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Sífilis Adquirida e Congênita

Última revisão: 01/03/2011

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Reproduzido de:

DOENÇAS INFECCIOSAS E PARASITÁRIAS – GUIA DE BOLSO – 8ª edição revista [Link Livre para o Documento Original]

MINISTÉRIO DA SAÚDE

Secretaria de Vigilância em Saúde

Departamento de Vigilância Epidemiológica

8ª edição revista

BRASÍLIA / DF – 2010

 

Sífilis Adquirida e Congênita

 

CID 10: A50

 

SÍFILIS ADQUIRIDA

Aspectos Clínicos e Epidemiológicos

Descrição

     Sífilis adquirida - A Sífilis é uma doença infectocontagiosa sistêmica, de evolução crônica, com manifestações cutâneas temporárias, provocadas por uma espiroqueta. Sua evolução é dividida em recente e tardia. A transmissão da Sífilis Adquirida é sexual, na área genitoanal, na quase totalidade dos casos. Na Sífilis Congênita, ha infecção fetal via hematogênica, em qualquer fase gestacional ou estagio clínico da doença materna. A transmissão por transfusão sanguínea é rara nos dias atuais.

     Sífilis adquirida recente - Esta forma compreende o primeiro ano de evolução, período de desenvolvimento imunitário na Sífilis não tratada, e inclui as Sífilis primária, secundária e latente precoce e tardia. A Sífilis primária caracteriza-se por apresentar lesão inicial denominada cancro duro ou protossifiloma, que surge 10 a 90 dias (em media, 21 dias), ocorrendo adenite satélite. O cancro duro, usualmente, desaparece em 4 semanas, sem deixar cicatrizes. As reações sorológicas treponêmicas para Sífilis tornam-se positivas a partir da 3a semana de infecção, concomitante ao aparecimento do cancro duro, e as reações sorológicas não treponêmicas tornam-se positivas a partir da 4o ou 5o semana apos o contagio. A Sífilis secundária é marcada pela disseminação dos treponemas pelo organismo. Suas manifestações ocorrem de 4 a 8 semanas do aparecimento do cancro. A lesão mais precoce é constituída por exantema morbiliforme não pruriginoso: a roséola. Posteriormente, podem surgir lesões papulosas palmo-plantares, placas mucosas, adenopatia generalizada, alopecia em clareira e os condilomas planos. As reações sorológicas são sempre positivas. No período de Sífilis latente precoce, não existem manifestações clínicas visíveis, mas ha treponemas localizados em determinados tecidos. Assim, o diagnóstico só é obtido pelas reações sorológicas. Pode ocorrer com frequência polimicroadenopatia, particularmente de linfonodos cervicais, epitrocleanos e inguinais.

     Sífilis adquirida tardia - É considerada tardia apos o primeiro ano de evolução e inclui a Sífilis latente tardia. Ocorre em indivíduos infectados pelo treponema que não receberam tratamento adequado ou não foram tratados. Suas manifestações clínicas surgem após um período variável de latência (tardia). Compreendem as formas cutânea, óssea, cardiovascular, nervosa e outras. As reações sorológicas são positivas. A Sífilis tardia cutânea caracteriza-se por lesões gomosas e nodulares, de caráter destrutivo. Na Sífilis óssea, pode haver osteíte gomosa, periostite osteíte esclerosante, artralgias, artrites, sinovites e nódulos justa-articulares. O quadro mais frequente de comprometimento cardiovascular é a aortite sifilítica (determinando insuficiência aórtica), aneurisma e estenose de coronárias. A Sífilis do sistema nervoso é assintomatica ou sintomatica com as seguintes formas: meningovascular, meningite aguda, goma do cérebro ou da medula, crise epileptiforme, atrofia do nervo óptico, lesão do sétimo par, paralisia geral e tabes dorsalis.

 

Observação: Pessoas com HIV/aids podem ter a historia natural da sífilis modificada, desenvolvendo neurossífilis mais precoce e em maior frequência. Para esses pacientes é sempre indicada a punção lombar.

 

Sinonímia

Lues, doença gálica, lues venérea, mal gálico, sifilose, doença britânica, mal venéreo e Peste sexual.

