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Antineoplásicos

Última revisão: 16/09/2015

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Reproduzido de:

Formulário Terapêutico Nacional 2010: Rename 2010 [Link Livre para o Documento Original]

Série B. Textos Básicos de Saúde

MINISTÉRIO DA SAÚDE

Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos

Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos

Brasília / DF – 2010

 

6 Medicamentos Utilizados no Manejo das Neoplasias

 José Gilberto Pereira

 

Os propósitos da quimioterapia antineoplásica compreendem as seguintes modalidades de tratamentos: primário, paliativo, adjuvante e neoadjuvante, que buscam como respostas: cura, resposta completa, resposta parcial, inalterabilidade ou retardo da progressão da doença. O tratamento com fármacos citotóxicos é modalidade de cura primária para alguns tipos de câncer, incluindo leucemias, linfomas, coriocarcinomas e câncer de testículo, mas tumores sólidos não são curáveis quando a quimioterapia é empregada isoladamente. Nestes casos, o tratamento é paliativo, diminuindo o tamanho do tumor ou retardando o crescimento, o que reduz os sintomas decorrentes.

Diversos fatores afetam a resposta à quimioterapia, tais como a carga tumoral, heterogeneidade das células tumorais, dose e resistência aos fármacos, e fatores específicos do paciente. A mutabilidade genética das células tumorais determina alterações durante o processo de divisão, e à medida que o tumor aumenta de tamanho a probabilidade de desenvolver diversos mecanismos de resistência aos tratamentos cresce proporcionalmente. Isto explica o padrão de resposta inicial e a recorrência do tumor. A dose é um fator decisivo na determinação da resposta e pode ser definida pela intensidade e duração do tratamento, com base na dose por curso, intervalo entre as doses e dose total acumulada. A determinação destas características é indispensável para ampliar o efeito da quimioterapia sobre a cinética de crescimento tumoral. Além da relação dose-resposta, a toxicidade é um fator limitante no momento de definir a dose do quimioterápico, de modo que muitos pacientes podem não se beneficiar do efeito máximo do tratamento em decorrência da necessidade de redução de doses. O perfil genético e as condições clínicas, antropométricas e fisiológicas dos pacientes interferem na resposta à quimioterapia, mudando o padrão de eficácia e toxicidade dos medicamentos. Na atualidade, a abordagem farmacogenômica tem permitido que os tratamentos sejam individuais, o que contribui para a superação da influência dos fatores específicos do paciente sobre o tratamento.

Embora a monoterapia seja empregada em alguns casos, o enfoque mais comum para a quimioterapia antineoplásica envolve a combinação de múltiplos fármacos. A vantagem da quimioterapia combinada está dirigida aos diversos tipos de células que constituem um tumor e a seleção dos agentes deve levar em consideração o mecanismo de ação, a atividade antitumoral e o perfil de toxicidade de cada quimioterápico, de forma a promover um efeito sinérgico sobre o tratamento.

A quimioterapia antineoplásica não deve ser iniciada até que a presença do câncer seja confirmada por diagnóstico anatomopatológico. O estadiamento clínico do câncer em conjunto com as metas definidas para o paciente são imprescindíveis na seleção do tratamento. Esta seleção tem por base diferentes metas terapêuticas; o tratamento de cura tem como alvo erradicar a doença e evitar a recorrência; o paliativo busca aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida do paciente; adjuvante é um tratamento também empregado com finalidade de cura, que se administra depois de um tratamento local, quer seja cirúrgico, radioativo ou quimioterápico; denomina-se neoadjuvante o tratamento que antecede a intervenção local e tem como propósito avaliar a sensibilidade do tumor à quimioterapia, bem como controlar ou reduzir a atividade tumoral previamente ao tratamento definitivo. Outra forma de organizar o tratamento do câncer está representada por etapas que têm início com a indução, concebida como primeiro passo para redução das células neoplásicas, seguido da consolidação, que tem a intenção de assegurar os ganhos obtidos na indução e diminuir ainda mais o número de células neoplásicas, e alcançar a remissão completa; por último, a terapia de manutenção, que visa garantir a remissão e evitar a recorrência.

Apesar dos esforços para prever o desenvolvimento de complicações da terapia antineoplásica, os agentes quimioterápicos apresentam farmacocinética e toxicidade variedade em pacientes individuais. As causas dessa diversidade nem sempre podem ser esclarecidas e muitas vezes estão relacionadas às diferenças interindividuais no metabolismo de fármacos, interações farmacológicas, ou de reservas de medula óssea do paciente. Ao lidar com a toxicidade, recomenda-se acompanhamento e apoio rigorosos, incluindo, quando indicado, transfusões de plaquetas, uso de antibióticos, fatores de crescimento hematopoiéticos e outros medicamentos que reduzam a toxicidade e tornem possível o melhor proveito da quimioterapia.

Todo tratamento antineoplásico deve ser adotado sob protocolos documentados e ter por referência provas científicas e, sempre que possível, revisados pela equipe multiprofissional antes de serem introduzidos na prática clínica. A aplicação generalizada de experiências clínicas isoladas em oncologia tende a ser desastrosa e leva a desfechos fatais.

 

6.1 Antineoplásicos

Os fármacos utilizados na quimioterapia antineoplásica são comumente classificados pelo seu mecanismo de ação ou pela sua origem. Alquilantes exercem seus efeitos sobre a síntese de ácido desoxirribonucleico (ADN) e proteínas, ligando-se ao ADN e inibindo a abertura da dupla hélice. Antimetabólitos assemelham-se naturalmente a componentes da estrutura nuclear, como as bases nitrogenadas, ou atuam inibindo enzimas envolvidas na síntese de ADN e proteínas. Alcaloides da vinca – Catharanthus roseus – e taxanos são inibidores da mitose celular, os primeiros ligam-se especificamente à betatubulina e bloqueiam sua capacidade de polimerização à alfatubulina, inibindo a formação dos microtúbulos, já os taxanos promovem a formação dos microtúbulos. Antibióticos antitumorais são produtos de fermentação de espécies de Streptomyces e atuam intercalando-se com as bases nitrogenadas na estrutura da dupla hélice. Compostos de platina reagem com o ADN formando ligações cruzadas nas intracadeias e intercadeias entre as guaninas adjacentes, inibindo a replicação e transcrição. Asparaginase priva as células neoplásicas de asparagina necessária à síntese proteica, levando à morte celular. Hidroxiureia é o único agente que inibe a ribonucleotídeo redutase, enzima que converte ribonucleotídeos em desoxirribonucleotídeos necessários à síntese e reparação de ADN. As categorias ora listadas não representam todo o recurso quimioterapêutico antineoplásico, mas tão somente aquelas consideradas básicas para tratar os tipos de câncer mais prevalentes no país.

 

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