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Última revisão: 14/05/2013

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 Versão original publicada na obra Joint Commission Resources. Gerenciando o fluxo de pacientes: estratégias e soluções para lidar com a superlotação hospitalar. Porto Alegre: Artmed, 2008.

 

 

GERENCIANDO O FLUXO DE PACIENTES

ESTRATÉGIAS E SOLUÇÕES PARA LIDAR COM A SUPERLOTAÇÃO HOSPITALAR

Joint Commission Resources

 

Tradução: Magda França Lopes

 

Consultoria, supervisão e revisão técnica: Paulo Marcelo Zimmer – Médico. Diretor de Operações – Hospital Mãe de Deus.

 

Introdução

O que é superlotação?

         O American College of Emergency Physicians (ACEP) define a superlotação de pronto-socorro (PS) como “uma situação em que a necessidade identificada de serviços de emergência supera os recursos disponíveis no pronto-socorro. Essa situação ocorre nos prontos-socorros dos hospitais quando seus profissionais e leitos são insuficientes para atender o número de pacientes, o que provoca tempos de espera excessivos”. 1

         O que tem levado a essa superlotação? Em 2001, nos Estados Unidos, foram feitas cerca de 107,5 milhões de visitas aos prontos-socorros de hospitais, comparadas às 89,8 milhões de visitas em 1992, representando um aumento de 20%.2 Embora os pacientes se apresentem ao pronto-socorro com uma grande variedade de condições médicas, desde ferimentos leves a traumas sérios, cada vez eles experimentam níveis maiores de gravidade e condições mais complexas. À medida que a população norte-americana envelhece, aumenta o número de pacientes idosos buscando cuidado, tratamento e serviços nos prontos-socorros, e sua freqüência supera muito a de todos os outros grupos de idade.3 Além disso, os pacientes que não têm acesso ao atendimento de saúde, quer porque não estão segurados ou estão insuficientemente segurados, quer porque não conseguem marcar uma consulta com seu médico de atenção básica há várias semanas, vão ao pronto-socorro para obter o cuidado que não conseguem em outro lugar. Devido ao Emergency Medical Treatment and Labor Act (Ato do Trabalho e Tratamento Médico de Emergência), o atendimento a esses pacientes não pode ser negado por sua impossibilidade de pagar por ele. E, enquanto o uso do PS continua a aumentar, o número de hospitais que proporcionam cuidado emergencial tem diminuído. Conseqüentemente, um contigente maior de pacientes busca atendimento em um número menor de prontos-socorros.

         A superlotação, no entanto, não é um problema sistêmico apenas do pronto-socorro. A carência de leitos na internação é a causa mais citada para a superlotação no PS. Em virtude disso, quando os hospitais ficam superlotados, os pacientes, enquanto aguardam leitos para internação, terminam por ser monitorados em áreas não destinadas a tratamento, como corredores. Quando são “acomodados” nos corredores, os pacientes ocupam espaço de tratamento, dependem dos equipamentos e do tempo dos funcionários, comprimindo uma unidade já sobrecarregada. A superlotação também pode dificultar a triagem adequada dos pacientes, obrigando-os a ficar na sala de espera do PS enquanto aguardam leitos.

         A superlotação pode resultar ainda no desvio de ambulâncias, primeiro fator a atrair a atenção dos Estados Unidos para o problema dos PSs. Na verdade, um terço de todos os hospitais relatou desvios, não apenas durante a temporada de gripe, mas durante o ano todo.4

         O comprometimento da segurança do paciente é o impacto mais alarmante da superlotação do PS. Ele é ocasionado por atrasos do tratamento, maior número de erros, piores resultados, desistência dos pacientes antes de serem atendidos e índices mais elevados de readmissão.

         Calcula-se que, entre 10 hospitais norte-americanos, mais de seis operam no limite ou acima de sua capacidade. Isso significa que os acúmulos no sistema de saúde que conduziram à superlotação dos PSs tornaram-se um problema de amplitude nacional, afetando hospitais acadêmicos e comunitários, tanto em áreas urbanas quanto rurais.

 

Superlotação do PS ou do hospital?

         De início, a superlotação era considerada um fenômeno do PS. Entretanto, quanto mais os provedores de cuidados de saúde e os pesquisadores investigam suas causas, seus impactos e soluções, mais consideram a questão um problema sistêmico.

         Embora seja verdade que o pronto-socorro tem capacidade de prestar uma série de serviços médicos para pacientes gravemente doentes e feridos, ele também depende de muitos serviços auxiliares, como laboratório, diagnóstico por imagem e enfermagem capacitada, para que o atendimento ocorra. A falha de qualquer um dos serviços pode paralisar um pronto-socorro, corroborando a idéia de que o PS não é necessariamente a causa do acúmulo, mas a unidade mais vulnerável a ele. Conseqüentemente, entende-se agora que muitas soluções para a superlotação do pronto-socorro estão fora dele.

 

O propósito deste livro

         Dirigido a diretores e administradores de hospital, administradores de PS, enfermeiros e chefes de enfermagem, funcionários de PS, diretores e coordenadores de segurança do paciente, gerentes de melhora da qualidade e gerentes de risco, este livro descreve como gerenciar o fluxo de pacientes e evitar a superlotação do PS, considerando toda a organização e não apenas a unidade de emergência. O livro defende que, para aliviar com sucesso a superlotação dos PSs, os hospitais devem considerá-los como uma parte integrante da organização, alocando recursos quando o departamento estiver sobrecarregado e comprometendo-se com a monitoração contínua das medidas contra a superlotação e dos resultados para os pacientes.