 

Agente Etiológico

Treponema pallidum, espiroqueta de alta patogenicidade.

 

Reservatório

O homem.

 

Modo de Transmissão

Na Sífilis Adquirida, é sexual. O contagio extragenital é raro. A transmissão não sexual da Sífilis é excepcional, havendo poucos casos por transfusões de sangue e por inoculação acidental.

 

Período de Incubação

De 10 a 90 dias (com media de 21 dias).

 

Diagnóstico

Clínico, epidemiológico e laboratorial. A identificação do T. pallidum confirma o diagnóstico. A microscopia de campo escuro é a maneira mais rápida e eficaz para a observação do treponema, que se apresenta móvel, porem a pesquisa direta se aplica somente a material retirado das lesões. O diagnóstico sorológico baseia-se fundamentalmente em reações não-treponêmicas ou cardiolipínicas e reações treponêmicas. A prova de escolha na rotina é a reação de VDRL, uma microaglutinação que utiliza a cardiolipina. O resultado é dado em diluições e esse é o método para seguimento da resposta terapêutica, pois nota-se redução progressiva dos títulos. Sua desvantagem é a baixa especificidade, havendo reações falso-positivas, devido a outras patologias. Para confirmação diagnóstica, utiliza-se um teste treponêmico como o FTA-abs, que tem alta sensibilidade e especificidade, sendo o primeiro a positivar na infecção, porem não é útil para seguimento. O comprometimento do sistema nervoso é comprovado pelo exame do líquor, podendo ser encontradas pleiocitose, hiperproteinorraquia e positividade das reações sorológicas.

 

Diagnóstico Diferencial

     Cancro primário: cancro mole, herpes genital, linfogranuloma venéreo e donovanose.

     Lesões cutâneas na sífilis secundária: farmacodermia, sarampo, rubéola, pitiríase rósea de Gilbert, eritema polimorfo, hanseníase wirchowiana e colagenoses.

     Sífilis tardia: na presença de lesões gomosas, deve-se afastar tuberculose, leishmaniose, esporotricose entre outras doenças granulomatosas. Neurossífilis: aneurisma congênito, meningite tuberculosa, tumor intracraniano, distúrbios psiquiátricos e emocionais.

 

Tratamento

     Sífilis primária: Penicilina G benzatina, 2.400.000UI, IM, dose única (1.200.000UI, IV, em cada glúteo).

     Sífilis recente secundária e latente: Penicilina G benzatina, 2.400.000UI, IM, 1 vez por semana, 2 semanas (dose total de 4.800.000UI).

     Sífilis tardia (latente e terciária): Penicilina G benzatina, 2.400.000UI, IM, 1 vez por semana, 3 semanas (dose total de 7.200.000UI).

 

Vigilância Epidemiológica

Objetivos

Identificar os casos de Sífilis Adquirida para tratamento precoce.

 

Notificação

Não é doença de notificação compulsória.

 

Medidas de Controle

Observar a correta forma de tratamento dos pacientes para contribuir com a interrupção da cadeia de transmissão (diagnóstico e tratamento adequados).

     Aconselhamento - Orientações ao paciente com DST para que observe as possíveis situações de risco em suas praticas sexuais, desenvolva a percepção quanto à importância do seu tratamento e de seus parceiros sexuais e adote comportamentos preventivos. Promoção do uso de preservativos; aconselhamento aos parceiros, e educação em saúde, de modo geral.

 

Observação: As associações entre diferentes DST são frequentes, destacando-se, atualmente, a relação entre a presença de DST e o aumento do risco de infecção pelo HIV, principalmente na vigência de úlceras genitais. Desse modo, se o profissional estiver capacitado a realizar aconselhamento, pré e pós-teste, para detecção de anticorpos anti-HIV, quando do diagnóstico de uma ou mais DST, essa opção deve ser oferecida ao paciente. Portanto, toda DST constitui-se em evento sentinela para a busca de outra doença sexualmente transmissível e possibilidade de associação com o HIV. É necessário, ainda, registrar que o Ministério da Saúde preconiza a “abordagem sindrômica” aos pacientes com DST, visando aumentar a sensibilidade no diagnóstico e tratamento dessas doenças, o que resultara em maior impacto na sua redução.

