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Última revisão: 31/05/2009

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Reproduzido de:

Dermatologia na Atenção Básica de Saúde / Cadernos de Atenção Básica Nº 9 / Série A - Normas de Manuais Técnicos; n° 174 [Link Livre para o Documento Original]

MINISTÉRIO DA SAÚDE

Secretaria de Políticas de Saúde

Departamento de Atenção Básica

Área Técnica de Dermatologia Sanitária

BRASÍLIA / DF – 2002

 

Escabiose

CID-10: B86

 

DESCRIÇÃO DA ESCABIOSE

Parasitose da pele causada por um ácaro cuja penetração deixa lesões em forma de vesículas, pápulas ou pequenos sulcos, nos quais ele deposita seus ovos. As áreas preferenciais da pele onde se visualizam essas lesões são: regiões interdigitais, punhos (face anterior), axilas (pregas anteriores), região periumbilical (Figura 1), sulco interglúteo, órgãos genitais externos nos homens (Figura 2). Em crianças e idosos, podem também ocorrer no couro cabeludo, nas palmas e plantas (Figura 3). O prurido é intenso e, caracteristicamente, maior durante a noite, por ser o período de reprodução e deposição de ovos.

 

Figura 1: Escabiose em região periumbilical.

 

Figura 2: Escabiose em genitais externos masculinos.

 

 

Figura 3: Escabiose em palmas e plantas.

 

 

SINONÍMIA

Sarna, coruba, jareré, pereba, pira.

 

ETIOLOGIA DA ESCABIOSE

Sarcoptes scabiei.

 

RESERVATÓRIO

O homem.

 

MODO DE TRANSMISSÃO DA ESCABIOSE

Contato direto com doentes, roupa de cama de doente, relações sexuais. O ácaro pode perfurar e penetrar na pele em, aproximadamente, 2,5 minutos. Os doentes com sarna norueguesa são altamente infectantes, possuindo grande quantidade do ácaro nas escamas da pele.

 

PERÍODO DE INCUBAÇÃO DA ESCABIOSE

De 1 dia a 6 semanas.

 

PERÍODO DE TRANSMISSIBILIDADE DA ESCABIOSE

Durante todo o período de doença. São necessários, geralmente, dois ciclos de tratamento, com intervalo de uma semana.

 

COMPLICAÇÕES DA ESCABIOSE

Infecções secundárias pela “coçadura”. Em pacientes imunocomprometidos, as lesões formam crostas espessas ou dermatite generalizada, com intensa descamação. Essa forma também pode ocorrer em idosos, nos quais o prurido é menor ou não existe. A forma crostosa ou generalizada é denominada de sarna norueguesa (ou sarna crostosa). Nesses casos é grande a quantidade de parasitos.

 

DIAGNÓSTICO DA ESCABIOSE

Clínico e/ou com visualização do ácaro à microscopia pelo raspado ou biópsia de pele.

 

TRATAMENTO DA ESCABIOSE

Ivermectina, dose única, VO, obedecendo a escala de peso corporal (15 a 24 kg - 1/2 comprimido; 25 a 35 kg - 1 comprimido; 36 a 50 kg - 1 1/2 comprimidos; 51 a 65 kg – 2 comprimidos; 65 a 79 kg - 2 1/2 comprimidos; 80 kg ou mais, 3 comprimidos ou 200 mg/kg), a dose pode ser repetida após uma semana. Permetrima a 5% em creme, uma aplicação à noite, por 6 noites, ou deltametrina, em loções e shampoos, uso diário por 7 a 10 dias. Enxofre a 10% diluído em petrolatum deve ser usado em mulheres grávidas e crianças abaixo de 2 anos de idade.

Pode-se usar anti-histamínicos sedantes (dexclorfeniramina, prometazina), para alívio do prurido. Havendo infecção secundária, utiliza-se antibioticoterapia sistêmica. Evitar a iatrogenia utilizando o escabicida repetidas vezes. Considerar fracasso terapêutico a presença de sinais e sintomas após 2 semanas. Se os sintomas reaparecerem após 4 semanas, considerar reinfestação.

 

CARACTERÍSTICAS EPIDEMIOLÓGICAS DA ESCABIOSE

Tem ocorrência universal e pode ou não estar vinculada a hábitos de higiene. É freqüente em guerras e em aglomerados populacionais. Geralmente, ocorre sob a forma de surtos em comunidades fechadas ou em grupos familiares.

 

OBJETIVOS DA VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA

Manter a doença sob controle, evitando surtos.

 

NOTIFICAÇÃO

Não é doença de notificação compulsória.

 

MEDIDAS DE CONTROLE DA ESCABIOSE

Tratamento do doente; lavar as roupas de banho e de cama com água quente (pelo menos a 55°C); lavar com água quente todos os fômites dos pacientes com sarna norueguesa; buscar casos na família ou nos residentes do mesmo domicílio do doente e tratá-los o mais breve possível. A Escabiose, raramente, vem como caso isolado, por esse motivo tratar as pessoas que tiveram contato cutâneo com o doente. Isolamento: deve-se afastar o indivíduo da escola ou trabalho até 24 horas após o término do tratamento. Em caso de paciente hospitalizado, recomenda-se o isolamento a fim de evitar surtos em enfermarias, tanto para outros doentes, quanto para profissionais de saúde, especialmente em se tratando da sarna norueguesa.

 

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