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Eficácia do escitalopram no tratamento de ondas de calor em mulheres menopausadas

Autor:

Giovanni Mastrantonio Di Favero

Médico Assistente da Disciplina de Ginecologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP) e do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP). Doutor em Medicina pelo Charité-Universitätsmedizin Berlin, Alemanha.

Última revisão: 13/10/2011

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Título: A eficácia do antidepressivo (escitalopram) como alternativa à terapia hormonal no tratamento de “ondas de calor“  em mulheres menopausadas

 

Especialidades: Ginecologia e Obstetrícia.

 

Resumo: Estudo randomizado, duplo-cego e placebo-controlado para determinar a eficácia do Escitalopram (SSRI) na diminuição da frequencia e severidade das “ondas de calor“ em mulheres menopausadas.

 

Contexto clínico

Ondas de calor ou fenômenos vasomotores são sintomas bastante frequentes em mulheres na perimenopausa. Até a publicação dos resultados do “One Million Women Study“ e do “Women‘s Health Initiative“, respectivamente em 2002 e 2005, o tratamento desses sintomas era baseado na reposição hormonal com estrogênios. Entretanto, dúvidas a respeito da segurança do tratamento hormonal levantadas por tais trabalhos estimularam a pesquisa por medicamentos alternativos, dentre eles os antidepressivos. O uso dos inibidores seletivos da recaptação da serotinina (ISRS) e da serotonina-norepinefrina (ISRSN) no tratamento das ondas de calor tem sido extensamente investigado, apresentando resultados até o momento contraditórios. Sabe-se que este grupo de medicamento não está associado a eventos adversos significativos, porém sua eficácia é questionada por diversos autores.

 

O estudo

Este é um estudo randomizado, duplo-cego placebo-controlado, multicêntrico dentro dos Estados Unidos conduzido entre 2009 e 2010, onde 205 mulheres sintomáticas (“ondas de calor“) na menopausa foram divididas em 2 grupos. Para 104 mulheres, foi administrado de 10 a 20 mg/dia de escitalopram (ISRS), enquanto que as restantes (101) receberam placebo durante um período de 8 semanas. O objetivo central do estudo foi analisar a frequencia e a severidade do sintoma (onda de calor“) 4 e 8 semanas após o início do tratamento e 3 semanas após o término. Aproximadamente 55% das mulheres tratadas com escitalopram versus 36% do grupo placebo relataram melhora significativa (pelo menos 50%) na frequencia do sintoma após 8 semanas (p=0.009). Paralelamente, o escitalopram, após um seguimento de 8 semanas, também reduziu substancialmente o escore de severidade do sintoma em 24% versus 14% nas pacientes do grupo controle (p<0,001). Após 3 semanas da interrupção da medicação, observou-se que as mulheres que receberam escitalopram voltaram a apresentar sintoma com maior frequência e severidade que aquelas que receberam placebo. A terapia foi muito bem tolerada pelas pacientes, sendo que a taxa de interrupção da medicação por efeitos colaterais foi de apenas 4%.

 

Aplicações para a prática clínica

Este trabalho busca comprovar a eficácia de um tratamento não hormonal para o sintoma mais prevalente relacionado à menopausa. Diversos trabalhos relatam os riscos relacionados a terapia hormonal (oncológicos, cardiovasculares, tromboembólicos, neurológicos, entre outros), sendo que a busca por alternativas igualmente eficazes norteiam um grande número de estudos atuais. Os antidepressivos parecem ser uma solução interessante para o problema, porém os reais resultados desta terapia ainda carecem de comprovação científica. O presente estudo traz evidências bastante sólidas de que a medicação pode, sim, ser uma opção similar ao uso de hormônios no tratamento das ondas de calor. Os autores demonstraram que a medicação é significativamente superior ao placebo e que a sua interrupcão faz os sintomas retornarem com frequência.

 

Bibliografia

1.     Freeman EW, Guthrie KA, Caan B, Sternfeld B, Cohen LS, Joffe H, et al. Efficacy of escitalopram for hot flashes in healthy menopausal women: a randomized controlled trial. JAMA. 2011 Jan 19;305(3):267-74. (Fator de Impacto: 30).

2.     Rossouw JE, Anderson GL, Prentice RL, LaCroix AZ, Kooperberg C, Stefanick ML, et al. Risks and benefits of estrogen plus progestin in healthy postmenopausal women: principal results From the Women's Health Initiative randomized controlled trial. JAMA. 2002 Jul 17;288(3):321-33.

3.     U.S. Preventive Services Task Force. Hormone therapy for the prevention of chronic conditions in postmenopausal women: recommendations from the U.S. Preventive Services Task Force. Ann Intern Med. 2005 May 17;142(10):855-60.

 

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