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Fisioterapia para Idosos Internados por Insuficiência Cardíaca

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 22/11/2021

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Contexto Clínico

 

Com a longevidade e a mudança das pirâmides etárias em países desenvolvidos, mas também em emergentes, como o Brasil, os idosos são população crescente e cada vez mais fazem parte dos pacientes hospitalizados, dada também a carga de doenças crônicas nessa população.

Uma das doenças mais frequentes nessa faixa etária é a insuficiência cardíaca (IC), que é acompanhada de fragilidade física, baixa qualidade de vida e reinternações frequentes. É importante estudarmos como agir diante dessa fragilidade física associada à doença e verificarmos quais são os potenciais benefícios da fisioterapia em quem está hospitalizado devido à IC.

 

O Estudo

 

Apresentamos um ensaio clínico multicêntrico, randomizado e controlado para avaliar uma intervenção de reabilitação que incluía quatro domínios de função física (força, equilíbrio, mobilidade e resistência). A intervenção foi iniciada durante ou logo após a hospitalização por IC e continuou após a alta por 36 sessões ambulatoriais. O desfecho primário avaliado foi a pontuação na Short Physical Performance Battery em 3 meses, que é uma medida padronizada e reproduzível da função física global validada em idosos frágeis e prevê uma ampla gama de resultados clínicos. Ela tem três componentes: um teste de equilíbrio em pé, um teste de velocidade de marcha (teste de caminhada de 4 m) e um teste de força (conforme avaliado pelo tempo necessário para se levantar de uma cadeira cinco vezes). Cada componente é pontuado em uma escala de 0 a 4; a soma dos escores varia de 0 a 12, com escores mais baixos indicando disfunção física mais grave. O desfecho secundário foi a taxa de reinternação em 6 meses por qualquer causa.

Foram submetidos à randomização 349 pacientes; 175 foram atribuídos à intervenção de reabilitação, e 174, aos cuidados habituais (controle). A idade média dos pacientes foi de 72 anos; 52% eram do sexo feminino, 35% dos casos com doença isquêmica cardíaca como etiologia da IC, e 53% com fração de ejeção preservada. No início do estudo, os pacientes em cada grupo tinham função física acentuadamente prejudicada, e 97% eram frágeis ou próximos da fragilidade. O número médio de condições coexistentes foi de 5 em cada grupo. A retenção dos pacientes no grupo de intervenção foi de 82%, e a adesão às sessões de intervenção foi de 67%. Após o ajuste para a pontuação da bateria de desempenho físico curto e outras características da linha de base, a pontuação média (± SE) na bateria de desempenho físico em 3 meses foi de 8,3 ± 0,2 no grupo de intervenção e de 6,9 ??± 0,2 no grupo de controle (diferença média entre os grupos, 1,5; IC 95%, 0,9 a 2,0; P < 0,001). Aos 6 meses, as taxas de reinternação por qualquer causa foram de 1,18 no grupo de intervenção e de 1,28 no grupo de controle (razão de taxas, 0,93; IC 95%, 0,66 a 1,19). Houve 21 mortes (15 de causas cardiovasculares) no grupo de intervenção e 16 mortes (8 de causas cardiovasculares) no grupo de controle. As taxas de morte por qualquer causa foram de 0,13 e 0,10, respectivamente (razão de taxas, 1,17; IC 95%, 0,61 a 2,27).

 

Aplicação Prática

 

O momento atual é de pensar em intervenções que tragam valor ao paciente. Nesse caso, temos um ensaio clínico voltado exatamente a esse espectro e que conseguiu demonstrar que, em uma população de idosos que foram hospitalizados por IC aguda descompensada, uma intervenção de reabilitação precoce, transitória, adaptada e progressiva que incluiu vários domínios de função física resultou em maior melhora na função física do que o cuidado usual. Apesar de não fazer parte do desfecho primário, o estudo avaliou outros escores, e os pacientes que passaram pela intervenção obtiveram melhores pontuações em escores de qualidade de vida (KCCQ e EQ-5D-5L) e melhora da depressão, medida por meio da Geriatric Depression Scale. A despeito de haver um benefício demonstrável em reinternações, é compreensível que a reinternação ocorra, uma vez que isso depende também de outros aspectos, como terapia medicamentosa e adesão, grau de disfunção e prognóstico da doença, questões que não foram papel deste estudo em termos de abordagem. Contudo, podemos concluir que, com base neste estudo, é possível recomendar fisioterapia a pacientes idosos hospitalizados por IC em um programa que inclua o período de hospital e o pós-alta.

 

 

Bibliografia

 

1.             Kitzman DW et al. Physical Rehabilitation for Older Patients Hospitalized for Heart Failure. N Engl J Med 2021; 385:203-216

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