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Classificação Internacional para a Segurança do Paciente da OMS – Conceitos Fundamentais

Autor:

Lucas Santos Zambon

Médico pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Residência em Clínica Médica no Hospital das Clínicas da FMUSP (HC-FMUSP). Doutorando do HC-FMUSP. Médico da Disciplina de Emergências Clínicas do HC-FMUSP. Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 28/02/2010

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Classificação Internacional para a Segurança do Paciente da OMS – Conceitos Fundamentais

 

Definições Centrais

            Para um entendimento ideal de como funciona a Classificação Internacional para a Segurança do Paciente (CISP), é necessário conhecer duas definições que são centrais: o conceito de Segurança do Paciente e o conceito de Incidente.

 

Segurança do Paciente

Segundo o documento da OMS, Segurança do Paciente é a redução do risco de danos desnecessários associados à assistência em saúde até um mínimo aceitável. O “mínimo aceitável” se refere àquilo que é viável diante do conhecimento atual, dos recursos disponíveis e do contexto em que a assistência foi realizada frente ao risco de não-tratamento, ou outro tratamento. Complementando este conceito, a segurança do paciente não é nada mais que a redução de atos inseguros nos processos assistenciais e uso das melhoras práticas descritas de forma a alcançar os melhores resultados possíveis para o paciente.

 

Incidentes

Os Incidentes são eventos ou circunstâncias que poderiam resultar, ou resultaram, em dano desnecessário ao paciente. O uso do termo "desnecessário" nesta definição é por se reconhecer que erros, violações, maus-tratos e atos deliberadamente inseguros ocorrem na assistência em saúde. Tudo isso é considerado incidente. Certas formas de dano, porém, como uma incisão de uma laparotomia, são necessárias. Este não é considerado um incidente. Incidentes acontecem em decorrência de atos involuntários ou planejados. Erros são, por definição, não intencionais, enquanto que violações são geralmente intencionais ou eventualmente até mal intencionadas, e poderão tornar-se rotineiras e automáticas em certos contextos. Um erro é uma falha para realizar uma ação planejada da forma como deveria acontecer ou a realização incorreta de um plano. Erros podem se manifestar quando se faz algo errado (erro por comissão, que é ativo), ou quando não se faz a coisa certa (erro por omissão, que é passivo), tanto no passo do planejamento quanto na fase de execução. Sendo assim, se para rastreamento de câncer de cólon é feita a pesquisa de sangue oculto nas fezes de forma periódica, e é feita uma colonoscopia na vigência de um teste de sangue oculto negativo (ou seja, a colonoscopia seria desnecessária), esse é um erro de comissão (um exame que não é isento de riscos foi realizado de forma desnecessária), enquanto que a não realização da pesquisa de sangue oculto constituiria um erro de omissão (segundo as evidências atuais, esse rastreamento é recomendado em determinados pacientes pois pode ajudar a diagnosticar precocemente um câncer de cólon). Uma violação é um desvio deliberado a partir de um procedimento, norma ou regra. Tanto os erros quanto as violações aumentam os riscos, mesmo que um incidente não ocorra. Importante saber que risco é a probabilidade de um incidente ocorrer.

 

Estrutura Conceitual   

A Estrutura Conceitual da CISP visa caracterizar os Incidentes através de 10 grandes classes de conceitos. Estas classes de conceitos conseguem trazer todas as características do incidente à tona, e mais ainda, permitem sua análise e fundamentação para melhorias no sentido de diminuir os riscos de novos incidentes.

           

Tabela 1: Classes de Conceitos sobre os Incidentes

1

Tipo de Incidente

2

Desfechos do Paciente

3

Características do Paciente

4

Características do Incidente

5

Fatores Contribuintes/Riscos

6

Desfechos na Instituição

7

Detecção

8

Fatores de Mitigação

9

Ações de Melhoria

10

Ações Tomadas para Diminuição do Risco

 

            Essas 10 classes, por sua vez, são agrupadas em 3 grandes grupos de conceitos sobre o Incidente:

 

         Sistema de Resiliência: tudo aquilo que existe ou passa a ser feito para evitar os incidentes.

ü  Detecção, Fatores de Mitigação, Ações de Melhoria e Ações Tomadas para Diminuição do Risco

         Caracterização Clínica: agrupa os incidentes em categorias que possuem significado clínico.

ü  Tipo de Incidente e Desfechos do Paciente

         Informações Descritivas: basicamente toda informação que descreve o contexto do incidente para melhor caracterizá-lo e contextualizá-lo.

ü  Características do Paciente, Características do Incidente, Fatores Contribuintes/Riscos e Desfechos na Instituição

 

Esquema 1: Estrutura Conceitual

 

Legenda da Estrutura Conceitual

 

 

Nas próximas semanas, acompanhe a descrição completa dos 3 grandes grupos de conceitos da Estrutura Conceitual, bem como o Glossário com os 48 termos-chave sobre Segurança do Paciente proposto pela OMS.

 

OBS.: Seguimos no MedicinaNet as recomendações da própria OMS quanto à divulgação de qualquer material oriundo de seu website (http://www.who.int/about/copyright/en/), que permite a veiculação sem fins lucrativos de seus materiais para fins educacionais.

 

Referências

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). The Conceptual Framework for the International Classification for Patient Safety v1.1. Final Technical Report and Technical Annexes, 2009. Disponível em: http://www.who.int/patientsafety/taxonomy/en/

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