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Medicamentos contra toxoplasmose e adjuvantes

Última revisão: 16/09/2015

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Reproduzido de:

Formulário Terapêutico Nacional 2010: Rename 2010 [Link Livre para o Documento Original]

Série B. Textos Básicos de Saúde

MINISTÉRIO DA SAÚDE

Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos

Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos

Brasília / DF – 2010

 

      5.5.2.3 Medicamentos para o tratamento da toxoplasmose e adjuvantes

A maioria das infecções causadas por Toxoplasma gondii são autolimitadas, não requerendo tratamento. Exceções são o comprometimento ocular e a infecção em pacientes imunodeprimidos. Nestes últimos, a infecção pode resultar em encefalite, miocardite ou pneumonite. Outro aspecto a considerar é o comprometimento encefálico em pacientes com HIV/Aids, já que a deficiência na imunidade em pacientes previamente infectados pode acarretar encefalite ou meningoencefalite. Transmissão congênita pode ocorrer quando há infecção primária no início da gravidez ou quando a grávida é imunodeprimida e pode aconetecer aborto espontâneo, morte fetal ou doença congênita grave. Não há consenso sobre a melhor estratégia de controle da toxoplasmose congênita. Não há estudos randomizados sobre tratamento de toxoplasmose em grávidas e emrecém-nascidos com toxoplasmose congênita. Afirma-se que o tratamento de toxoplasmose durante a gravidez reduz em 60% a chance de infecção do feto, mas revisão sistemática não identificou nenhum estudo comparado útil para discernir se há eficácia do tratamento da toxoplasmose em grávidas1. A prevenção primária da infecção congênita consiste em identificá-la na grávida e preveni-la no feto, e a secundária tenciona reduzir a gravidade das sequelas.Recém-nascidos com infecção devem ser tratados, mesmo que assintomáticos, pois séries de casos com controles históricos demonstraram redução de complicações. A repercussão de medicamentos preventivos não está definida pela falta de provas2. Combinações de fármacos mostram-se mais eficazes do que monoterapias; no entanto, há resultados controvertidos e muitos efeitos adversos, sugerindo que não sejam condutas efetivas. A decisão de tratar toxoplasmose ocular deve ser tomada pelo oftalmologista diante de sinais de gravidade, como diminuição de acuidade visual, lesões maculares ou peripapilares, entre outros. Lesões pequenas e periféricas podem não ser tratadas em pacientes imunocompetentes. Revisão sistemática não mostrou a utilidade do tratamento rotineiro com antimicrobianos em retinocoroidite, recomendando-se a realização de ensaios clínicos randomizados3.

Sulfadiazina + pirimetamina, acompanhadas de folinato de cálcio, constitui o tratamento padrão de toxoplasmose na maioria das situações em que é recomendado. Cerca de 80% dos pacientes que toleram a combinação têm decurso clínico. Em recém-nascidos este esquema é utilizado pelo período de um ano, havendo divergência quanto a doses. A sulfonamida acarreta risco de kernicterus no neonato e assim deve ser evitada no terceiro trimestre da gravidez4-6. Sulfadiazina e pirimetamina produzem bloqueio em sequência do metabolismo do ácido fólico, e em altas doses, pirimetamina causa depleção do ácido fólico e supressão medular que pode se manifestar como anemia megaloblástica, leucopenia, trombocitopenia e pancitopenia 7 (ver monografia, página 962).

Folinato de cálcio é fármaco coadjuvante que corrige o risco de supressão da medula óssea causada pelo uso de pirimetamina nas doses usadas no tratamento da toxoplasmose (ver monografia, página 718).

