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Eculizumabe em Gestantes com Hemoglobinúria Paroxística Noturna

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 25/01/2016

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Contexto Clínico

O eculizumabe, um anticorpo monoclonal contra a fração C5 do complemento, tem sido usado para impedir complicações de hemoglobinúria paroxística noturna (HPN) e para melhorar a qualidade de vida e sobrevivência global. Em mulheres portadoras da doença que engravidam seria interessante poder usar a droga, mas os dados sobre a utilização de eculizumabe em mulheres durante a gravidez são escassos.

 

O Estudo

Foi projetado um questionário para solicitar dados sobre gestações em mulheres com HPN e enviando-o aos membros da HPN Interest Group Internacional e para os médicos participantes do HPN Registro Internacional. Avaliou-se a segurança e eficácia de eculizumabe em pacientes grávidas com PNH examinando o nascimento e registros de desenvolvimento das crianças nascidas e eventos adversos nas mães.

Dos 94 questionários que foram enviados, 75 foram devolvidos, o que representa uma taxa de resposta de 80%. Foram avaliados dados sobre 75 gestações em 61 mulheres com HPN. Não houve mortes maternas e três mortes fetais (4%). Seis abortos (8%) ocorreram durante o primeiro trimestre. Requisitos para transfusão de glóbulos vermelhos aumentaram durante a gravidez, de uma média de 0,14 unidades por mês nos seis meses antes da gravidez para 0,92 unidades por mês durante a gravidez. As transfusões de plaquetas foram dadas em 16 gestações. Em 54% das gestações que evoluíram após o primeiro trimestre, a dose ou a frequência de utilização de eculizumabe teve que ser aumentada. A heparina de baixo peso molecular foi usada em 88% das gestações. Dez eventos hemorrágicos e dois eventos trombóticos foram documentados; ambos os eventos trombóticos tenham ocorrido  durante o período pós-parto. Um total de 22 partos (29%) era prematuro. Vinte amostras de sangue do cordão foram examinadas quanto à presença de eculizumabe; a droga foi detectada em sete das amostras. Um total de 25 bebês foi alimentado  com leite materno, e em dez destes casos, o leite materno foi analisado para a presença de eculizumabe; o fármaco não foi detectado em qualquer das dez amostras do leite materno.

 

Aplicações Práticas

 Apesar de ter sido apenas um estudo observacional com questionário, portanto sujeito a vieses de seleção, principalmente, podemos verificar que o eculizumabe forneceu benefício para as mulheres com HPN durante a gravidez, como evidenciado por uma elevada taxa de sobrevivência fetal e uma baixa taxa de complicações maternas. É difícil prever que haja um estudo randomizado para resolver de vez essa questão. Por hora, o que podemos dizer é que parece seguro e adequado o uso da droga nas pacientes com HPN gestantes.

 

Referências

Kelly RJ et al. Eculizumab in Pregnant Patients with Paroxysmal  Nocturnal  Hemoglobinuria. N Engl J Med 2015; 373:1032-103

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