 

SÍFILIS EM GESTANTES

Aspectos Clínicos e Epidemiológicos

Descrição

A sífilis é uma doença infectocontagiosa sistêmica, de evolução crônica, com manifestações cutâneas temporárias, sujeita a períodos de latência. Sua evolução é dividida em primária, secundária e terciária. A ocorrência de sífilis em gestantes evidencia falhas dos serviços de saúde, particularmente da atenção ao pré-natal, pois o diagnóstico precoce e o tratamento da gestante são medidas relativamente simples e bastante eficazes na prevenção da doença. A sífilis primária caracteriza-se por apresentar lesão inicial denominada cancro duro, que surge de 10 a 90 dias (em media, 21 dias) apos a infecção, ocorrendo adenite satélite. O cancro duro é caracterizado por lesão erosada ou ulcerada, geralmente única, indolor, com bordos endurecidos, fundo liso e brilhante, que desaparece em 4 semanas, sem deixar cicatrizes. As reações sorológicas treponêmicas para sífilis tornam-se positivas a partir da 3a semana de infecção e as reações sorológicas não treponêmicas tornam-se positivas a partir da 4a ou 5a semana apos o contagio. A sífilis secundária é marcada pela disseminação dos treponemas pelo organismo. Suas manifestações ocorrem de 6 a 8 semanas apos o aparecimento do cancro. A lesão mais precoce é constituída por roséola. Posteriormente, podem surgir lesões papulosas palmo-plantares, placas mucosas, adenopatia generalizada, alopecia em clareira e condilomas planos, que desaparecem em aproximadamente 6 meses. As reações sorológicas são sempre positivas. Apos o desaparecimento das lesões secundárias, a sífilis entra em um período de latência, não existindo manifestações clínicas visíveis, sendo o diagnóstico realizado exclusivamente por meio de testes laboratoriais. A sífilis terciária pode demorar de 2 a 40 anos para se manifestar. Ocorre em indivíduos infectados pelo treponema que receberam tratamento inadequado ou não foram tratados. Compreendem as formas cutânea, óssea, cardiovascular, nervosa e outras. As reações sorológicas são positivas. A sífilis tardia cutânea caracteriza-se por lesões gomosas e nodulares, de caráter destrutivo. Na sífilis óssea, pode haver osteíte gomosa, periostite, osteíte esclerosante, artralgias, artrites, sinovites e nódulos justa-articulares. O quadro mais frequente de comprometimento cardiovascular é a aortite sifilítica (determinando insuficiência aórtica), aneurisma e estenose de coronárias. A sífilis do sistema nervoso é assintomatica ou sintomatica com as seguintes formas: meningovascular, meningite aguda, goma do cérebro ou da medula, crise epileptiforme, atrofia do nervo óptico, lesão do sétimo par, paralisia geral e tabes dorsalis.

 

Período de Infecção

O tempo de evolução é extremamente variável, geralmente interrompido com o tratamento; entretanto, a remissão espontânea da doença é improvável. A evolução da infecção treponêmica determinara lesões deformantes, com destruição tecidual em tecido ósseo e cutaneomucoso, além das graves sequelas neurológicas. Manifestações gerais e sinais de comprometimento simultâneo de múltiplos órgãos, como febre, icterícia, hepatoesplenomegalia, linfadenopatia generalizada, anemia, entre outros sinais, podem ser observados isolados ou simultaneamente, caracterizam o período toxêmico. O tratamento adequado dos casos diagnosticados promove a remissão dos sintomas em poucos dias. As lesões tardias já instaladas, a despeito da interrupção da evolução da infecção, não serão revertidas com a antibioticoterapia.

 

Agente Etiológico

O Treponema pallidum é uma espiroqueta de alta patogenicidade.

