasil em relação a outros países. Frequente em trabalhadores rurais, agricultores, operários da construção civil. Incide mais em homens do que em mulheres, pois o fungo, sofrendo ação do hormônio feminino 17-b-estradiol, torna-se incapaz de transformar-se em levedura, essencial para induzir a doença. A faixa etária de maior incidência é de 30 a 50 anos.

 

VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA

Objetivo

Esta doença não é objeto de vigilância epidemiológica nacional; mas, em alguns estados brasileiros, a Paracoccidioidomicose integra o rol das doenças de notificação compulsória. No Brasil, constitui-se na micose que causa maior número de óbitos, sendo considerada como condição definidora de aids.

 

Notificação

Não é doença de notificação compulsória nacional.

 

MEDIDAS DE CONTROLE

Não há medida de controle disponível. Devem-se tratar os doentes precoce e corretamente, visando impedir a evolução da doença e suas complicações. Indica-se desinfecção concorrente dos exsudatos, artigos contaminados e limpeza terminal.

 

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