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Eritropoietina para Neuroproteção em Bebês Pré-Termo

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 06/04/2020

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Contexto Clínico

 

Análiseslaboratoriais (fora do contexto deensaios clínicos) já foram capazes de demonstrar que altas doses deeritropoietina têm efeito neuroprotetor em modelos de lesão cerebral neonatal,e os ensaios de fase 2 sugeriram possível eficácia; no entanto, os benefícios ea segurança dessa terapia em bebês extremamente prematuros não foramestabelecidos.

 

O Estudo

 

Neste estudo multicêntrico, randomizado, duplo-cego,de altas doses de eritropoietina, os pesquisadores randomizaram 941 bebêsnascidos com 24 semanas e 0 dias até 27 semanas e 6 dias de gestação parareceber eritropoietina ou placebo nas 24 horas após o nascimento. Aeritropoietina foi administrada por via intravenosa na dose de 1.000 U/kg depeso corporal a cada 48 horas para um total de seis doses, seguida de uma dosede manutenção de 400 U/kg 3 vezes por semana por injeção subcutânea até queestivessem com 32 semanas completas de idade prevista com base na últimamenstruação da mãe. O placebo foi administrado como solução salina intravenosaseguida de injeções simuladas. O desfecho primário foi morte ou comprometimentograve do desenvolvimento neurológico aos 22 a 26 meses de idade pós-menstrual.O comprometimento grave do desenvolvimento neurológico foi definido comoparalisia cerebral grave ou um escore cognitivo motor ou composto inferior a 70(que corresponde a 2 DP abaixo da média, com pontuações mais altas indicandomelhor desempenho) nas Escalas Bayley de Desenvolvimento de Bebês e Crianças,terceira edição.

Foram incluídas na análise de eficácia por protocolo741 crianças: 376 receberam eritropoietina, e 365 receberam placebo. Não houvediferença significativa entre o grupo eritropoietina e o grupo placebo naincidência de morte ou comprometimento grave do desenvolvimento neurológico aos2 anos de idade (97 crianças [26%] vs. 94 crianças [26%]; risco relativo, 1,03;intervalo de confiança de 95%, 0,81 a 1,32; P = 0,80). Não houve diferençassignificativas entre os grupos nas taxas de retinopatia da prematuridade,hemorragia intracraniana, sepse, enterocolite necrosante, displasiabroncopulmonar ou morte ou na frequência de eventos adversos graves.

 

Aplicação Prática

 

Esse estudo demonstra que uma hipótese levantada nãonecessariamente se converte em evidência quando submetida à prova de um ensaioclínico. Nesse caso, o tratamento com altas doses de eritropoietinaadministrado a bebês extremamente prematuros entre 24 horas após o nascimento e32 semanas de idade pós-menstrual não resultou em menor risco decomprometimento grave do desenvolvimento neurológico ou morte aos 2 anos deidade. Infelizmente, essa conduta, apesar de parecer promissora, por ora nãodeve ser adotada.

 

Bibliografia

 

Juul SE et al. ARandomized Trial of Erythropoietin for Neuroprotection in Preterm Infants. NEngl J Med 2020; 382:233-243.

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