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Trajetória de Atividade Física e Mortalidade

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 03/12/2019

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Contexto Clínico

 

Praticaratividade física é uma ação associada a menores riscos de mortalidade por todasas causas, doenças cardiovasculares e certos tipos de câncer, conforme diversosestudos observacionais. De 1975 a 2016, mais de 90% das investigaçõesepidemiológicas sobre atividade física e mortalidade usaram uma única avaliaçãoda atividade física no início do estudo. Porém, relacionar os riscos demortalidade aos níveis basais de atividade física não leva em conta a variaçãopessoal a longo prazo, diluindo potencialmente as associações epidemiológicas.Como os comportamentos de atividade física são complexos e variam ao longo davida, avaliar trajetórias de atividade física da pessoa ao longo do tempocaracterizaria melhor a associação entre atividade física e mortalidade.

 

O Estudo

 

Este foi umestudo de coorte feito com adultos do Reino Unido. Participaram 14.599 homens emulheres (entre 40 e 79 anos) que foram avaliados no início (1993 a 1997) até2004 para estilo de vida e outros fatores de risco e que foram seguidos até2016 para mortalidade (mediana de 12,5 anos de seguimento, após a últimaavaliação de exposição). O fator de exposição avaliado foi o gasto de energiaem atividade física (Physical Activity Energy Expenditure ? PAEE) derivada dequestionários, calibrados contra o movimento combinado e monitoramento da frequênciacardíaca.

O desfechomedido foi a mortalidade por todas as causas, doenças cardiovasculares ecâncer. Modelos de regressão de riscos proporcionais multivariados foramajustados para idade, sexo, dados sociodemográficos e mudanças na históriamédica, qualidade global da dieta, índice de massa corporal, pressão arterial,triglicerídeos e níveis de colesterol.

Durante171.277 pessoas-ano de acompanhamento, ocorreram 3.148 mortes. Aumentos delongo prazo no PAEE foram inversamente associados à mortalidade, independentedo PAEE basal. Para cada aumento de 1kJ/kg/dia por ano no PAEE (equivalente àtrajetória de inatividade no início e gradualmente, ao longo de 5 anos,atendendo às diretrizes mínimas de atividade física da Organização Mundial deSaúde de 150 minutos/semana de atividade física de intensidade moderada), asrazões de risco foram: 0,76 (IC 95%: 0,71 a 0,82) para mortalidade por todas ascausas, 0,71 (0,62 a 0,82) para mortalidade por doença cardiovascular e 0,89(0,79 a 0,99) para mortalidade por câncer, ajustadas para PAEE e fatores derisco.

Resultadossemelhantes foram observados quando as análises foram estratificadas porhistória médica de doença cardiovascular e câncer. Análises conjuntas com linhade base e trajetórias de atividade física mostram que, em comparação comindivíduos consistentemente inativos, aqueles com trajetórias crescentes deatividade física apresentaram menores riscos de mortalidade por todas ascausas, com razões de risco de 0,76 (0,65 a 0,88), 0,62 (0,53 a 0,72) e 0,58(0,43 a 0,78) em atividade física basal baixa, média e alta, respectivamente.No nível da população, cumprir e manter, pelo menos, as recomendações mínimasde atividade física poderia prevenir 46% das mortes associadas à inatividadefísica.

 

Aplicação Prática

 

Neste estudode coorte prospectivo com avaliações repetidas, os autores encontramassociações de proteção entre aumentar a prática de atividade física emortalidade por todas as causas, doenças cardiovasculares e câncer,independentemente dos níveis anteriores de atividade física. Essas associaçõestambém foram independentes dos níveis e das mudanças em vários fatores de riscoestabelecidos, como qualidade geral da dieta, índice de massa corporal,histórico médico, pressão arterial, triglicérides e colesterol. Os níveis maisaltos de atividade física no início do estudo e as trajetórias crescentes aolongo do tempo foram protetores contra a mortalidade. Notavelmente, a força dasassociações foi semelhante em indivíduos com e sem doença cardiovascularpré-existente e câncer.

Em nívelpopulacional, cumprir e manter, pelo menos, as recomendações mínimas de saúdepública (150min/semana de atividade física de intensidade moderada) poderiaprevenir 46% das mortes associadas à inatividade física. As estratégias desaúde pública devem direcionar a população para o cumprimento das recomendaçõesmínimas e, sobretudo, concentrar-se na prevenção de declínios na atividadefísica durante a meia-idade e a vida tardia.

 

Bibliografia

 

1.            Mok A et al. Physical activity trajectories and mortality: populationbased cohort study. BMJ 2019;365:l2323.

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