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Parto Prematuro e Mortalidade de Longo Prazo em Mulheres

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 10/12/2020

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Contexto Clínico

 

Quase 11% de todos os nascimentos emtodo o mundo ocorrem antes do termo (idade gestacional <37 semanas). Onascimento prematuro tem sido associado a riscos à saúde em longo prazo, nãoapenas para os bebês, mas também para as mães. Há relatos de que mulheres comparto prematuro aumentaram os riscos futuros de desenvolver distúrbioscardiometabólicos, mesmo após o controle de outros fatores de risco. Noentanto, pouco se sabe sobre os riscos de mortalidade em longo prazo e ascausas básicas de morte nessas mulheres. Uma melhor compreensão dessesresultados é necessária para identificar mulheres de alto risco e orientar seuscuidados clínicos de longo prazo.

 

O Estudo

 

Apresentamos umestudo de coorte nacional feito na Suécia que incluiu todas as 2.189.477mulheres com parto único entre 1973 e 2015. Os desfechos avaliados foram todasas causas de mortalidade específica até 2016, identificadas a partir deregistros de óbitos em todo o país. Em 50,7 milhões de pessoas-ano deacompanhamento, 76.535 (3,5%) mulheres morreram (a mediana de idade ao morrerfoi de 57,6). Nos 10 anos após o parto, a razão de risco ajustada para todas ascausas de mortalidade associada ao parto prematuro (<37 semanas) foi de 1,73(intervalo de confiança de 95%, 1,61 a 1,87), e, quando estratificada, foi de2,20 (1,63 a 2,96) para parto de prematuros extremos (22-27 semanas), 2,28(2,01 a 2,58) para parto muito prematuro (28-33 semanas), 1,52 (1,39 a 1,67)para parto prematuro tardio (34-36 semanas) e 1,19 (1,12 a 1,27) para parto atermo com 37-38 semanas em comparação com o parto a termo  com 39-41 semanas, que foi usado comocomparativo para todos os estratos. Esses riscos diminuíram, mas permaneceramsignificativamente aumentados após tempos de acompanhamento mais longos: paranascimentos prematuros versus nascimentos a termo completo, 10-19 anosapós o parto, a razão de risco ajustada foi de 1,45 (intervalo de confiança de95%, 1,37 a 1,53); 20-44 anos após o parto, a razão de risco ajustada foi de1,37 (1,33 a 1,41). Essas descobertas não parecem ser atribuíveis a fatoresgenéticos ou ambientais compartilhados dentro das famílias. Várias causas foramidentificadas, incluindo distúrbios cardiovasculares e respiratórios, diabetese câncer.

 

Aplicação Prática

 

Esta érealmente uma coorte robusta se pensarmos em termos de resultados, uma vez quetemos dados de vários anos da população de um país que sugere que o partoprematuro foi um fator de risco independente para mortalidade prematura porvárias causas principais entre as mães. Essas associações declinaram com otempo, mas permaneceram até 40 anos depois quando ajustadas para outros fatoresde risco. Obviamente, devemos considerar, nesse tipo de estudo, que muitasperdas podem acontecer, porém o volume ainda sim continua substancial sepensarmos em bases de dados, então esta é uma preocupação menor em termos devieses. Outro ponto a se discutir é o trend temporal que podeinfluenciar os desfechos. Hábitos de vida podem ir variando ao longo do temponão só em âmbito individual, mas populacional, e isso não chega a sercompletamente explorado no estudo, mas pode ser, sim, algo que influencie osdesfechos cardiovasculares estudados. Ainda, é possível lembrarmos que, por nãose tratar de um estudo feito em realidades distintas, outros fatores regionaise populacionais podem influenciar os desfechos encontrados se a coorte fossereproduzida em outro perfil socioeconômico de país. Ainda assim, o estudofornece informações valiosas para estimular ensaios clínicos que façamintervenções em mães de bebês prematuros, para validar que a associaçãoapresentada realmente é um fenômeno de causa-efeito.

 

Bibliografia

 

1.            Crump Casey, Sundquist Jan, SundquistKristina. Preterm delivery and long term mortality in women: national cohortand co-sibling study BMJ 2020; 370 :m2533

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