 

Reservatório

O homem

 

Modo de Transmissão

A Sífilis Adquirida é uma doença de transmissão predominantemente sexual: aproximadamente, um terço dos indivíduos expostos a um parceiro sexual com sífilis adquirira a doença. O T. pallidum, quando presente na corrente sanguínea da gestante, atravessa a barreira placentária e penetra na corrente sanguínea do feto. A transmissão pode ocorrer em qualquer fase da gestação, estando, entretanto, na dependência do estado da infecção na gestante, ou seja, quanto mais recente a infecção, mais treponemas estarão circulantes e, portanto, mais gravemente o feto será atingido. Inversamente, infecção antiga leva a formação progressiva de anticorpos pela mãe, o que atenuara a infecção ao concepto, produzindo lesões mais tardias na criança.

 

Período de Incubação

Cerca de 21 dias a partir do contato sexual infectante.

 

Período de Transmissibilidade

Na fase primária: media 21 dias: 100% de transmissibilidade. Na fase secundária: entre 6 semanas e 6 meses: 90% de transmissibilidade. Na fase terciária: mais de 1 ano: 30% de transmissibilidade.

 

Diagnóstico Diferencial

Da sífilis primária: Cancro Mole, herpes genital, Linfogranuloma Venéreo, Donovanose, câncer, leishmaniose, trauma. Sífilis secundária: farmarcodermias, doenças exantemáticas não vesiculosas, Hanseníase, colagenoses. Sífilis terciária: Tuberculose, leishmaniose, aneurismas congênitos, tumor intracraniano, distúrbios psiquiátricos e emocionais.

 

Diagnóstico Laboratorial

Microscopia direta - A pesquisa do T. pallidum em material coletado de lesão cutaneomucosa, de biopsia ou autopsia, é um procedimento que apresenta sensibilidade de 70 a 80%. A preparação é a observação em campo escuro, imediatamente apos a coleta do espécime, permitem visualizar os treponemas moveis; quando a observação não pode ser realizada logo apos a coleta, a imunofluorescência direta está indicada. Os fatores que diminuem a sensibilidade do teste são: coleta inadequada dos espécimes, tratamento prévio e coleta nas fases finais da evolução das lesões, quando a população de T. pallidum estará muito reduzida.

Sorologia não treponêmica (VDRL) - Indicada para o diagnóstico e seguimento terapêutico, devido à propriedade de ser passível de titulação. A sensibilidade do teste, na fase primária, é de 78%, elevando-se nas fases secundária (100%) e latente (cerca de 96%). Com mais de 1 ano de evolução, a sensibilidade cai progressivamente, fixando-se, em media, em 70%. A especificidade do teste é de 98%. Apos instituído o tratamento, o VDRL apresenta queda progressiva nas titulações, podendo resultar reagente por longos períodos, mesmo apos a cura da infecção (cicatriz sorológica).

Sorologia treponêmica (FTA-abs, TPHA, imunofluorescência) - São testes específicos, uteis para confirmação do diagnóstico. A sensibilidade dos testes treponêmicos na Sífilis Adquirida é de 84% na fase primária, de 100% nas fases secundária e latente, e de cerca de 96% na sífilis terciária.

 

Tratamento

A penicilina é a droga de escolha para todas as apresentações da sífilis. Não ha relatos consistentes na literatura de casos de resistência treponêmica a droga. A análise clínica do caso indicara o melhor esquema terapêutico.

 

Quadro 30. Resumo dos esquemas terapêuticos para sífilis em gestantes e controle de cura

Estadiamento

Penicilina G Benzatina

Intervalo entre as séries

Controle de cura (sorologia)

Sífilis primária

1 série1 Dose total: 2.400.000UI IM

Dose única

VDRL mensal

Sífilis secundária ou latente com menos de 1 ano de evolução

2 séries Dose total: 4.800.000 UI IM

1 semana

 VDRL mensal

Sífilis terciária ou com mais de 1 ano de evolução ou com duração ignorada

3 séries Dose total: 7.200.000UI IM

1 semana

VDRL mensal

1 1 série de penicilina benzatina = 1 ampola de 1.200.000 UI aplicada em cada glúteo.

