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Quais os fatores de risco para miocardiopatia periparto?

Autor:

Lucas Santos Zambon

Médico pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Residência em Clínica Médica no Hospital das Clínicas da FMUSP (HC-FMUSP). Doutorando do HC-FMUSP. Médico da Disciplina de Emergências Clínicas do HC-FMUSP. Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 13/08/2012

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Especialidades: Cardiologia / Obstetrícia / Medicina Hospitalar

 

Resumo

Estudo de coorte prospectiva que buscou os fatores de risco para ocorrência de miocardiopatia periparto, de forma a permitir uma identificação mais adequada de mulheres em risco.

 

Contexto clínico

A miocardiopatia periparto (insuficiência cardíaca surgida no final da gestação ou no puerpério, sem outras etiologias) é associada a um alto risco de mortalidade materna. Além disso, essa condição pode ter recorrência. Dada sua importância, é fundamental descrever quais são os preditores da miocardiopatia periparto para que se possa ter uma abordagem mais dirigida.

 

O estudo

Este é um estudo de coorte retrospectiva que abrangeu 10 anos de análise, e que foi realizado no estado da Califórnia-EUA. O objetivo foi descrever os fatores de risco para miocardiopatia periparto. Foram incluídas mulheres com insuficiência cardíaca ocorrida entre 1 mês antes e 5 meses após o parto. A confirmação diagnóstica se deu pelo registro de dilatação cardíaca com função sistólica diminuída, após excluir mulheres com história prévia de ICC ou de doença valvar.

Entre 227.224 mulheres elegíveis, foram confirmados 110 casos. A incidência de casos confirmados foi de 4,8 por 10.000 nascidos vivos. A mortalidade entre os casos foi de 6,1/1.000 pessoas-ano, contra 0,23 no grupo sem doença (P < 0,001). Os fatores de riscos independentes foram etnia (mulheres negras, de ascendência filipina ou hispânica); idade = 25 anos; paridade = 4; idade > 40 anos; anemia severa; múltiplas gestações; doença hipertensiva durante a gestação; hemólise; elevação de enzimas hepáticas e plaquetopenia. Os desfechos neonatais associados com a miocardiopatia foram nascimento pré-termo, Apgar de 5 minutos = 6 e morte.

 

Aplicações para a prática clínica

A despeito de o estudo ter sido feito em 1 estado norte-americano isoladamente, o que poderia colocar em discussão sua representatividade em outras populações, os resultados são bastante importantes. Ter em mente os fatores de risco associados à miocardiopatia periparto aumenta a sensibilidade do médico quanto à investigação de um possível quadro que se apresentar. As mulheres com a doença precisariam ser reavaliadas quanto à função cardíaca em um prazo de até 6 semanas do pós-parto. As que persistirem com disfunção ventricular têm alto risco de progressão e devem ser avisadas sobre maior risco em gestações futuras, sendo adequado sugerir algum método contraceptivo.

Com base neste estudo, é possível usar os fatores de risco descritos para embasar a suspeita clínica e indicar mais adequadamente uma avaliação de função ventricular, o que deve permitir maior chance de diagnóstico e uma correta abordagem terapêutica e de seguimento.

Se terapia anti-hipertensiva, transfusões profiláticas ou outras abordagens podem ter algum efeito na possibilidade de surgimento ou progressão desta condição, ainda são questões sem resposta. O importante é ter em mente que esta condição vem associada a grande morbimortalidade materna e neonatal, e, portanto, sua abordagem deve ser a mais bem feita possível.

 

Bibliografia

1.   Gunderson EP, Croen LA, Chiang V, Yoshida CK, Walton D, Go A. Epidemiology of peripartum cardiomyopathy: incidence, predictors, and outcomes. Obstet Gynecol 2011 Sep; 118:583. [link para o artigo] (Fator de Impacto: 4,392)

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