Espiramicina está restrita para tratamento de toxoplasmose no primeiro trimestre da gravidez para prevenir a transmissão ao feto. Espiramicina não ultrapassa eficazmente a placenta. Pequenas coortes compararam espiramicina isolada, pirimetamina mais sulfadiazina ou a combinação dos dois tratamentos versus não-tratamento. Em cinco estudos, o tratamento materno reduziu os índices de infecção fetal em comparação a não-tratamento (P < 0.01). Nos outros quatro estudos, não houve redução significante da infecção fetal. Não se demonstraram diferenças entre os tratamentos. Ambos mostraram boa tolerabilidade e não se observaram efeitos teratogênicos 8 (ver monografia, página 663).

Pirimetamina + sulfadiazina ou clindamicina mostra-se igualmente efetiva. Está contraindicada no primeiro trimestre da gravidez (ver monografia, página 907).

Clindamicina produz bons resultados em infecção com comprometimento ocular. Corticosteroides sistêmicos são associados quando há comprometimento de mácula, nervo óptico e banda papilomacular. Nos pacientes intolerantes à sulfadiazina, a alternação recomendada é a clindamicina. Segundo Mathelier-Fusade e Leynadier9, a intolerância a sulfonamidas em pacientes HIV positivos chega a ser 10 vezes mais frequente do que na população em geral. Em meta-análise comparando a eficácia de pirimetamina + sulfadiazina e pirimetamina + clindamicina no tratamento de encefalite toxoplásmica em adultos HIV positivos não foi observada diferença significante entre eles10 (ver monografia, página 526).

 

Referências

1.PEYRON, F.; WALLON, M.; LIOU, C.; GARNER, P. Treatments for toxoplasmosis in pregnancy. Cochrane Database of Systematic Reviews. In: The Cochrane Library, Issue 9, 2010. Art. nº CD001684. DOI: 10.1002/14651858. CD001684.pub3. Disponível em: <http://cochrane.bvsalud.org/portal/php/index. php>.

2.PEYRON, F.; WALLON, M. Options for the pharmacotherapy of toxoplasmosis during pregnancy. Expert Opin Pharmacother., v. 2, n.8, p.12691274, 2001.

3.GILBERT, R. E.; HARDEN, M.; STANFORD, M. R. Antibiotics versus control for toxoplasma retinochoroiditis Cochrane Database of Systematic Reviews. In: The Cochrane Library, Issue 9, 2010. Art. nº CD002218. DOI: 10.1002/14651858. CD002218.pub1. Disponível em: <http://cochrane.bvsalud. org/portal/php/index.php>.

4.KLASCO, R. K. (Ed.). DRUGDEX® System. Greenwood Village: Thomson MICROMEDEX, 2009. Disponível em: <http://www.portaldapesquisa.com. br>.

5.WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO model formulary 2008. Geneva: WHO, 2008. Disponível em: <http://www.who.int/selection_medicines/list/ WMF2008.pdf>.

6.BRITISH MEDICAL ASSOCIATION AND ROYAL PHARMACEUTICAL SOCIETY OF GREAT BRITAIN. British national formulary. 59th. ed. London: BMJ Publishing Group and APS Publishing, 2010. Disponível em: <http://www.medicinescomplete. com/mc>.

7.McEVOY, G.K. (Ed.). AHFS drug information 2007. Bethesda: American Society of Health-System Pharmacists, 2007.

8.KRAVETZ, J. Congenital toxoplasmosis. Web publication date: 27 Mar 2008. In: Clinical Evidence. Web publication date: 01 Jan 2008. (based on May 2010 search). Disponível em: http://www.clinicalevidence.bmj.com.

9.MATHELIER-FUSADE, P.; LEYNADIER, F. Intolerance to sulfonamides in HIV infected subjects. Toxic and allergic origin. Presse Med., v. 22, n.19, p.1363-135, 1993.

10.DEDICOAT, M.; LIVESLEY, N. Management of toxoplasmic encephalitis in HIVinfected adults (with an emphasis on resource-poor settings). Cochrane Database of Systematic Reviews. In: The Cochrane Library, Issue 7, 2010. Art. No. CD005420. DOI:10.1002/14651858.CD005420.pub3. Disponível em: <http:// cochrane.bvsalud.org/portal/php/index.php>.

 

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