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Poluição do Ar Ambiente e Mortalidade em 652 Cidades

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 18/12/2019

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Contexto Clínico

 

Sabe-se que há boa documentação a respeito dos efeitosadversos à saúde da exposição a curto prazo à poluição do ar ambiente. Omaterial particulado (PM), especialmente, traz preocupações para a saúdepública devido à sua toxicidade e à ampla exposição humana a esse poluente - inclusive,sua concentração média diária e anual é regulada de acordo com as Diretrizes deQualidade do Ar da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O PM, que inclui partículas inaláveis com diâmetroaerodinâmico de 10µm ou menos (PM10) e partículas finas com diâmetroaerodinâmico de 2,5µm ou menos (PM2,5), é emitido a partir de fontes decombustão ou formado por transformação química atmosférica. Numerosos estudosde séries temporais examinaram as associações entre exposições a PM de curtoprazo e mortalidade diária. Entretanto, a maioria das evidências foi obtida deestudos em cidades, regiões ou países isolados, e há desafios na comparaçãodesses resultados.

 

O Estudo

 

É apresentado, aqui, um estudo observacional multicêntrico,no qual os pesquisadores avaliaram as associações de PM inalável com diâmetroaerodinâmico de 10µm ou menos (PM10) e PM fino com diâmetro aerodinâmico de2,5µm ou menos (PM2,5) com causas diárias de mortalidade geral, cardiovasculare respiratória diárias em vários países ou regiões (652 cidades em 24 países ouregiões). As curvas de concentração-resposta de cada cidade foram agrupadaspara permitir a estimativa global.

Em média, um aumento de 10µg/m3 na médiamóvel de 2 dias da concentração de PM10 representa a média no dia atual e, nodia anterior, foi associado a aumentos de 0,44% (intervalo de confiança [IC] de95%, 0,39 a 0,50) na mortalidade por todas as causas diárias, 0,36% (IC 95%,0,30 a 0,43) na mortalidade cardiovascular diária e 0,47% (IC 95%, 0,35 a 0,58)na mortalidade respiratória diária. Os aumentos correspondentes na mortalidadediária para a mesma alteração na concentração de PM2,5 foram de 0,68% (IC 95%,0,59 a 0,77), 0,55% (IC 95%, 0,45 a 0,66) e 0,74% (IC 95%, 0,53 a 0,95).

Essas associações permaneceram significativas após oajuste para poluentes gasosos. As associações foram mais fortes em locais commenores concentrações médias anuais de MP e temperaturas médias anuais maisaltas. As curvas concentração-resposta combinadas mostraram um aumentoconsistente na mortalidade diária com o aumento da concentração de MP, comdeclives mais acentuados em concentrações mais baixas de PM.

 

Aplicação Prática

 

Esse importante estudo multicêntrico analisou dadosde vários locais sobre poluição e mortalidade do ar em 652 cidades emdiferentes países e regiões (com limitação de serem mais países e cidades dohemisfério norte), fornecendo evidências de associações positivas entre aexposição a curto prazo às PM10 e PM2,5 e a mortalidade diária por todas ascausas, cardiovascular e respiratória.

O estudo indicou associações independentes dasconcentrações de PM10 e PM2.5 com a mortalidade diária após o ajuste parapoluentes gasosos. Além disso, as curvas de concentração-resposta para osefeitos da MP na mortalidade mostraram um aumento consistente, com achatamentoem concentrações mais altas, e as associações ainda sendo detectáveis emconcentrações abaixo das diretrizes de qualidade do ar e dos limitesregulatórios atuais. O estudo é consistente com a maioria dos estudosanteriores, que foram mais limitados em termos de abrangência. Esse achadoconsolida a necessidade de que governos adotem medidas rígidas para tentarcontrolar a emissão de PM dentro de centros urbanos, como medida de saúdepública, ao menos para atingir a recomendação da OMS.

 

 

Bibliografia

 

1.            Liu C et al. AmbientParticulate Air Pollution and Daily Mortality in 652 Cities. N Engl J Med 2019;381:705-715

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