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Peste

Última revisão: 04/02/2011

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Reproduzido de:

DOENÇAS INFECCIOSAS E PARASITÁRIAS – GUIA DE BOLSO – 8ª edição revista [Link Livre para o Documento Original]

MINISTÉRIO DA SAÚDE

Secretaria de Vigilância em Saúde

Departamento de Vigilância Epidemiológica

8ª edição revista

BRASÍLIA / DF – 2010

 

Peste

 

CID 10: A20

 

ASPECTOS CLÍNICOS E EPIDEMIOLÓGICOS

Descrição

A Peste se manifesta sob três formas clínicas principais: bubônica, septicêmica e pneumônica. A bubônica ou ganglionar varia desde formas ambulatoriais, que apresentam adenopatia com ou sem supuração, até formas graves e letais. As formas graves têm início abrupto, com febre alta, calafrios, cefaleia intensa, dores generalizadas, anorexia, náuseas, vômitos, confusão mental, congestão das conjuntivas, pulso rápido e irregular, taquicardia, hipotensão arterial, prostração e mal-estar geral. Após 2 ou 3 dias, aparecem as manifestações de inflamação aguda e dolorosa dos gânglios linfáticos da região que foi o ponto de entrada da bactéria (bubão pestoso), onde a pele fica brilhosa, distendida, vermelho-violácea, com ou sem hemorragias e necrose. São bastante dolorosas e fistulizam com drenagem de secreção purulenta. A forma septicêmica primária cursa com bacilos no sangue, ocasionando febre elevada, hipotensão arterial, grande prostração, dispneia, fácies de estupor e hemorragias cutâneas – às vezes serosas e mucosas e até nos órgãos internos. Coma e morte no fim de dois ou três dias, se não houver tratamento. Geralmente, a Peste septicêmica aparece na fase terminal da Peste bubônica não tratada. A forma pneumônica pode ser primária ou secundária a Peste bubônica ou septicêmica por disseminação hematogênica. É a forma mais grave e perigosa da doença, por seu quadro clínico e alta contagiosidade, podendo provocar epidemias explosivas. Inicia-se com quadro infeccioso grave, de evolução rápida (febre muito alta, calafrios, arritmia, hipotensão, náuseas, vômitos, astenia, obnubilação). Depois, surgem dor no tórax, respiração curta e rápida, cianose, expectoração sanguinolenta ou rósea, fluida, muito rica em bactérias. Surgem fenômenos de toxemia, delírio, coma e morte, se não houver instituição do tratamento precocemente.

 

Agente Etiológico

Yersinia pestis, cocobacilo gram-negativo, com coloração mais acentuada nos polos (bipolar).

 

Reservatórios

Roedores silvestres e sinantrópicos (Rattus rattus, Mus musculus) e os logomorfos (coelhos e lebres).

 

Vetores

Pulgas infectadas: Xenopsylla cheopis, Ctenocephalides canis (parasito do cão), Polygenis bohlsi jordani e Polygenis tripus (de roedores silvestres), Leptopsylla segnis (parasito do Mus musculus), dentre outros.

 

Modo de Transmissão

O principal modo de transmissão da Yersinia pestis ao homem é através da picada de pulgas infectadas. A Peste dos focos naturais é transmitida aos seres humanos quando esses adentram no ciclo zoonótico ou devido à interação de roedores sinantrópicos e silvestres, alimentando o ciclo domestico da Peste. Nesse ultimo caso, a intensa infestação por pulgas pode ocasionar transmissão persistente e manutenção do ciclo de transmissão. A transmissão da Peste de reservatórios naturais para o homem pode eventualmente seguir o tramite direto roedor silvestre ? homem, porem habitualmente segue o fluxo roedor silvestre ? pulga ? roedor sinantrópico ? pulga ?homem. As gotículas transportadas pelo ar e os fômites de pacientes com Peste pneumônica são a forma de transmissão mais frequente de pessoa a pessoa. Tecidos de animais infectados, fezes de pulgas e culturas de laboratório também são fontes de contaminação para quem os manipula sem obedecer às regras de biossegurança.

 

Período de Incubação

De 2 a 6 dias, ou de 1 dia para a Peste Pneumônica primária.

 

Período de Transmissibilidade

As pulgas permanecem infectadas durante vários dias e até meses. A Peste Bubônica não é transmitida de pessoa a pessoa, exceto se houver contato com secreção de bubão supurado. A Peste Pneumônica é altamente transmissível de pessoa a pessoa e seu periodo de transmissibilidade começa com o início da expectoração, permanecendo enquanto houver bacilos no trato respiratório. Esse periodo depende, também, do tratamento da doença.

 

Complicações

Choque séptico, insuficiência respiratória aguda.

 

Diagnóstico

Suspeita Clínica-epidemiológica e Exames específicos

     Bacteriológicos: bacterioscopia, cultura, hemocultura, provas bioquímicas (secreção colhida do bubão, escarro, exsudato orofaríngeo, sangue, fragmento de vísceras).

     Sorológicos: hemaglutinação passiva, Dot-Elisa e imunofluorescência direta.

 

Diagnóstico Diferencial

Adenites regionais supurativas, linfogranuloma venéreo, septicemias, pneumonias, forma bubônica da leishmaniose tegumentar americana.