 

Tratamento inadequado para sífilis materna

     Tratamento realizado com qualquer medicamento que não seja a penicilina; ou

     Tratamento incompleto, mesmo tendo sido feito com penicilina; ou

     Tratamento inadequado para a fase clínica do doença; ou

     Instituição de tratamento dentro do prazo dos 30 dias anteriores ao parto; ou

     Ausência de documentação de tratamento anterior; ou

     Ausência de queda dos títulos (sorologia não treponêmica) após tratamento adequado; ou

     Parceiro não tratado ou tratado inadequadamente ou quando não se tem a informação disponível sobre o seu tratamento.

 

Aspectos Epidemiológicos

A sífilis em gestante é doença de notificação compulsória desde 2005. A notificação e vigilância desse agravo são imprescindíveis para o monitoramento da transmissão vertical, cujo controle é o objetivo do Plano Operacional para a Redução da Transmissão Vertical do HIV e da Sífilis, lançado em 2007.

 

Objetivos

Identificar os casos de sífilis em gestantes no pré-natal para subsidiar as ações de prevenção e controle da Sífilis Congênita.

Conhecer o perfil epidemiológico da sífilis em gestantes no Brasil e suas tendências.

 

Definição de Caso

Para fins de vigilância epidemiológica, será considerado caso de sífilis em gestantes e assim devera ser notificado: gestante que durante o pré-natal apresente evidência clínica de sífilis e/ou sorologia não treponêmica reagente, com teste treponêmico positivo ou não realizado.

 

Notificação e Investigação

É doença de notificação compulsória e todo caso definido como sífilis em gestantes, segundo o critério descrito na definição de caso, deve ser notificado a vigilância epidemiológica.

 

Medidas de Controle

Antes da Gravidez

     Diagnóstico precoce em mulheres em idade reprodutiva e seus parceiros.

     Realização do teste VDRL em mulheres que manifestem a intenção de engravidar.

     Tratamento imediato dos casos identificados em mulheres e seus parceiros.

 

Durante a Gravidez

Realizar o teste VDRL no 1o trimestre da gravidez ou na 1a consulta, e outro, no inicio do 3o trimestre. Na ausência de teste confirmatório, considerar para o diagnóstico as gestantes com VDRL reagente, em qualquer titulação, desde que não tratadas anteriormente de forma adequada ou que a documentação desse tratamento não esteja disponível.

 

Aconselhamento

A adoção de praticas sexuais seguras, associada ao bom desempenho na execução do pré-natal, são pecas chaves para o controle do agravo. A população alvo devera receber informações sobre a prevenção das DST e o direito a uma assistência medica humanizada e de qualidade.

 

Estratégias de Prevenção

As ações de prevenção da sífilis em gestantes baseiam-se em três pontos estratégicos, a seguir visualizados na Figura 1.

 

Figura 1. Oportunidades estratégicas para o controle da Sífilis Congênita e suas complicações.

Reduzir a morbimortalidade

Parto ou curetagem

Prevenir DST em mulheres em idade fértil

Período de atuação

Anterior à gestação

Evitar a transmissão para o concepto

Objetivos gerais

População geral

Gestantes no pré-natal

Recém-nascido

Diagnóstico e tratamento precoce da sífilis adquirida; incentivo ao uso regular de preservativo

VDRL no 1º e 3º trimestres da gestação; tratamento da gestante e do parceiro

VDRL em parturientes: se positivo, investigar recém-nascido

Tratamento

Grupos alvos

Principais atividades

 

