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Noradrenalina ou vasopressina no choque séptico?

Autor:

Lucas Santos Zambon

Médico pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Residência em Clínica Médica no Hospital das Clínicas da FMUSP (HC-FMUSP). Doutorando do HC-FMUSP. Médico da Disciplina de Emergências Clínicas do HC-FMUSP. Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 16/09/2013

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Especialidades: Medicina de Emergência / Terapia Intensiva

 

Resumo

Este é um estudo que comparou noradrenalina com vasopressina no choque séptico quanto à mortalidade dos pacientes.

 

Contexto clínico

O uso de drogas vasopressoras é base no tratamento do choque séptico. Muitas vezes, associa-se um segundo vasopressor à droga inicial em choques refratários, e uma das drogas mais utilizadas nesta situação é a vasopressina. Entretanto, não se sabe se ela tem algum impacto em mortalidade. O objetivo deste estudo é comparar a vasopressina com a noradrenalina como vasopressor extra no choque séptico.

 

O estudo

Este foi um estudo multicêntrico randomizado e duplo-cego. Um total de 778 pacientes com choque séptico e necessidade de vasopressor foi randomizado para receber vasopressina (0,01 a 0,03 UI/min) ou noradrenalina (5 a 15 mcg/min) como segundo vasopressor em pacientes já em uso de alguma catecolamina para controle do choque séptico (no caso, as drogas que os pacientes estavam utilizando foram noradrenalina em dose baixa, adrenalina, dopamina, dobutamina, milrinona e fenilefrina). Os desfechos avaliados foram as mortalidades em 28 e 90 dias, respectivamente.

Não houve diferença em relação à morte em 28 dias entre os grupos vasopressina e noradrenalina (35,4% e 39,3%, respectivamente; P = 0,26; IC95% para redução de risco absoluto no grupo vasopressina: -2,9 a 10,7%) Da mesma forma, não houve diferença significativa na mortalidade em 90 dias entre os 2 grupos (43,9% e 49,6% respectivamente, P=0,11; IC95% para redução de risco absoluto no grupo vasopressina: -1,3 a 12,8%). Esta ausência de diferença persistiu na análise multivariada. As taxas de eventos adversos foram semelhantes nos grupos da vasopressina e da noradrenalina (10,3% e 10,5%, P=1,00).

 

Aplicações para a prática clínica

Este estudo tem um resultado bastante interessante, que é a ausência de benefício de mortalidade em pacientes com choque séptico quando se utiliza a vasopressina como segundo vasopressor, independentemente de qual seja o vasopressor ou catecolamina já em uso pelo paciente. Essa ausência de benefício ocorreu inclusive quando a droga inicial era noradrenalina em dose baixa, ou seja, o resultado é semelhante aumentando a dose da noradrenalina ou acrescentando vasopressina. Sendo a vasopressina uma droga muito mais cara, esta indicação de uso (2º vasopressor em choque séptico) fica questionada por enquanto, e o que se pode fazer é aguardar por novas evidências.

 

Bibliografia

1.    Russel JA, Walley KR, Singer J, Gordon AC, Hébert PC, Cooper J, et al. Vasopressin versus norepinephrine infusion in patients with septic shock. N Engl J Med 2008; 358:877-887. (link para o artigo).

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