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Medicamentos para Tratamento de Hanseníase

Última revisão: 16/09/2015

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Reproduzido de:

Formulário Terapêutico Nacional 2010: Rename 2010 [Link Livre para o Documento Original]

Série B. Textos Básicos de Saúde

MINISTÉRIO DA SAÚDE

Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos

Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos

Brasília / DF – 2010

 

         Medicamentos para o tratamento da hanseníase

Marcus Tolentino Silva

 

A melhoria das condições de vida e o avanço do conhecimento científico modificaram significantemente o quadro da hanseníase, que atualmente tem tratamento e cura. No Brasil, cerca de 47.000 casos novos são identificados a cada ano1. O tratamento polioquimioterápico recomendado pela Organização Mundial da Saúde é associação segura e efetiva que evita a recidiva2. Em razão do risco de resistência microbiana aos fármacos e a impossibilidade de cura da doença com um só deles, o uso de único fármaco no tratamento da hanseníase não é recomendado1, 2.

A escolha do esquema poliquimioterápico tem por base a classificação da hanseníase. Para a forma paucibacilar (casos com até cinco lesões de pele) é recomendada a associação rifampicina e dapsona durante seis meses. Para a forma multibacilar (casos com mais de cinco lesões de pele) é recomendada a associação rifampicina, dapsona e clofazimina por 12 meses1, 2.

Principalmente na forma multibacilar – antes, durante ou depois do tratamento – é possível a ocorrência de reações hansênicas, que são a principal causa de lesões dos nervos e de incapacidades provocadas pela hanseníase, classificadas em dois tipos. Para a reação tipo 1, ou reação reversa, é recomendada a prednisona, conforme avaliação clínica; e para a reação tipo 2, ou eritema nodoso hansênico, é recomendada a talidomida como primeira escolha. Na impossibilidade de administração de talidomida, recomenda-se o uso de prednisona1.

Clofazimina é um antimicobacteriano com propriedades anti-inflamatóriasusado na poliquimioterapia da forma multibacilar3. As provas de uso são provenientes de séries de casos, uma vez que ensaios clínicos envolvendo placebo ou ausência de tratamento são considerados antiéticos4 (ver monografia, página 495).

Dapsona é um dos componentes da poliquimioterapia usada nas duas formas de hanseníase 3. No tratamento de caso paucibacilar, é recomendada em associação a rifampicina por causa do risco de resistência do bacilo. Para o tratamento de caso multibacilar, as provas também são proveninentes de séries de casos 4. Revisão sistemática de boa qualidade metodológica aponta o uso do medicamento na profilaxia de comunicantes. No entanto, os critérios para indicação da quimioprofilaxia e qual o melhor esquema de administração ainda não estão completamente definidos 5 (ver monografia, página 617).

Prednisona é um corticosteroide biologicamente inerte que é convertido no fígado para prednisolona3. Os corticosteroides empregados no tratamento de dano em nervos na hanseníase foram analisados em revisão Cochrane6 que concluiu que provas decorrentes de três ensaios clínicos controlados aleatórios não mostraram um efeito significante a longo prazo tanto na incapacidade sensória leve como na incapacidade da função do nervo de modo permanente, e que um regime de corticosteroides com duração de cinco meses foi significantemente mais benéfico do que um regime de corticosteroides de três meses (ver monografia, página 915).

Rifampicina é um antimicobacteriano do grupo das rifamicinas que é usada no tratamento de várias infecções por micobactérias e outros organismos susceptíveis. Normalmente, para prevenir microrganismos resistentes, associa-se a outros antibacterianos3. A rifampicina é indicada com dapsona no tratamento da forma paucibacilar da hanseníase; e junto de dapsona e clofazimina na forma multibacilar da doença1, 2. As provas de tratamento da rifampicina na hanseníase são provenientes de séries de casos4. De outro lado, assim como a dapsona, revisão sistemática de boa qualidade metodológica aponta o benefício de sua administração em dose única na profilaxia do comunicante. Entretanto, os critérios para indicação da quimioprofilaxia não estão completamente definidos5 (ver monografia, página 924).

Talidomida possui atividade imunomoduladora e deve ser usada em condições de controle e supervisão pelo seu risco teratogênico e outras reações adversas3. Emprega-se o medicamento no tratamento de manifestações cutâneas moderadas a graves da reação tipo 2 da hanseníase (eritema nodoso hansênico)1. Revisão sistemática aponta a inexistência de estudos de boa qualidade metodológica sobre a farmacoterapia do eritema nodoso hansênico, o que necessariamente não impede a aplicação da talidomida nessa indicação7 (ver monografia, página 1008).

 

Referências

1.BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Guia de vigilância epidemiológica. 7. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2009.

2.WORLD HEALTH ORGANIZATION. Regional Office for South-East Asia New Delhi. Global strategy for further reducing the leprosy burden and sustaining leprosy control activities 2006-2010: Operational Guidelines. New Delhi: WHO, 2006.

3.SWEETMAN, S. (Ed.). Martindale: the complete drug reference. [Database on the Internet]. Greenwood Village: Thomson Reuters (Healthcare) Inc. Updated periodically. Disponível em: <http://www.periodicos.capes.gov.br>.

4.LOCKWOOD, D. Leprosy. BMJ Clin. Evid., London, v. 12, p. 915, 2007.

5.REVEIZ, L.; BUENDÍA, J. A.; TÉLLEZ, D. Chemoprophylaxis in contacts of patients with leprosy: systematic review and meta-analysis. Rev. Panam. Salud. Publica, Washington, DC, v. 26, n. 4, p. 341-349, 2009.

6.GARBINO, J. A.; VIRMOND, M. C.; URA, S. et al. A randomized clinical trial of oral steroids for ulnar neuropathy in type 1 and type 2 leprosy reactions. Arq. Neuropsiquiatr.,São Paulo, v. 66, n. 4, p. 861-867, 2008.

7.VAN VEEN, N. H.; LOCKWOOD, D. N.; VAN BRAKEL, W. H. et al. Interventions for erythema nodosum leprosum. A Cochrane review. Lepr Rev.,London, v. 80, n. 4, p. 355-372, 2009.

 

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