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Uso das vitaminas C e E para prevenir complicações associadas à pré-eclâmpsia

Autor:

Tatiana Pfiffer Favero

Médica Assistente e Pós-graduanda do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Charité-Universitätsmedizin Berlin, Alemanha.

Última revisão: 26/03/2012

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Especialidades: Obstetrícia / Ginecologia

 

Resumo

Estudo multicêntrico, prospectivo, randomizado e duplo-cego que objetivou avaliar o impacto da suplementação de vitaminas C e E em gestantes nulíparas de baixo risco em termos de prevenção de pré-eclâmpsia grave ou diminuição das complicações materno-fetais associadas a hipertensão na gestação.

 

Contexto clínico

A pré-eclâmpsia pode ser considerada uma doença ocasionada pela placentação e perfusão inadequadas que resultam no estímulo excessivo da resposta inflamatória e disfunção endotelial. Estes fenômenos, por sua vez, promovem um aumento do estresse oxidativo e consequente liberação de radicais livres que aparentemente são responsáveis pelos sintomas clínicos da pré-eclâmpsia. A utilização de substâncias antioxidantes, tais como o ácido ascórbico, na prevenção da pré-eclâmpsia ainda é motivo de discussão. Desde a década de 1990, existem evidências consistentes na literatura de que a suplementação de vitaminas C e E em gestantes de alto risco para pré-eclâmpsia pode diminuir substancialmente a incidência da doença. Contudo, diversos estudos recentes falharam em confirmar os resultados promissores iniciais. Neste contexto, o presente estudo objetivou a avaliar o impacto da suplementação de vitaminas C e E em gestantes nulíparas de baixo risco em termos de prevenção de pré-eclâmpsia grave ou diminuição das complicações materno-fetais associadas a hipertensão na gestação (síndrome HELLP , eclâmpsia, insuficiência renal, crescimento intrauterino restrito, parto prematuro ou óbito perinatal)

 

O estudo

Trata-se de um estudo prospectivo, randomizado e duplo-cego realizado em 16 centros dentro dos Estados Unidos entre julho de 2003 e fevereiro de 2008. Foram recrutadas um total de 10.154 gestantes nulíparas de baixo risco que foram aleatoriamente divididas em dois grupos. O primeiro grupo (estudo) recebeu uma suplementação diária de 1.000 mg de vitamina C juntamente com 400 UI de vitamina E entre a 9a e a 14a semana de gestação, enquanto as mulheres do segundo grupo receberam placebo na mesma fase da gestação. Não houve uma diferença estatisticamente significativa entre o grupo que recebeu as vitaminas e o que recebeu apenas placebo em termos de ocorrência de pré-eclâmpsia grave (7,2% versus 6,7%). Também não foi observada uma diminuição substancial no aparecimento de eventos perinatais adversos (6,1% versus 5,7%).

 

Aplicações para a prática clínica

O presente estudo, que avaliou um número significativo de gestantes nulíparas de baixo risco, demonstrou categoricamente que a suplementação de vitaminas C e E realizada entre a 9a e a 14a semana de gestação não reduz nem a incidência de pré-eclâmpsia grave, nem a ocorrência de complicações materno-fetais relacionadas a hipertensão.

 

Bibliografia

1.   Roberts J, Myatt L, Spong CY, Thom EA, Hauth JC, Leveno KJ et al. Vitamins C and E to prevent complications of pregnancy-associated hypertension. N Engl J Med. 2010 Apr 8;362(14):1282-91. [link para o artigo] (Fator de Impacto: 53,484)

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