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Ultrassonografia para distinguir massas anexiais begninas e malignas

Autor:

Giovanni Mastrantonio Di Favero

Médico Assistente da Disciplina de Ginecologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP) e do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP). Doutor em Medicina pelo Charité-Universitätsmedizin Berlin, Alemanha.

Última revisão: 20/03/2012

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Podemos confiar no exame ultrassonográfico para distinguir entre massas anexiais begninas e malignas?

 

Especialidades: Ginecologia / Radiologia / Oncologia

 

Resumo

Estudo multicêntrico e prospectivo que procurou validar achados ultrassonográficos simples para distinguir entre massas anexiais benignas e malignas.

 

Contexto clínico

A estimativa do risco de malignidade de uma massa anexial é fundamental para decidir qual a melhor alternativa terapêutica e o planejamento cirúrgico. Lesões benignas podem ser tratadas de modo conservador ou mesmo operadas por via laparoscópica, ao passo que massas anexiais suspeitas devem ser encaminhadas para um serviço oncológico de referência.  A ultrassonografia transvaginal é aparentemente um bom método para diferenciar a malignidade de tumores anexiais. No entanto, a maioria das sociedades de ginecologia e de oncologia só recomendam a utilização do método dentro de um modelo de regressão logística para estimar o risco de malignidade. Estes modelos são frequentemente de difícil execução e reprodução, pois preveem a realização do exame por especialistas treinados e a dosagem paralela de marcadores tumorais. Por outro lado, sabe-se que a observação de simples características da massa – como formato, tamanho, cistos uniloculados, presença de estruturas papilares internas ou áreas sólidas – também tem capacidade de discriminar entre lesões benignas ou malignas. O presente estudo objetivou avaliar o desempenho diagnóstico de achados ultrassonográficos simples como preditor de malignidade nas massas anexiais.

 

O estudo

Trata-se de um estudo prospectivo e multicêntrico conduzido entre 2005 e 2007 em 19 centros de ultrassonografia em 8 diferentes países da Europa. Foram incluídas 1.938 mulheres entre 11 e 94 anos de idade (média de 46 anos) que foram referidas ao centro de diagnóstico por massa anexial. Todas as pacientes foram submetidas a ultrassonografia associada a dopplerfluxometria pelo mesmo investigador de cada centro dentro do protocolo de pesquisa. Os critérios compreendiam 5 características de malignidade (M1: tumor irregular sólido; M2: presença de ascite; M3: pelo menos 4 formações papilares; M4: tumor multilocular maior que 10 cm; M5: fluxo sanguíneo ao Doppler elevado) e 5 de benignidade (B1: cisto unilocular; B2: componente sólido menor que 7 mm; B3: sombra acústica; B4: tumor liso multilocular menor que 10 cm; B5: ausência de fluxo ao Doppler). Com base na combinação das características apresentadas, uma massa poderia ser classificada como benigna, maligna ou inconclusiva. Todas as pacientes incluídas foram submetidas a cirurgia, sendo que todas as massas removidas foram submetidas a análise histológica. O poder diagnóstico da avalição sonográfica em termos de sensibilidade e especificidade foi então comparado com o método padrão-ouro.

 

Resultados

Após a análise anatomopatológica, cerca de 72% das mulheres apresentavam tumores benignos, 19% tumores primários invasivos, 6% tumores borderlines e 3% tumores metastáticos. Nos casos de avaliação sonográfica conclusiva (77% dos casos), foi obtida uma sensibilidade de 92% e uma especificidade de 96%.

 

Aplicações para a prática clínica

O emprego do exame ultrassonográfico na avaliação de tumorações anexiais é um método bastante confiável. Sua utilização isolada, mesmo fora de um modelo de análise de risco e utilizando critérios simples e facilmente reprodutíveis, tem um potencial significativo para auxiliar na abordagem terapêutica das massas anexias.

 

Bibliografia

1.   Timmerman D, Ameye L, Fischerova D, Epstein E, Melis GB, Van Holsbeke C et al. Simple ultrasound rules to distinguish between benign and malignant adnexal masses before surgery: prospective validation by IOTA group. BMJ 2010 Dec 14;341:c6839. [link para o artigo] (Fator de Impacto: 13,471)

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