         Coerente com essas conclusões e medidas, o novo padrão da Joint Commission para gerenciar o fluxo de pacientes e evitar a superlotação, LD.3.15*, concentra-se na importância de identificar e mitigar os impedimentos ao fluxo eficiente de pacientes pelo hospital – não apenas no pronto-socorro. O padrão reconhece a particular vulnerabilidade dessa unidade aos efeitos negativos de um gerenciamento de fluxo ineficiente. Finalmente, indica que uma melhor administração dos processos pode garantir o uso de recursos limitados de forma apropriada e, desse modo, reduzir o risco de resultados negativos para os pacientes decorrentes de atrasos na prestação do cuidado.

         Além de desenvolver esse padrão, a Joint Commission promoveu o diálogo sobre a superlotação do PS, tratando a questão como uma de suas iniciativas de política pública. Para isso, realizou mesas-redondas com especialistas e partes interessadas, promoveu um simpósio em âmbito nacional e está desenvolvendo um documento oficial que incluirá os elementos mais importantes da discussão a fim de refinar a síntese do problema e propor soluções.

 

Organização do livro

         O Capítulo 1, “As causas da superlotação dos hospitais”, discute causas como a falta de recursos disponíveis, incluindo profissionais, leitos e opções de alta.

         O Capítulo 2, “O impacto da superlotação no cuidado e na segurança do paciente”, descreve o efeito da superlotação, incluindo aumentos nos desvios de ambulâncias, pacientes que enfrentam tempos de espera significativamente mais longos, alojamento em corredores do PS e comprometimento da segurança do paciente.

         O Capítulo 3, “Usando os padrões da Joint Commission para gerenciar o fluxo de pacientes e prevenir a superlotação”, examina os padrões da Joint Commission associados à prestação de cuidado no pronto-socorro e, em particular, o novo padrão para gerenciar o fluxo e prevenir a superlotação.

         O Capítulo 4, “Estratégias para gerenciar o fluxo de pacientes e prevenir a superlotação”, oferece planos de ação, como o trabalho em equipe e o apoio da liderança, além de discutir conceitos como entrada, processamento e saída (ou o fluxo de pacientes e sua facilitação), bem como o uso de indicadores de piora precoce.

         O Capítulo 5, “Estratégias adicionais para gerenciar o fluxo de pacientes e prevenir a superlotação”, apresenta novas propostas para lidar com as questões organizacionais. Entre elas estão a implementação de fast tracks, o emprego de hospitalistas, o uso de soluções baseadas em tecnologia, o desenvolvimento de medidas de resultado e o aumento do número de leitos.

         O Capítulo 6, “A colaboração comunitária como uma solução”, discute a relação do hospital com a comunidade, começando com o desenvolvimento de políticas de desvio. Inclui exemplos de colaboração nos âmbitos comunitário, regional e estadual.

         O Capítulo 7, “Estudos de caso: destacando estratégias bem-sucedidas e lições aprendidas”, inclui três estudos de caso de organizações que usaram várias abordagens e intervenções para melhorar com sucesso o fluxo de pacientes e diminuir a superlotação. Esses estudos de caso oferecem lições aprendidas de outros hospitais que se adaptaram com seus próprios esforços para reduzir o impacto da superlotação.

         O Apêndice, “Usando a metodologia do rastreador para avaliar o fluxo de pacientes”, descreve como essa metodologia pode ser usada para avaliar o gerenciamento do fluxo de pacientes. Apresenta um cenário de caso que demonstra como identificar riscos do cuidado que possam conduzir à superlotação no pronto-socorro ou em outras unidades de um hospital.

 

Agradecimentos

         Gostaríamos de agradecer às seguintes pessoas por suas contribuições para esta publicação: Linda K. Kosnik, R.N., M.S.N., A.N.P., C.E.N., chefe de enfermagem, e James A. Espinosa, M.D., F.A.C.E.P., F.A.A.F.P., diretor-médico do Overlook Hospital/Atlantic Health System em Summit, New Jersey; Susan Key, R.N., M.S., C.E.N., diretora dos serviços de emergência do Cape Canaveral Hospital/HealthFirst Inc., em Cocoa Beach, Flórida; e Christy Dempsey, B.S.N., C.N.O.R., diretora dos serviços perioperatórios do St. John’s Regional Health Center, em Springfield, Missouri, que proporcionaram os estudos de caso para este livro. Finalmente, desejamos expressar nossa gratidão à escritora Ruth Carol por sua pesquisa sólida e sua explicação clara dos conceitos envolvidos na superlotação hospitalar.

 

Referências

1.             American College of Emergency Physicians. Responding to emergency department crowding: A guidebook for chapters . A report of the crowding resources task force. Aug 2002. www.acep.org/library/pdf/edCrowdingReport.pdf (accessed Feb. 3, 2004).

2.             McCaig L.F., Burt C.W.: National Hospital Ambulatory Medical Care Survey: 2001 Emergency Department Summary. Advance Data from Vital Health Statistics . Centers for Disease Control and Prevention. No. 335, Jun. 4, 2003.

3.             American Hospital Association. Trendwatch: Emergency departments – an essential access point to care . 3(1): Mar 2001. www.hospital-connect.com/ahapolicyforum/trendwatch/content/twmarch 2001.pdf (accessed Jan. 28, 2004).

4.             American Hospital Association. Emergency department overload: A growing crisis. Study conducted by The Lewin Group for AHA. Apr. 2002. * Esse padrão tinha o número LD.3.11 até 1º de janeiro de 2005.

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