SÍFILIS CONGÊNITA

Aspectos Clínicos e Epidemiológicos

Descrição

A sífilis é uma doença infectocontagiosa sistêmica, de evolução crônica. A Sífilis Congênita é a infecção do feto pelo Treponema pallidum, transmitida por via placentária, em qualquer momento da gestação ou estagio clínico da doença em gestante não tratada ou inadequadamente tratada. Sua ocorrência evidência falhas dos serviços de saúde, particularmente da atenção ao pré-natal, pois o diagnóstico precoce e tratamento da gestante são medidas relativamente simples e bastante eficazes na prevenção dessa forma da doença. O quadro clínico da Sífilis Congênita é variável, de acordo com alguns fatores: o tempo de exposição fetal ao treponema, a carga treponêmica materna, a virulência do treponema, o tratamento da infecção materna, a coinfecção materna pelo HIV ou outra causa de imunodeficiência. Esses fatores poderão acarretar aborto, natimorto ou óbito neonatal, bem como Sífilis Congênita “sintomatica” ou “assintomatica” ao nascimento. A Sífilis Congênita é classificada em recente e tardia. Sífilis Congênita recente: os sinais e sintomas surgem logo apos o nascimento ou nos primeiros 2 anos de vida, comumente nas 5 primeiras semanas. Os principais sinais são baixo peso, rinite com coriza serossanguinolenta, obstrução nasal, prematuridade, osteocondrite, periostite ou osteíte, choro ao manuseio. Podem ocorrer hepatoesplenomegalia, alterações respiratorias ou pneumonia, hidropisia, pseudoparalisia dos membros, fissura orificial, condiloma plano, pênfigo palmoplantar e outras lesões cutâneas, icterícia e anemia. Quando ocorre invasão maciça de treponemas e/ou esses são muito virulentos, a evolução do quadro é grave e a letalidade, alta. A placenta encontra-se volumosa, com lesões e manchas amareladas ou esbranquiçadas. Sífilis Congênita tardia: os sinais e sintomas são observados a partir do 2o ano de vida. Os principais sintomas são: tíbia em lamina de sabre, fronte olímpica, nariz em sela, dentes deformados (dentes de Hutchinson), mandíbula curta, arco palatino elevado, ceratite intersticial com cegueira, surdez neurológica, dificuldade no aprendizado, hidrocefalia e retardo mental. Período de infecção: o tempo de evolução é extremamente variável, geralmente interrompido com o tratamento. A remissão espontânea da doença é improvável. A evolução da infecção treponêmica determinara lesões deformantes, com destruição tecidual em tecido ósseo e cutaneomucoso, além das graves sequelas neurológicas. Quando estão presentes lesões cutâneas e mucosas, ricas em treponemas, pode ocorrer contagio involuntário, quando do manuseio inadequado/desprotegido das crianças com Sífilis Congênita, por parte dos familiares e profissionais de saúde. Período toxêmico: o quadro clínico é variável. Manifestações gerais e sinais de comprometimento simultâneo de múltiplos órgãos, como febre, icterícia, hepatoesplenomegalia, linfadenopatia generalizada, anemia, entre outros sinais, podem ser observadas isoladas ou simultaneamente. Manifestações graves ao nascimento, tais como pneumonia intersticial e insuficiência respiratória, com risco de vida, requerem especial atenção. Remissão: o tratamento adequado dos casos diagnosticados promove a remissão dos sintomas, em poucos dias. As lesões tardias já instaladas, a despeito da interrupção da evolução da infecção, não serão revertidas com a antibioticoterapia.

 

Agente Etiológico

Treponema pallidum, espiroqueta de alta patogenicidade.

 

Reservatório

O homem.

 

Modo de Transmissão

A infecção fetal é o resultado da disseminação hematogênica do T. pallidum por via transplacentária, em qualquer fase gestacional.

 

Período de Incubação

De 10 a 90 dias (com media de 21 dias).

 

Período de Transmissibilidade

A transmissão vertical pode ocorrer por todo o período gestacional. Acreditava-se que a infecção fetal não ocorresse antes do 4o mês de gestação. Entretanto, já se constatou a presença de T. pallidum em fetos abortados, ainda no 1o trimestre da gravidez.

 

Diagnóstico

Clínico, epidemiológico e laboratorial. A identificação do T. pallidum confirma o diagnóstico. A microscopia de campo escuro é a maneira mais rápida e eficaz para a observação do treponema, que se apresenta móvel, porem a pesquisa direta se aplica somente a material retirado das lesões. O diagnóstico sorológico baseia-se fundamentalmente em reações não-treponêmicas ou cardiolipínicas e reações treponêmicas. A prova de escolha na rotina é a reação de VDRL, uma microaglutinação que utiliza a cardiolipina. O resultado é dado em diluições e esse é o método para seguimento da resposta terapêutica, pois nota-se redução progressiva dos títulos. Sua desvantagem é a baixa especificidade, havendo reações falso-positivas, devido a outras patologias. Para confirmação diagnóstica, utiliza-se um teste treponêmico como o FTA-abs, que tem alta sensibilidade e especificidade, sendo o primeiro a positivar na infecção, porem não é útil para seguimento. O comprometimento do sistema nervoso é comprovado pelo exame do líquor, podendo ser encontradas pleiocitose, hiperproteinorraquia e positividade das reações sorológicas. O exame radiológico de ossos longos é útil como apoio ao diagnóstico da Sífilis Congênita.

