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Avaliação de Medidas Anti-Bullying nas Escolas

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 14/04/2021

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Contexto Clínico

 

A saúde mental de crianças eadolescentes é algo que preocupa cada vez mais. O bullying vem sendoapontado como um grande fator de risco no desenvolvimento de problemas mentaisnesses grupos. Embora estudos anteriores tenham apoiado a eficácia de programasantibullying, seu impacto na população e a associação com resultadospositivos ainda não estão claros.

 

O Estudo

 

Apresentamosuma revisão sistemática cujo objetivo foi avaliar aeficácia das intervenções antibullying nas escolas, seu impacto napopulação e a associação entre variáveis ??moderadoras e resultados. Umapesquisa nas bases de dados Ovid MEDLINE, ERIC e PsycInfo foi realizada usando trêsconjuntos de termos de pesquisa para identificar ensaios clínicos randomizados(ECRs) avaliando intervenções antibullying publicadas desde o início dobanco de dados até fevereiro de 2020. A pesquisa bibliográfica inicial resultouem 34.798 estudos. Foram incluídos no estudo artigos que (1) avaliaram o bullyingna escola; (2) avaliaram a eficácia de um programa antibullying; (3) tiveramum desenho de ECR; (4) tiveram resultados relatados; e (5) foram publicados eminglês. Dos 16.707 estudos identificados, 371 preencheram os critérios pararevisão de artigos de texto completo; foram identificados 77 ECRs que relataramdados que permitem o cálculo dos tamanhos de efeito (ES). Destes, 69 estudosindependentes foram incluídos no banco de dados de metanálise final. O númerode impacto populacional (PIN), definido como o número de crianças na populaçãototal para as quais um evento pode ser evitado por uma intervenção, foi usadocomo uma estimativa do impacto populacional de intervenções universaisdirecionadas a todos os alunos, independentemente do risco individual.

Os principais resultados medidos forama eficácia (medido pelo ES) e o impacto populacional (medido pelo PIN) dasintervenções antibullying nas seguintes oito categorias de variáveis: bullyinggeral, perpetração de bullying, exposição ao bullying, cyberbullying,atitudes que desencorajam o bullying, atitudes que encorajam o bullying,problemas de saúde mental (por exemplo, ansiedade e depressão) e clima escolar,bem como a avaliação de associações potenciais entre as características e osresultados do ensaio ou intervenção.

Este estudo incluiu 77 amostras de 69 ECRs(111.659 participantes [56.511 no grupo de intervenção e 55.148 no grupo decontrole]). A idade média ponderada (intervalo) dos participantes no grupo deintervenção foi de 11,1 (4-17) anos, e de 10,8 (4-17) anos no grupo decontrole. A proporção média ponderada (intervalo) de participantes do sexofeminino no grupo de intervenção foi de 49,9% (0% -100%), e de 50,5% (0% -100%)no grupo de controle. As intervenções antibullying foram eficazes naredução do bullying (ES, -0,150; IC 95%, -0,191 a -0,109) e na melhoriados problemas de saúde mental (ES, -0,205; IC 95%, -0,277 a -0,133) no pontofinal do estudo, com PINs para intervenções universais que visam à populaçãoestudantil total de 147 (IC 95%, 113-213) e 107 (IC 95%, 73-173),respectivamente. A duração da intervenção não foi estatisticamentesignificativa associada à eficácia da intervenção (duração média [variação] dasintervenções, 29,4 [1 a 144] semanas). A eficácia dos programas antibullyingnão diminuiu ao longo do tempo durante o acompanhamento (média [variação] deacompanhamento, 30,9 [2-104] semanas).

 

 

Aplicação Prática

 

A saúdemental de crianças e adolescentes é algo importantíssimo nos dias atuais. O bullyingtem sido um grande problema na população pediátrica e precisa de intervenções,e o ambiente escolar é um local fundamental para que estas sejam feitas. Nestarevisão sistemática, apesar dos pequenos efeitos e de algumas diferençasregionais na eficácia, o impacto populacional das intervenções antibullyingnas escolas parece ser substancial, reduzindo o próprio fenômeno em si, mastambém problemas de saúde mental. Ensaios mais bem planejados que avaliam otempo e a duração ideais da intervenção ainda podem agregar mais informações,mas nos parece que devemos recomendar fortemente que escolas adotem estratégiasno combate a essa forma de violência psicológica.

 

Bibliografia

 

1.            Fraguas D,Díaz-Caneja CM, Ayora M, et al. Assessment of School Anti-BullyingInterventions: A Meta-analysis of Randomized Clinical Trials. JAMA Pediatr.2021;175(1):44?55.

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