 

Tratamento

Instituição precoce (se possível, nas primeiras 15 horas do início dos sintomas) de antibiótico ou quimioterápico, sem aguardar resultado de exames laboratoriais. A droga de escolha é a Tetraciclina, na dose de 2 a 4g/dia, VO, durante 10 dias, podendo ser usada de 4 a 6g, por via venosa, nas primeiras 48 horas, se houver gravidade. A Estreptomicina é um antibiótico bastante eficaz no tratamento da Peste, porem seu uso requer cuidado, pois pode causar intoxicação grave. Dosagem: 0,5g, IM, de 4/4 horas, nos 2 primeiros dias; a seguir, de 6/6 horas, até a melhora clínica. O Cloranfenicol é administrado nas complicações que envolvem espaços tissulares, na dose de 50 mg/kg/dia, de 6/6 horas, durante 10 dias. O tratamento de suporte requerido pode ser intenso.

 

Características Epidemiológicas

A Peste, apesar de ser uma enzootia de roedores silvestres que, só esporadicamente, atinge roedores sinantrópicos e o homem, tem grande importância epidemiológica por seu potencial epidêmico, sendo, por isso, doença de notificação compulsória. Sua cadeia epidemiológica é complexa, pois envolve roedores silvestres, roedores sinantrópicos, carnívoros domésticos (cães e gatos) e silvestres (pequenos marsupiais), pulgas e o homem. A sua persistência em focos naturais delimitados, no Brasil (nos estados do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro) e em outros países, torna difícil sua erradicação e impõe a manutenção regular do programa de vigilância e controle, mesmo com baixas ou esporádicas ocorrências de Peste bubônica e, até mesmo, na vigência de longos períodos sem manifestação aparente de atividade pestosa. Bahia (303 casos acumulados entre 1983 e 2008), Ceará (126 casos acumulados entre 1983 e 2008) e Paraíba (54 casos acumulados entre 1983 e 2008) são os estados que mais registram casos. Rio Grande do Norte e Minas gerais registram casos esporadicamente.

 

VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA

Objetivos

Impedir a transmissão para humanos dos focos naturais (prevenção primária); descobrir e cuidar precocemente dos casos humanos (prevenção secundária), visando diminuir a letalidade da doença e impedir a reintrodução da Peste urbana no Brasil.

 

Notificação

A Peste é uma doença de notificação compulsória (deve ser comunicada imediatamente, pela via mais rápida, as autoridades sanitárias) que continua tendo destaque no novo Regulamento Sanitário Internacional (ver capitulo Centros de Informações Estratégicas e Respostas em Vigilância em Saúde e Rede Nacional de Alerta e Respostas as Emergências em Saúde Pública (Rede CIEVS)) devido potencial de causar formas pneumônicas de elevado poder de contagioso. A investigação epidemiológica de cada caso é obrigatória.

 

Definição de Caso

     Suspeito - Todo paciente que apresentar quadro agudo de febre em área adstrita a um foco natural de Peste, que evolua com adenite (“sintomático ganglionar”); todo paciente proveniente (no periodo de 1 a 10 dias) de área com epidemia de Peste pneumônica e que apresente febre e outras manifestações clínicas da doença, especialmente sintomatologia respiratória.

     Confirmado – Todo paciente com quadro clínico de Peste e diagnóstico laboratorial confirmado, ou todo paciente com quadro clínico sugestivo de Peste e historia epidemiológica claramente compatível.

 

MEDIDAS DE CONTROLE

Focos Naturais

Informar e orientar as comunidades quanto à existência de focos de Peste na área e quanto às medidas de prevenção e controle; acompanhar a situação da população de roedores e pulgas, no ambiente doméstico e peridoméstico das habitações da área pestígena, por meio de capturas regulares; acompanhamento da atividade pestosa em animais, por meio de exames bacteriológicos de espécimes de roedores e pulgas e monitoramento soroepidemiológico de carnívoros (cães e gatos); evitar que roedores tenham acesso aos alimentos e ao abrigo; evitar picadas de pulgas em humanos; eliminar a população de roedores em situações especiais, antecedida pelo tratamento contra as pulgas (caso contrário, as pulgas, sem o seu alimento habitual, tem como alternativa invadir o ambiente doméstico).

 

Portos e Aeroportos

Mantê-los livres de pulgas e roedores, por meio do tratamento com inseticidas e raticidas; examinar todas as naves e navios oriundos de área com Peste Pneumônica; colocar passageiros com quadro clínico suspeito sob vigilância; proceder a quimioprofilaxia indicada, sempre que houver algum caso de Peste Pneumônica em uma aeronave ou navio.

 

Vigilância de Contatos

Manter sob estrita observação, por 7 dias (periodo máximo de incubação), as pessoas que tiverem contato com Peste Pneumônica ou pulgas infectadas.

 

Controle do Paciente

Tratar precoce e adequadamente; notificar imediatamente o caso; manter em isolamento restrito os casos pneumônicos; eliminar as pulgas das roupas e da habitação do paciente; realizar a desinfecção do escarro, das secreções purulentas, dos objetos contaminados e a limpeza terminal; manipular os cadáveres de acordo com as regras de assepsia.

 

Quimioprofilaxia de Contatos

Indicada para contatos de pacientes com Peste Pneumônica ou para indivíduos suspeitos de terem tido contato com pulgas infectadas, nos focos da doença. Drogas utilizadas: Sulfadiazina, 2 a 3g/dia, VO, dividida em 4 ou 6 tomadas, durante 6 dias; Sulfametoxazol + Trimetoprim: 400mg e 80mg, VO, respectivamente, de 12/12 horas, durante 6 dias; Tetraciclina: 1g ao dia, durante 6 dias (menores de 7 anos não podem fazer uso de tetraciclinas).

 

Despulização

O ambiente onde vivem os contatos deve ser despulizado (livre de pulgas), por meio do uso de inseticidas. Se houver indicação de desratização ou antirratização, eliminar as pulgas antes, para que as mesmas não invadam o ambiente domestico. Vacinas são pouco usadas por não serem de aplicação pratica e apresentarem baixa eficácia.

 

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