 

Diagnóstico Diferencial

Outras infecções congênitas (toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus e herpes).

 

Tratamento

A penicilina á a droga de escolha para todas as formas de sífilis. Sífilis Congênita no período neonatal (antes de 28 dias) - Em qualquer circunstância, toda gestante devera fazer VDRL quando da admissão hospitalar ou imediatamente apos o parto; todo recém-nascido cuja mãe apresente sorologia positiva para Sífilis devera fazer VDRL de sangue periférico. Assim, todo Recém-nascidos de mães com Sífilis não tratada ou inadequadamente tratada independentemente do resultado do VDRL do recém-nascido, realizar: hemograma, radiografia de ossos longos, punção lombar (na impossibilidade de realizar esse exame, tratar o caso como neurossífilis) e outros exames, quando clinicamente indicados. De acordo com a avaliação clínica e de exames complementares: a) se houver alterações clínicas e/ou sorológicas e/ou radiológicas e/ou hematológicas, o tratamento devera ser feito com Penicilina G Cristalina, na dose de 50.000UI/Kg/dose, por via endovenosa, a cada 12 horas (nos primeiros 7 dias de vida) e a cada 8 horas (após 7 dias de vida), durante 10 dias; ou Penicilina G Procaína, 50.000UI/kg, dose única diária, IM, durante 10 dias; b) se houver alteração liquórica, o tratamento devera ser feito com Penicilina G Cristalina, na dose de 50.000UI/kg/dose, por via endovenosa, a cada 12 horas; c) se não houver alterações clínicas, radiológicas, hematológicas e/ou liquóricas, e a sorologia for negativa, deve-se proceder ao tratamento com Penicilina G Benzatina, por via intramuscular, na dose única de 50.000UI/kg. O acompanhamento é obrigatório, incluindo o seguimento com VDRL sérico apos conclusão do tratamento. Sendo impossível garantir o acompanhamento, o recém-nascido devera ser tratado com o Esquema 1. Nas situações em que o Recém-nascido for de mãe com sífilis adequadamente tratada, realizar o VDRL em amostra de sangue periférico do recém-nascido; se esse for reagente com titulação maior do que a materna, e/ou na presença de alterações clínicas, realizar hemograma, radiografia de ossos longos e analise do LCR: a) se houver alterações clínicas e/ou radiológicas, e/ou hematológica sem alterações liquóricas, o tratamento devera ser feito como no item 1 de recém-nascidos de mães não tratadas ou inadequadamente tratadas; b) se houver alteração liquórica, o tratamento devera ser feito como no item 2 de recém-nascidos de mães não tratadas ou inadequadamente tratadas; c) se for assintomático e o VDRL não for reagente, proceder apenas ao seguimento clínico-laboratorial. Na impossibilidade de garantir o seguimento, deve-se proceder ao tratamento com Penicilina G Benzatina, IM, na dose única de 50.000UI/Kg; d) se for assintomático e tiver o VDRL reagente, com título igual ou menor que o materno, acompanhar clinicamente. Na impossibilidade do seguimento clínico, investigar e tratar como no item 1 de recém-nascidos de mães não tratadas ou inadequadamente tratadas (sem alterações de LCR) ou no item 2 de recém-nascidos de mães não tratadas ou inadequadamente tratadas (se houver alterações no LCR).

 

Observações: No caso de interrupção por mais de um dia de tratamento, o mesmo devera ser reiniciado. Efetuar exame oftalmológico (fundo de olho) em todas as crianças sintomáticas.

     Seguimento - Ambulatorial mensal; realizar VDRL com 1, 3, 6, 12, 18 e 24 meses, interrompendo quando negativar. Diante de elevações de títulos sorológicos ou não-negativação desses ate os 18 meses, reinvestigar o paciente.

