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Última revisão: 31/05/2009

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Reproduzido de:

Dermatologia na Atenção Básica de Saúde / Cadernos de Atenção Básica Nº 9 / Série A - Normas de Manuais Técnicos; n° 174 [Link Livre para o Documento Original]

MINISTÉRIO DA SAÚDE

Secretaria de Políticas de Saúde

Departamento de Atenção Básica

Área Técnica de Dermatologia Sanitária

BRASÍLIA / DF – 2002

 

Furúnculo

CID-10: L02.9

 

DESCRIÇÃO DO FURÚNCULO

Infecção estafilocócica do folículo piloso e da glândula sebácea, comprometendo o tecido celular subcutâneo próximo. Caracteriza-se por nódulo eritematoso, pustuloso, quente e doloroso que acaba por flutuar e romper-se eliminando conteúdo necrótico (carnegão) e purulento. A concomitância de vários furúnculos em múltiplas localizações denomina-se furunculose, e pode ser decorrente de complicações de dermatoses secundariamente infectadas, como a pediculose e escabiose. A ocorrência de vários furúnculos na mesma localização denomina-se antraz. Recorrências de Furúnculo podem ocorrer por meses ou anos tornando-se problema de difícil resolução clínica. São mais freqüentes na face, pescoço, axilas, coxas e nádegas que são áreas mais pilosas e sujeitas a sudorese mais intensa.

 

Figura 1: Furúnculo.

 

 

SINONÍMIA

Frunco, leicenço.

 

ETIOLOGIA DO FURÚNCULO

Staphylococcus aureus.

 

RESERVATÓRIO

O homem, em raras ocasiões, os animais.

 

MODO DE TRANSMISSÃO DO FURÚNCULO

Contato com indivíduos com lesão purulenta (fonte mais comum de propagação epidêmica) ou portador assintomático. As mãos são o meio mais importante para transmitir a infecção. 20 a 30% da população geral é portadora nasal de Staphylococcus positivos para a coagulase. A autoinfecção é responsável por um terço das infecções. A fonte mais comum de propagação epidêmica são as lesões supurativas.

 

PERÍODO DE INCUBAÇÃO

Variável e indefinido. Em geral 4 a 10 dias.

 

PERÍODO DE TRANSMISSIBILIDADE

Enquanto houver Staphylococcus na lesão ou na orofaringe dos portadores assintomáticos.

 

COMPLICAÇÕES DO FURÚNCULO

A infecção destrói os anexos da pele e deixa cicatriz, principalmente quando as lesões são “espremidas para tirar o carnegão.” Raramente septicemias podem ocorrer.

 

DIAGNÓSTICO DO FURÚNCULO

Baseia-se na história clínica e exame dermatológico. Exames complementares como bacterioscopia e cultura são desnecessários.

 

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

Hidradenite - infecção crônica supurativa com períodos de remissão e exacerbações geralmente em axilas e região inguino-crural. Miíase: o nódulo causado pela penetração da larva é menos inflamatório e tem na parte central um orifício por onde a larva sai após atingir a maturidade. Foliculite necrotizante: as lesões são menores, em grande número no couro cabeludo e áreas seborréicas.

 

TRATAMENTO DO FURÚNCULO

Tópico

Os antibióticos como a neomicina, bacitracina, mupirocina ou ácido fusídico e a drenagem quando a lesão apresenta flutuação, são curativos.

 

Sistêmico

Eritromicina na dose de 30 a 40 mg/kg/dia, dividida de 6 em 6 horas, tetraciclinas na dose de 20 a 40 mg/kg/dia, dividida de 6 em 6 horas ou 2g/dia para adultos, sulfametoxazol+trimetropina – 800 mg e 160 mg respectivamente a cada 12 horas em adultos. Em crianças a dose é 20 a 30 mg/kg/dia calculada em relação ao sulfametaxazol. Em furunculoses de repetição recomenda-se o uso de mupirocina tópico durante sete dias na cavidade nasal, na região retro-auricular, nos sulcos interdigitais dos pés e mãos, axilas, períneo e na região peri-anal.

 

Outros

Sabonetes antibacterianos e antibióticos tópicos no nariz e unhas podem ser empregados no tratamento da furunculose recidivante, para evitar a colonização de portadores assintomáticos.

 

CARACTERÍSTICAS EPIDEMIOLÓGICAS DO FURÚNCULO

Doença universal. A obesidade, higiene precária, história familiar, diabete mellitus e quadros de imunodepressão são considerados fatores de risco.

 

OBJETIVOS DA VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA

Não se aplica.

 

NOTIFICAÇÃO

Não é doença de notificação compulsória.

 

MEDIDAS DE CONTROLE DO FURÚNCULO

Vestes e objetos de uso pessoal devem ser mantidos separados e limpos, se possível com trocas de roupas diárias. As mãos e a face do paciente devem ser rigorosamente limpas, devendo-se usar sabões desinfetantes. É conveniente manter secas as regiões do corpo habitualmente úmidas. Pacientes obesos e/ou que têm pêlos encravados e/ou com hiperidroses devem procurar tratamento específico. Devem ser evitados uso de roupas apertadas e contato da pele com óleos de maneira geral. Orientar para evitar a drenagem e expressão excessiva da lesão sem orientação médica.

 

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