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Diminuindo gestações não planejadas em adolescentes com anticoncepcional grátis

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 03/02/2015

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Especialidades: Obstetrícia/Ginecologia/Pediatria/Medicina de Família

 

Contexto Clínico

A taxa de gravidez em adolescentes nos Estados Unidos é maior do que em outras nações desenvolvidas. As gestações em adolescentes resultam em custos significativos, incluindo a assistência pública, os custos de saúde e perdas de rendimento devido ao menor nível de escolaridade e menor potencial de ganhos na vida adulta.

Embora tenha diminuído substancialmente ao longo das últimas duas décadas, a taxa de gravidez entre meninas e mulheres de 15 a 19 anos de idade continua a ser um problema de saúde pública persistente nos EUA. A cada ano, mais de 600.000 adolescentes engravidam, e 3 em cada 10 adolescentes engravidarão antes de atingir os 20 anos de idade.

 

O Estudo

Apresentamos um estudo prospectivo do tipo coorte onde foi feito um projeto para promover o uso de contraceptivos de ação prolongada, como método para reduzir a gravidez indesejada na região de St. Louis nos EUA. As participantes foram informadas sobre contracepção reversível, com ênfase sobre os benefícios, e estes foram fornecidos sem nenhum custo às participantes, que depois foram acompanhados por 2 a 3 anos. Analisamos as taxas de gravidez, parto e as taxas de aborto induzido entre as meninas e as mulheres de 15 a 19 anos de idade. Neste grupo de adolescentes comparou-se os dados com os dados observados nacionalmente em adolescentes na mesma faixa etária nos EUA.

Das 1.404 adolescentes e mulheres envolvidos na escolha, 72% escolheram um dispositivo intrauterino ou implante de anticoncepcional de longa duração; os restantes 28% escolheu outro método. Durante o período de 2008-2013, as taxas médias anuais de gravidez, parto e aborto entre as participantes foram de 34,0; 19,4; e 9,7 por mil adolescentes, respectivamente. Em comparação, as taxas de gravidez, parto e aborto entre adolescentes sexualmente ativas nos EUA em 2008 foram 158,5; 94,0; e 41,5 por mil adolescentes, respectivamente.

 

Aplicações Práticas

Este interessante estudo de aplicação populacional demonstrou que para adolescentes e mulheres para as quais foi fornecido um método reversível de contracepção (sem nenhum custo e com informação sobre a contracepção reversível e os benefícios dos métodos) tivemos taxas de gravidez, parto, aborto que eram muito mais baixas do que as taxas nacionais nos EUA para adolescentes sexualmente ativas. Se por um lado, alguns críticos podem apontar a exposição mais precoce a anticoncepcionais como fator de risco de longo prazo, do ponto de vista populacional, e mesmo individual, estamos falando de um projeto de política pública que tem  seus benefícios. Sempre devemos lembrar que o impacto de uma gestação não planejada na vida de uma adolescente pode comprometer muito seu próprio futuro, e os impactos sociais não são pequenos. Sendo assim, este estudo demonstra uma atitude que pode ser parte de um projeto de governo, podendo trazer resultados positivos.

 

Bibliografia

Secura GM et al. Provision of No-Cost, Long-Acting Contraception and Teenage Pregnancy. N Engl J Med 2014; 371:1316-1323 (link para o artigo).

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