     Sífilis congênita após o período neonatal - Crianças com quadros clínico e sorológico sugestivos de Sífilis Congênita devem ser cuidadosamente investigadas, obedecendo-se a rotina acima referida. Confirmando-se o diagnóstico, proceder ao tratamento conforme preconizado, observando-se o intervalo das aplicações, que, para a Penicilina G cristalina, deve ser de 4/4 horas, e para a Penicilina G procaína, de 12/12 horas, mantendo-se os mesmos esquemas de doses recomendados.

     Sífilis e aids - Pessoas vivendo com HIV/aids podem ter a historia natural da sífilis modificada, desenvolvendo neurossífilis mais precoce e em maior frequência. Para esses pacientes é sempre indicada a punção lombar.

 

Vigilância Epidemiológica

Objetivos

Identificar os casos de Sífilis Congênita para subsidiar as ações de prevenção e controle desse agravo, intensificando-as no pré-natal, e conhecer o perfil epidemiológico dessa doença, no Brasil, e suas tendências.

 

Notificação

A Sífilis Congênita é doença de notificação compulsória desde 1986 (Portaria MS no 542, de 22/12/1986), notificando-se os casos confirmados.

 

Definição de Caso

Para fins de vigilância epidemiológica, será considerado caso de Sífilis Congênita:

 

     Toda criança, aborto ou natimorto de mãe com evidência clínica para Sífilis e/ou sorologia não-treponêmica reagente para Sífilis, com qualquer titulação, na ausência de teste confirmatório treponêmico, realizado no pré-natal, no momento do parto ou curetagem, cuja mãe não tenha sido tratada ou tenha recebido tratamento inadequado;

     Todo indivíduo com menos de 13 anos, apresentando as seguintes evidências sorológicas: - titulações ascendentes (testes não-treponêmicos), e/ou - testes não-treponêmicos reagentes apos 6 meses (exceto em situação de seguimento terapêutico), e/ou - testes treponêmicos reagentes apos 18 meses, e/ou títulos em teste não-treponêmico maiores que os da mãe. Em caso de evidência sorológica apenas, deve ser afastada a possibilidade de Sífilis Adquirida;

     Todo indivíduo com menos de 13 anos, com teste não treponêmico reagente e evidência clínica, liquórica ou radiológica de Sífilis Congênita;

     Toda situação de evidência de T. pallidum em placenta ou cordão umbilical e/ou amostra de lesão, biopsia ou necropsia de criança, produto de aborto ou natimorto, por meio de exames microbiológicos.

 

Medidas de Controle

O Ministério da Saúde é signatário de acordo internacional que busca a eliminação da Sífilis Congênita. Para alcançar tal objetivo, estão sendo implementadas atividades especiais para o alcance dessa meta. Deve-se, portanto, observar a correta forma de tratamento dos pacientes; a plena integração de atividades com outros programas de saúde; o desenvolvimento de sistemas de vigilância locais ativos e a interrupção da cadeia de transmissão (diagnóstico e tratamento adequados).

     Aconselhamento - Orientações ao paciente com DST para que observe as possíveis situações de risco em suas praticas sexuais, desenvolva a percepção quanto à importância do seu tratamento e de seus parceiros sexuais e adote comportamentos preventivos.

     Promoção do uso de preservativos.

     Aconselhamento aos parceiros.

     Educação em saúde, de modo geral.

 

Observação: As associações entre diferentes DST são frequentes, destacando-se, atualmente, a relação entre a presença de DST e o aumento do risco de infecção pelo HIV, principalmente na vigência de úlceras genitais. Desse modo, se o profissional estiver capacitado a realizar aconselhamento, pré e pós-teste, para detecção de anticorpos anti-HIV, quando do diagnóstico de uma ou mais DST, essa opção deve ser oferecida ao paciente. Portanto, toda DST constitui-se em evento sentinela para a busca de outra doença sexualmente transmissível e possibilidade de associação com o HIV. É necessário, ainda, registrar que o Ministério da Saúde preconiza a “abordagem sindrômica” aos pacientes com DST, visando aumentar a sensibilidade no diagnóstico e tratamento dessas doenças, o que resultara em maior impacto na sua redução.

 

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