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Hormônio Tireoidiano Medicamentos Antitireoidianos e Adjuvantes

Última revisão: 06/12/2010

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Reproduzido de:

Formulário Terapêutico Nacional 2008: Rename 2006 [Link Livre para o Documento Original]

Série B. Textos Básicos de Saúde

MINISTÉRIO DA SAÚDE

Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos

Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos

Brasília / DF – 2008

 

17.2 Hormônio Tireoidiano, Medicamentos Antitireoidianos e Adjuvantes

 

Iodo + iodeto de potássio (solução de iodeto de potássio iodada) pode ser utilizado previamente à tireoidectomia (reduz a vascularização e torna a glândula menos friável) e no tratamento da crise tireotóxica (em associação com tionamidas e betabloqueadores). Antes da cirurgia, o iodeto pode ser empregado isoladamente ou, mais freqüentemente, após o hipertireoidismo ter sido controlado com tionamidas. É administrado nos sete a dez dias que precedem a cirurgia, sob forma de 3 a 5 gotas de solução de Lugol (iodo a 5% e iodeto de potássio a 10% em água) ou 1 a 3 gotas de solução saturada de iodeto de potássio, duas a três vezes ao dia395. A ação antitireoidiana do iodeto é perdida após poucos dias ou semanas de uso. Por essa razão, não pode ser empregado por períodos mais longos.

Levotiroxina sódica faz reposição hormonal em casos de hipotireoidismo. Seu emprego como terapia supressiva com vistas à redução do tamanho da glândula permanece controversa em função da grande variação de resultados. Levotiroxina é tratamento de escolha para o hipotiroidismo causado por tireoidite autoimune de Hashimoto, fase final da doença de Graves e uso de iodo radioativo e de alguns medicamentos (iodeto, contrastes radiográficos, amiodarona, lítio, fenilbutazona). Tiroxina tem meia-vida mais longa e se converte perifericamente em T3, facilitando a titulação da dose e tendo menos risco de induzir hipertireoidismo. Triiodotironina pode ser usada quando se deseja início ou término de ação mais rápidos, como em raros casos de coma mixedematoso ou preparo de pacientes com carcinoma de tireóide para terapia com 131I, respectivamente. É menos empregada em reposição crônica por exigir maior número de tomadas diárias, ter custo mais elevado e induzir mais freqüentemente hipertireoidismo395. Medicamentos que combinam T3 e T4 são disponíveis comercialmente. Esses preparados não são recomendados, já que freqüentemente ocasionam elevações suprafisiológicas de níveis de T3 e acarretam maior dificuldade na monitorização do tratamento396. Em recém-nascidos, L-tiroxina é essencial no tratamento de hipotiroidismo congênito para garantir o desenvolvimento neurológico normal ou quase normal, prevenindo retardo mental397. Em ensaio clínico4 que testou três doses de levotiroxina em 83 pacientes com hipotiroidismo congênito, a mais alta delas (10,1-15,0 µg/kg/dia) associou-se a coeficiente de inteligência (QI) significativamente mais alto, quando medido aos quatro anos de idade. Todas as crianças que a receberam mostraram QI normal. Não houve sinais ou sintomas demonstrativos de excesso de tratamento durante o seguimento dos pacientes que receberam a dose mais alta de LT398.

Propiltiouracila (PTU) é medicamento antitireoidiano usado no tratamento de hipertireoidismo causado por doença de Graves (bócio difuso tóxico), bócio multinodular tóxico, adenoma tóxico, tireoidites (subaguda, silenciosa e pós-parto), sobrecarga de iodo (com contrastes radiológicos e amiodarona) e, raramente, carcinoma de tireóide e secreção excessiva de TSH396. Em 240 pacientes com diagnóstico recente de doença de Graves, metimazol (30 mg/dia) normalizou os níveis séricos de tiroxina livre em mais pacientes do que PTU (300 mg/dia) ao fim de 12 semanas (96,5% vs. 78,3%; P = 0,001). Em 64 pacientes com hipertireoidismo mais grave, metimazol foi mais eficaz que PTU em 8 e 12 semanas. Em pacientes com menor comprometimento, os dois fármacos não diferiram em eficácia. Os efeitos adversos foram mais freqüentes com PTU, especialmente hepatotoxicidade leve. Tais resultados não recomendam PTU para uso inicial399. A principal causa de hipertireoidismo durante a gravidez é a doença de Graves, estando associada a aumento de mortalidade fetal. O propiltiouracil tem sido o tratamento de escolha, devido à sua menor passagem transplacentária em relação ao metimazol. Entretanto, ambos os medicamentos têm-se mostrado igualmente seguros, tanto na gravidez como na amamentação400. Em doses maiores, suas concentrações na tireóide fetal podem produzir bócio e hipotiroidismo no concepto. Assim, utiliza-se a menor dose possível capaz de manter o T4 livre no limite superior da normalidade (a dose requerida para controlar a doença é geralmente menor do que fora da gravidez)4. Dose diária superior a 400 mg de PTU sugere a necessidade de tireoidectomia subtotal, preferentemente no segundo trimestre (para evitar possível indução de parto prematuro)401. O iodo radioativo está contra-indicado pelo risco de causar hipotireoidismo no feto. O propiltiouracil é o fármaco de eleição na crise tireotóxica (sendo associado a iodeto, dexametasona e betabloqueadores), devido à sua ação adicional de inibir a conversão periférica de T4 em T3.

Propranolol é empregado paliativamente no tratamento do hipertireoidismo, objetivando melhorar rapidamente sintomas adrenérgicos, como taquicardia, tremor e ansiedade. Sem efeito sobre secreção dos hormônios tireoidianos, tamanho do bócio ou atividade imunológica, não deve ser usado como única escolha, a não ser por curtos períodos até o emprego de iodo radioativo ou cirurgia. Em casos de hipertireoidismo com taquicardia associada à insuficiência cardíaca, determina melhora do quadro hemodinâmico. Propranolol, metoprolol, atenolol e nadolol podem ser utilizados, havendo melhor adesão com nadolol (80 mg/dia) ou atenolol (50 a 100 mg/dia), já que podem ser administrados em dose única diária. A alternativa mais econômica é o propranolol401. Entretanto, esse uso deve ser criterioso, especialmente nos pacientes com insuficiência cardíaca, pois pode haver risco de exacerbação402.

 

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